quinta-feira, 10 de outubro de 2013

FESTA DE N.S. APARECIDA EM SÃO CARLOS

A comunidade do Distrito de São Carlos que fica a quatro horas de barco de Porto Velho, desde último dia 04, está festejando Nossa Senhora Aparecida com a realização de novenas, leilões, bingos e comercialização de iguarias regionais, que acontecem no arraial montado no pátio da igreja. A manifestação popular que completa 92 anos, em 2013, é uma das mais tradicionais da região do Baixo-Madeira e consegue atrair várias pessoas das localidades vizinhas.
O festejo vai até o domingo, quando será fechada com a realização de um torneio de futebol nas modalidades masculino e feminino.
Sábado (12) dia da padroeira do Brasil, acontece a procissão que em São Carlos é divida em duas manifestações, sendo uma por terra, saindo da igreja, fazendo o percurso pelo calçadão da vila contornando pela orla do rio. A segunda acontece no leito do rio Madeira com os barcos, rabetas e canoas saindo da ilha que fica em frente a localidade, que chega no porto em frente da igreja juntamente com a procissão terrestre e dali, os dois andores seguem até a igreja, onde é rezada missa. “São mais de noventa anos de tradição e de muita história. Por isso o festejo alusivo à Mãe Aparecida para a comunidade do distrito e a ajuda da prefeitura, é importante para mantermos essa tradição”, adiantou. O administrador do Distrito Ednardo Medeiros.

São Carlos a Vila mais antiga de Rondônia



De acordo com o professor e historiador  Abnael Machado de Lima, a Vila de São Carlos do Rio Madeira é a localidade mais antiga a ser instalada na área territorial onde está situado o Estado de Rondônia. A comunidade nasceu com a denominação de Missão de Santo Antônio do Alto Madeira, ao ser fundada pelo padre João Sam Payo, em 1723. Em 1727, o povoado foi da margem do rio para o interior da floresta, na região do Lago Cuniã. Ainda segundo o historiador, essa medida foi tomada para que a missão ficasse menos vulnerável aos ataques de índios (mura, muduruku, parintintin) e também de quem entrava na floresta para capturá-los.
Em 1797 o governo português no local da missão transferida, instalou o povoado de São João do Crato, constituído de degredados e mulheres de vida errada, portugueses, ciganos e famílias indígenas trazidas do rio Negro. O administrador do povoado era o Ouvidor Luiz Pinto de Cerqueira, substituído em 1801 pelo capitão Marcelino José Cordeiro, o qual devido às condições endêmicas do local e a permanente ameaça de ataque dos indígenas, o abandonou em 1802, localizando a sede do povoado uma região um pouco abaixo deste, aonde já havia alguns moradores.
Em 1828, o povoado foi destruído por um incêndio, supostamente provocado pelo sargento Manoel Batista de Carvalho.
Ainda no século 19, em 1858, ao viajar pela região, frei Joaquim do Espírito Santo Dias e Silva, encontrou no lugarejo uma população de 125 índios. Dois anos mais tarde, seria instalado um posto militar no povoado que passou a se denominar São Carlos. Nessa época, havia uma grande movimentação de pessoas pela região por causa da extração do látex de seringueira e pela tripulação dos vapores que descarregavam mercadorias eram abastecidos com borracha e castanha do Pará. Com o objetivo de utilizar o povoado como ponto de apoio à catequização e instalação de missões no rio Jamari e seus afluentes e no alto rio Madeira, os frades franciscanos Jesualdo Mechetti, Samuel Mancini e Teodoro Portarraro de Massafra, chegam a São Carlos em 8 de janeiro de 1871, onde construíram uma capela provisória e uma casa, dedicando-se à assistência espiritual aos seus habitantes. Também foram construídos vários barracões pelos seringalistas para depósito de mercadorias importadas e estocagem de borracha para exportação.
No entanto, a crise econômica mundial que jogou para baixo a cotação do preço da borracha no mercado internacional, que provocou a falência em muitos seringais da Amazônia afetou São Carlos, que estava em franco desenvolvimento, provocando estagnação econômica e o êxodo dos habitantes. O historiador Abnael Machado afirma que a situação no povoado só não foi mais drástica por causa da visão empreendedora do seringalistas Rodolfo Guimarães, maior proprietário da localidade, que passou a investir na produção agrícola e na agroindústria instalando a usina de São Carlos, que produzia mel, rapadura, cachaça e açúcar mascavo.
Já no início do século XX, no final da década de 1930, os padres salesianos Ângelo Cerri e Francisco Pucci projetaram a construção de uma Igreja em São Carlos, empreendimento apoiado pelos seringalistas Rodolfo Guimarães que doou à prelazia um terreno de 100 x 100 e, Joaquim Gaspar de Carvalho, Alfredo Barbosa, José Baraúna e Albino Henrique, que cederam suas embarcações para o transporte de pedra e areia tiradas da cachoeira do Samuel, no rio Jamari.
A primeira missa foi rezada pelo padre Adriano Tourinho, de Porto Velho, quando a igreja ainda estava em construção. Ela só viria a ser inaugurada em 7 de setembro de 1942, com a bênção e a entronização das imagens da padroeira da comunidade, Nossa Senhora Aparecida, doada pelo senhor Rodolfo Guimarães e de São Carlos, doada por Dom Pedro Massa, bispo da Prelazia do Amazonas.
Atualmente no espaço limitado pelo distrito de São Carlos encontram-se duas Estações Ecológicas a 1 e 2 e uma Reserva Extrativista a do lago Cuniã. Mas o distrito de São Carlos do Jamari só seria criado pela Resolução nº 122, de 21 de novembro de 1985, com amparo na Lei Complementar nº 39, de 10 de dezembro de 1980.

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