quinta-feira, 17 de abril de 2014

SEXTA FEIRA SANTA E SÁBADO DE ALELUIA

A programação litúrgica nesta Sexta Feira Santa 18, começa as 7h30, na Catedral do Sagrado Coração de Jesus em Porto Velho, com a Adoração Eucarística que vai até o meio dia. Os católicos de um modo geral se concentram a partir das 15h30 (três e meia da trade), na liturgia da Adoração da Cruz um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia, quando a Cruz é apresentada solenemente à comunidade. "Eis o lenho da Cruz, onde esteve pregada a salvação do mundo. Ó VINDE ADOREMOS".
Desde 1955, quando o Papa Pio XII decidiu, na reforma que fez na Semana Santa, não somente o sacerdote - como até então - mas também os fiéis podem comungar com o Corpo de Cristo. Ainda que hoje não haja propriamente Eucaristia, mas comungando do Pão consagrado na celebração de ontem, Quinta-feira Santa, expressamos nossa participação na morte salvadora de Cristo, recebendo seu "Corpo entregue por nós".
Procissão do Senhor Morto

A procissão do Senhor Morto está marcada para começar as 17h00, juntamente com a procissão de Nossa Senhora das Dores. A procissão siará da Catedral pela rua D. Pedro II, segue pela Marechal Deodoro, Carlos Gomes, Presidente Dutra e retorna à Catedral pela D. Pedro II. Os fiéis fazem esse percurso seguindo o ritual das 15 estações da Via Sacra que representa o caminho percorrido por Jesus Cristo até a crucificação.


Sábado de Aleluia e a malhação de judas

Vamos Romper o Aleluia, essa era a frase mais ouvida em tempos idos recentes. Acontece que o sábado de Aleluia não se reduzia apenas nas celebrações litúrgicas, em especial realizadas pela igreja católica em Porto Velho. Aliás, antigamente, a Missa de Aleluia também chamada de “Missa do Galo”, começava a meia noite, depois passou para as 22h00 e hoje ou melhor, neste sábado dia 19, de acordo com programação distribuída pelo pároco da Catedral de Porto Velho Padre Fontenelle, a liturgia vai começar as 19h00 com a Benção do Fogo e da Água. “Todos que participarão da cerimônia devem levar uma vela, e se quiserem um recipiente com água para ser benta”.
Como estávamos escrevendo, o Sábado de Aleluia em Porto Velho era festejado em todos os clubes sociais, com a realização da famosa “Festa de Aleluia”, um baile carnavalesco com direito a muito frevo, marchinha e samba, além de fantasias, confete e serpentina. Essas festas começavam a meia noite porém, só recebiam maior número de foliões, após o término da Missa do Galo.

Malhação do Judas

Essa é outra tradição do Sábado de Aleluia. A brincadeira consiste na confecção de um boneco cujo corpo é recheado de pano ou jornal velho e a cabeça moldada em papelão ou outro material. Geralmente o Judas leva uma ‘placa’ com nomes de políticos ou de pessoas que durante o ano, fizeram algo que a comunidade não gostou ou até mesmo apenas como gozação, como foi o caso do Judas que foi colocado em um poste da Rua Bolívia no bairro Santa Bárbara que segundo seus idealizadores, era uma homenagem ao colunista “fofoqueiro” Zekatraca do Diário da Amazônia.
Quando o Judas tem como objetivo ‘malhar’ os políticos, geralmente encontramos em seus bolsos, a “Carta Testamento”, denunciando as falcatruas do político ‘malhado’.

Domingo de Páscoa

A programação distribuída pela igreja católica, diz que as celebrações litúrgicas do Domingo de Pascoa irão ocorrer nos horários normais ou seja: Missa as 6h30, 8h, 18h e 20h. na Catedral Sagrado Coração de Jesus em Porto Velho. 

LENHA NA FOGUEIRA - 18.04.14


Segundo o Ocampo o IPHAN acha que em Rondônia ou Porto Velho não tem técnicos ou pessoas com conhecimento para lidar com o patrimônio abandonado na enchente pela instituição e pela Prefeitura. Querem trazer técnicos de fora para dizer o que tem que ser feito. Como se a lama existente e a limpeza das locomotivas e galpões nós não sabemos fazer. A LAMA ESTÁ ACIMA DE 40 CM DENTRO DA PRAÇA.

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“Isso é desculpa pra gastar mais que o necessário, essa prática é muito comum aqui em Rondônia, contratar gente de fora a valores exorbitantes pra ganhar algum por fora, enquanto aqui realmente temos profissionais que são totalmente qualificados e não são valorizados... E o roubo não para, mesmo em meio a desgraça alheia...” (Anderson Leno Fernandes).

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Nossa opinião é que, sendo para salvar nosso patrimônio histórico, tudo é válido. Porque essa turma que está criticando as ações da Funcultural não se une e se oferece como voluntária.

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Nessas horas é que conhecemos quem realmente está a fim de defender a nossa história e não quer apenas aparecer bem na foto.

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Fica aí a sugestão, até porque falaram no tal comitê, mas não disseram quem faz parte dele.

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No dia que o prefeito realizou a primeira reunião com os carnavalescos, para sugerir o adiamento dos desfiles, esse escriba ponderou, que o problema maior seria o pós enchente, a vazante, pois as pessoas iriam descobrir ao retornar às suas casas, que haviam perdido tudo.

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E mais, se até agora os casos de doenças endêmicas não preocupam tanto, com certeza vão se agravar com a vazante, pois é na vazante, que se registram os casos de malária e tantas outras mazelas.

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É necessário que as pessoas ao voltarem para suas casas, primeiro façam uma varredura na busca de animais peçonhentos, aranhas, cobras e outros bichos que podem estar escondidos em qualquer brecha da parede, no meio de roupas, papel, embaixo do assoalho, dentro do forno, embaixo do colchão, dentro de panelas e latas. Todo cuidado é pouco nessas horas!

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Quanto ao patrimônio histórico, não devemos ficar apenas pensando nas peças do museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, é necessário que se faça uma avaliação nos danos que podem ser causados com o desbarrancamento da beira do rio, principalmente na área onde estão o Plano Inclinado e o Porto da Enaro. Aquela parte onde o “Barquinho” atraca, dificilmente continuará do jeito que era. To me referindo a parte que fica em frente ao Galpão que chamamos de Museus da EFMM.

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O Rio Madeira ta secando mais que o reservatório da Cantareira em São Paulo. Por isso precisamos estar espertos para os problemas que a vazante pode causar.

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O que não foi com a enchente pode ir agora com o desbarrancamento ou como querem os “beradélios”, com o fenômeno conhecido como “Terra Caída”.

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Uma coisa é certa, o que vai dar de peixe nesse Rio Madeira é de falir qualquer “Pesque e Pague”. Agora tenho a impressão que os peixes não estão mais contaminados, aliás, os que foram contaminados morreram!

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Quanto ao patrimônio histórico da Madeira Mamoré, conclamamos os membros da Associação de Amigos da Madeira Mamoré para se oferecerem como voluntários.

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Todo mundo que diz que ama a Madeira Mamoré deve prestar sua colaboração, se apresentando para lavar as peças que estão todas enlameadas.

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Ficar cobrando via redes sociais é fácil, quero ver é se comprometer realmente com a preservação do nosso maior patrimônio histórico.

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Sai da “Rede” e cai na LAMA contestador!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

SERESTA SERTANEJA NO MERCADO CULTURAL


A noite desta quinta feira 17, será consagrada a música sertaneja durante a Seresta no Mercado Cultural. Segundo o coordenador do Projeto Heitor Almeida a festa sertaneja começar as 20h00 e vai contar com as apresentações dos cantores Robson & Luan, Viola Divina, Evandro, Fernando, Ivani, Emanuele da Viola, Charles Silva & João Pedro; Maurinei Muniz e Rayan. “Essa turma faz a chamada música sertaneja de raiz àquela que marca os corações, seja pelo compasso da guarânia especialidade de Juanito ou pelos grandes clássicos com a os meninos da Viola Divina e Emanuele da Viola para chegar ao romantismo das músicas interpretadas pelo Rayan.
Heitor Almeida informa que apesar da noite ser dedicada à música sertaneja não quer dizer, que os cantores que interpretam canções conhecidas como música “dor de cotovelo”, não estarão se apresentando, muito pelo contrário, “Vamos abrir com essa turma de seresteiros”, explica Heitor lembrando que estarão também se apresentando os cantores Fátima Miranda, Ciro Moura, Pablo, Abílio entre outros.
O Que - Seresta Cultural
Local – Mercado Cultural
Hora – 20h00
Entrada - Franca


Quinta Feira Santa - Crisma e Lava Pés

A programação litúrgica desta Quinta Feira Santa 17, começa as 8h00, com a celebração na Catedral do Sagrado Coração de Jesus em Porto Velho, da Missa do Crisma, quando todos os padres renovam os votos sacerdotais diante do Arcebispo Esmeraldo Barreto de Farias. O outro momento da liturgia acontece com a Bênção dos Santos Óleos, que são os óleos do Crisma, dos Enfermos e do Batismo. “Ó Deus, Pai de toda consolação, que pelo Vosso Filho quisestes curar os males dos enfermos, atendei à oração de nossa : enviai do céu o Vosso Espírito Santo Parácliro sobre este óleo generoso, que por Vossa bondade a Oliveira nos fornece para alívio do corpo, a fim de que pela Vossa santa + bênção, seja para todos que com ele forem ungidos, proteção do corpo, da alma e do espírito, libertando-os de toda dor, toda fraqueza e enfermidade. Dignai-vos abençoar para nós, ó Pai, o Vosso óleo santo, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo” (oração do óleos).

Missa do Lava Pés

O ato litúrgico mais concorrido em toda Quinta Feira Santa  é a cerimônia do Lava Pés, que vai acontecer durante a missa celebrada pelo Arcebispo Dom Esmeraldo a partir das 19h00. Esse ato, lembra a Última Ceia da qual Jesus participou com os apóstolos e logo depois lavou os pés de cada. “Eis como irão reconhecer-vos como discípulos meus: se vos amais uns aos outros – disse Jesus para os seus. Dou-vos novo mandamento. Deixo, ao partir, nova lei: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei!”.


O gesto de Jesus de lavar os pés dos discípulos durante a Última Ceia narrado por São João, define toda a vida de Jesus: doação de toda a sua existência para a libertação do homem do pecado e do mal. Lavar os pés de alguém era, na antiguidade, uma tarefa própria de escravos. Jesus faz-se escravo e lava os pés dos seus discípulos. A cena do Lava Pés, ao lado da cruz, expressa o cume da doação de si mesmo que Jesus faz à humanidade na Eucaristia. Ao substituir a narração da Eucaristia pelo lava-pés, São João mostra-nos que a Eucaristia ao nos unir a Cristo, deve levar-nos também a solidariedade com os nossos irmãos. Comungar o Cristo é comungar com o irmão. A cena do lava-pés, que vamos rememorar na missa de hoje a noite, não pode reduzir-se a uma representação sentimental do gesto de Jesus, mas, deve expressar o nosso propósito de traduzir esse gesto de Jesus em atos de amor e de serviço aos nossos irmãos na nossa vida cotidiana.

Lenha na Fogueira - 17.04.14

A respeito da vazante do Rio Madeira e das peças do Museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que ficaram submersas durante a grande cheia do “Madeirão”, foi formado um Comitê com representantes da União, Estado e Município.

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Uma das atribuições do grupo de trabalho é a emissão de relatórios diários, devendo apresentá-los a cada dez dias à Justiça Federal.

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Isso vem sendo feito em conformidade às determinações de uma Ação Civil Pública, impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional de Rondônia.

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Quer dizer, só tomaram providencias depois de terem a “Orelha” puxada!

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De acordo com a presidente da Fundação Cultural do Município, Jória Lima, foi iniciada a classificação e identificação das peças, a partir de um catálogo que o 5º BEC cedeu. Para esses serviços, contou-se com a cooperação da museóloga Me. Marselli Nogueira, que é também professora da Universidade Federal de Rondônia. “Pelo que sei, trata-se da única museóloga que temos no município”, explicou.
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E eu que pensava que o Ocampo o cara que mais brigou pela retirada das peças durante a enchente, fosse Museólogo. Ei Ocampo teu diploma foi cassado?
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Segundo a presidente da Funcultural, não há conhecimento de perdas irreparáveis por causa da enchente. “O galpão sofreu muito. As portas estavam se soltando, mas por enquanto, não temos como avaliar o prejuízo dos bens móveis.
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Somente com o fim da enchente, quando começarmos a lavar as peças e montar tudo novamente é que passaremos a dialogar com o Comitê Gestor sobre como faremos para reconstituir tudo o que se deteriorou e também discutiremos para onde deve ir definitivamente o museu, porque sabemos que aquele local não é mais adequado.

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Por enquanto, o Estado cedeu o Prédio do Relógio para a guarda dos objetos. Pensamos que talvez o museu deva mesmo se instalar ali definitivamente, mas ainda vamos debater mais sobre isso”, afirmou.

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Rodrigo Flávio, superintendente interino da SET, destacou que o Estado tem obrigações em relação ao acervo, embora o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan RO) seja o órgão responsável pela sua guarda e a gestão esteja sob os cuidados da Prefeitura.

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Disse concordar que o Prédio do Relógio parece ser o melhor lugar para a instalação do museu e que a Setur tem cooperado nos trabalhos do Comitê Gestor a respeito da principal demanda da Ação Civil Pública impetrada, que é a retirada das locomotivas e dos acervos móveis tombados.
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“Quanto à retirada das locomotivas, nada nos faz crer que essa seja uma boa medida. O mais provável é que isso poderia causar mais danos do que deixá-las no próprio local”, esclareceu.
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Flávio também informou que o Estado fará ainda neste ano algumas obras importantes para a EFMM, tais como a revitalização do Prédio do Relógio e a organização de um museu de narrativas, onde ficarão registradas muitas histórias sobre a Estrada.

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O Comitê Gestor tem se reunido semanalmente para discutir a situação geral do complexo da EFMM e as medidas a serem tomadas no período após a enchente. Uma das propostas é a contratação de uma empresa terceirizada para cuidar do museu.

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“Um museu férreo de grande porte é de difícil gestão para o município, como é também para o Estado ou mesmo para a União. Tem que ser uma empresa que tenha essa especialidade. Não acreditamos em danos irreparáveis”, finalizou a presidente da Funcultural.

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Vamos para a Missa do Lava Pés!

terça-feira, 15 de abril de 2014

DO JEITO QUE VI - HISTÓRIAS DO MONTEZUMA CRUZ

Por Lúcio Albuquerque (*)


Pesquisadores, estudiosos e historiadores da região amazônica, com ênfase especial ao que aconteceu nos últimos quase 40 anos em Rondônia, terão uma nova e boa fonte de informação no livro  do repórter andarilho Montezuma Cruz (ou Célio Caldieri Munhoz ou Astrôncio Morrote – esse último só sabe quem lia as tribunadas no jornal A Tribuna na segunda parte da década de 1970).
Hoje aqui, amanhã mais adiante, e no dia seguinte, quem sabe? Assim se pode definir a caminhada de mais de 30 anos do repórter Montezuma Cruz, sem qualquer dúvida o melhor de todos os que já passaram pelas terras de Rondon. Agora ele está lançando não um livro de memórias, ou uma autobiografia, mas uma parcela daquilo que viu, testemunhou, e do que escreveu.
É o livro Do jeito que vi, com suas 144 páginas, narrando as andanças dele pela Amazônia, Maranhão, os dois Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Brasília (aqui de paletó e gravata. Deve ter sido muito engraçado o Monte nesse traje brasiliense), pelas fronteiras brasileiras.
Felizmente o Astrôncio Morrote não vai limitar ao Do jeito que vivi tudo que vivenciou nessas andanças. Como cita o jornalista Epaminondas Henk, lembrando frase do próprio Monte inserida no livro: “Não há cronologia correta no livro. Selecionei alguns dos principais assuntos, de diferentes períodos, e infelizmente deixei ao largo histórias importantes que serão lembradas nos próximos dois livros, até 2015”.
A diferença do livro do Monte em relação a outros trabalhos de jornalistas quando enfocam a Amazônia, é que ele não veio à região para fazer uma matéria e voltou a seus pagos. O Monte vivenciou em repetidas vezes a região, tornou-se amazônida, conhece mais daqui do que a maioria dos que usam a Amazônia para discursos, e do que muitos dos que sempre viveram pelas barrancas dos nossos rios.
Ele narra situações que só vivenciou quem viveu aquelas épocas, como destaca o jornalista Carlos Gilberto Alves, editor da Rádio Jovem Pan, paulista, no prefácio. “Surgem nessas páginas coisas esquecidas, como o teletipo, a telefoto e até o telegrama. Um tempo em que os repórteres corriam aos aeroportos implorando para o passageiro, a aeromoça ou mesmo o comandante levarem o filme com as fotos necessárias à ilustração das matérias”.
(*) O livro pode ser adquirido ao valor de 33 reais depositados na conta 5424-0, agência 2636-0 do Banco do Brasil, já incluído o frete. Comunicar o depósito através do email amazoniasopiniao@gmail.com, informando nome e CEP. 

LENHA NA FOGUEIRA 16.04.14

Ontem o Rei dos jornais da região norte completou 97 anos de resistência. Estou falando do nosso querido jornal, vovô Alto Madeira.

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15 de abril de 1917 nascia o jornal Alto Madeira que por muitos e muitos anos foi a principal voz dos que nasceram ou adotaram Porto Velho.

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Nossa história de militância na comunicação local, especificamente no jornal impresso, começa exatamente no ano de 1958, levados que fomos pelo nosso irmão, Antônio Joaquim dos Santos para atuar como dobrador e entregador do jornal Alto Madeira e nas horas vagas, ficar na oficina (gráfica), aprendendo o ofício de tipógrafo.
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O chefe da gráfica era o senhor Petrônio de Almeida Gonçalves que também escrevia crônicas, juntamente com o seu Ary de Macêdo e outros intelectuais de Porto Velho.
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Foi justamente nesse tempo, que o seu Euro Tourinho estava começando a escrever a “Coluna Social” com o pseudônimo de Eurly.

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Na oficina atuavam como tipógrafo além do meu irmão Antônio, Paulo Machado, Chicorote, José Guedes, Borba, Celso, Pedrinho e Mário ambos filhos do grande Mestre conhecido como seu Boy que era o impressor.


O diretor geral representante dos Diários Associados, era o senhor Arnaldo também conhecido como Pombo Branco.

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Todo dia no final da tarde, a redação costumava ficar repleta de intelectuais e políticos que iam saber das noticia que chegavam de Manaus via Jornal do Comércio de onde o seu Arnaldo fazia o famoso “Gilete Press”. Outra fonte era a Radional um sistema de telefonia que era uma luta pra se conseguir contato com outras cidades brasileiras.
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Bom! Quando aquele pessoal começava a discutir muito alto na redação, seu Arnaldo gritava de lá, “Menino!” e eu aparecia com a vassoura varrendo a sala, que, por seu piso ser de taco, levantava uma poeira danada, então o pessoal debandava para a praça Jonathas Pedrosa ou ia tomar um cafezinho no Café Santos e por la ficava um bom tempo.

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Nesse intervalo seu Euro Tourinho, Petrônio Gonçalves e outros colaboradores revisavam (corrigiam) as “Provas” das notícias que sairiam no jornal do dia seguinte.

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O Alto Madeira sobreviveu a tudo quanto foi ato repressivo. Passou pela ditadura de Getúlio Vargas e a revolução de 1964.
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Noticiou a realização da 1ª Copa do Mundo que aconteceu no Uruguai em 1930.

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Cobriu a Nacionalização da Estrada de Ferro Madeira Mamoré em 1931.
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Registrou a presença de Getulio Vargas em Porto Velho em 1940.

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E a Criação do Território Federal do Guaporé no dia 13 de setembro de 1943

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Destacou a posse de Aluizio Ferreira como 1° governador do território Federal do Guaporé no dia 1° de novembro1943
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Convidou o povo para a festa de instalação do Território Federal do Guaporé no dia 29 de janeiro de 1944, que aconteceu em frente ao Grupo Escolar Barão do Solimões.

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Estampou na capa, as conquistas da seleção brasileira de futebol nas Copas do Mundo de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.

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Cobriu todas as enchentes do Rio Madeira assim como viu a Padaria do Raposo e o Mercado Municipal pegarem fogo.
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Cobriu na integra o carnaval de Porto Velho no tempo que era considerado o melhor carnaval de rua da região Norte, assim como nosso futebol que também já teve seus dias de glória na região.

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É a esse jornal, que hoje, graças a família Tourinho em especial aos irmão Luiz e Euro, que a família Diário da Amazônia deseja que resista por muitos e muitos anos.

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Parabéns Alto Madeira pelos 97 anos de luta e resistência!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Raimundo Garcia Neto - Topografo do IBRA - Final



Pioneiros – A história de todos nós


Nesta edição, concluímos a entrevista com Raimundo Nonato Garcia Neto. Garcia fala sobre a revolução de 1964: “Lembro que ia de ônibus pra casa quando entraram os soldados do exército com baionetas, mandaram o ônibus parar e que todo mundo descesse. Quando cheguei em casa fiquei sabendo através do rádio, que João Goulart havia sido deposto e os militares haviam assumido o governo...”. Lembra o tempo que atuou como goleiro de futebol de salão e da sua participação na escola de samba Pobres do Caiari e sobre o episódio, de quando policiais federais deram tiro de metralhadora no meio do desfile da Banda do Vai Quem Quer.
Garcia passa a fazer parte da galeria de entrevistados do Programa do Departamento de Comunicação do Governo de Rondônia – DECOM: Pioneiro – A História de Todos Nós.

ENTREVISTA           



 Diário - Como era feito o transporte do equipamento e de vocês para essas localidades?
Garcia – Naquele tempo não existia ponte, tudo era balsa. Jaru era o quartel general de pium e borrachudo (mosquitos), lembro que a gente fechava os vidros das camionetas e ligava o Para Brisa para poder ter visibilidade. A prioridade nas balsas eram para as ambulâncias, ônibus, carro do 5° BEC e os do INCRA. Quando qualquer coisa tipo cair um carro numa balsa acontecia era o maior transtorno, acontece que ao longo da BR não existia restaurante, telefone, não tina luz elétrica não existia nada.
Diário - Mas, tinha “Os 4 Bicos” da vida?
Garcia – Isso não podia faltar, afinal de contas éramos todos rapazes, podíamos não ser galã, mas, não era de se jogar fora e sempre conseguia alguém pra namorar e nessas casas que chamavam de “Quatro Bicos” geralmente instaladas nas proximidades das balsas a turma ia se aliviar.

Diário - Vamos voltar para Porto Velho onde você também atuava como goleiro de futebol de salão?
Garcia – Certo dia chegou ao Hotel Vitória o Auristélio Castiel e perguntou pra gente: “Vocês jogam futebol, não querem jogar num time de futebol de salão chamado Náutico?” como a gente ficava sem fazer nada, aceitamos e então ele armou um jogo entre os integrantes do Náutico e a gente. Nosso time era Garcia, Isaías, Melo, Enok e Coelho resultado aplicamos uma goleada no Náutico e a partir de então passamos a fazer parte do time. Dos jogadores locais do Náutico só quem continuou foi o meu cunhado IVO que considero um dos maiores jogadores de futebol de salão de todos os tempos aqui de Porto Velho, juntamente com o Valter Santos. Depois fundamos o Quariquara um dos melhores times de futebol de salão que já existiu por essas bandas. O Quariquara não era só um time de futebol de salão, funcionava como se fosse um clube social, a gente promovia Manhãs de Sol no Ypiranga e depois passamos a realizar festas noturnas, o Quariquara tinha até programa na rádio Caiari.
Diário - Você chegou a ser presidente da escola de samba Pobres do Caiari. Fala sobre essa fase carnavalesca?
Garcia – Eu gostava de apreciar os desfiles das escolas de samba de Porto Velho que naquele tempo eram muito bem elaborados e como sou fã de tudo que tem a cor azul, torcia pela Caiari. Um amigo chamado Silvio Santos um dia chegou e perguntou: “Garcia tu quer participar da Caiari?” e como eu já era fã da escola onde tinha muitos amigos aceitei o convite e acabei assumindo a presidência executiva e depois a presidência do Conselho Deliberativo da escola. Adora carnaval, passei a sair na Banda a partir do seu segundo ano de fundação. Hoje não vou no meio, mas, acompanho o desfile da Banda.
Diário - Por falar em Banda no episódio que envolveu policiais federais que entraram na Banda atirando de metralhadora, você aparece em cima do carro dos policiais. Como foi esse episódio?
Garcia – Posso contar agora porque já faz muito tempo. Eu saia sempre na Banda com um amigo meu chamado Dado, naquele ano ainda não era essa multidão que saia hoje. Quando chegamos perto da Utilar (hoje Lojas Americanas), vimos um carro Fiat entrando na contra mão por dentro do bloco. Pelo amor de Deus, um carro na contra mão na Banda do Vai Quem Quer o cara deve ta querendo alguma coisa. Os foliões partiram pra cima querendo virar eu subi em cima do veículo pedindo para não o virarem, não teve jeito. Daqui a pouco chega um amigo meu e diz: Garcia olha o que tenho aqui! Ele estava com uma metralhadora embaixo da camisa. O que isso? O cara que estava dentro do carro estava com essa metralhadora e o povo tomou e me deu pra segurar e agora o que vamos fazer? Esse amigo conhecia uma pessoa que era influente no governo e fomos até a casa dela, contamos o que havia acontecido e deixamos a metralhadora com ele.
Diário - E ficou por isso mesmo?
Garcia – Viraram o carro incendiaram, quebraram o vidro da Utilar! Passado uns seis meses, chega na minha casa uma intimação da Policia Federal. Chamei um advogado pra ir comigo e na hora, o delegado pegou uma foto de dentro da gaveta me mostrou e perguntou: você conhece essa pessoa aqui? Que olhei era eu em cima do carro Fiat com os braços estendidos no rumo do povo. Não sei como eles bateram aquela foto com tanta nitidez, não dava pra negar que era eu. Ele então perguntou o que eu estava fazendo em cima do carro, se tava incitando o povo a virar o veículo. Respondi não senhor, a posição das minhas mãos diz que estou pedindo calma, que não virem o carro. Resultado, ele viu que eu não tinha culpa nenhum e encerrou o caso, o advogado que estava comigo entrou mudo e saiu calado, foi só receber os honorários.
Diário - Família?

Garcia – Tive pouco contato com meu sogro seu Pedrinho, porque viajava muito, inclusive quando ele morreu, estava trabalhando no Iata. Minha sogra dona Inácia era uma pessoa maravilhosa mesmo.
Diário - Você foi a primeira pessoa que eu conheço que chegou aqui com uma Fita Cassete com toadas dos Bois de Parintins. Lembra do ano?
Garcia – Isso foi no ano de 1989. O bumbódromo de Parintins foi inaugurado em 1988. Na viagem perguntei as cores dos bois e alguém me disse que tinha o Vermelho e o Azul de cara disse: Sou do Boi Azul nem sabia que o nome era Capricho. Acontece que conseguimos comprar os ingressos através de uma funcionária da Tele Amazônia em Parintins e quando chegamos, por ser torcedora do Garantido, ela comprou ingresso para a arquibancada do Vermelho, quando entrei no bumbódromo e vi que estava do lado vermelho não gostei nada e dei o jeito de passar para o lado azul. Naquele tempo estava começando a renovação da brincadeira, as toadas eram mais bem elaboradas e as alegorias espetaculares. Fiquei pasmo, quando um Gavião deu um rasante no meio da arena e pegou um “bêbado” e saiu voando com ele. Depois foi que fiquei sabendo que existia um cabo de aço que atravessava a arena por onde o Gavião deslizava, o interessante foi à perfeição do encaixe de suas garras nas argolas instaladas nas costas do personagem (bêbado). Trouxe a fita para mostrar ao Silvio Santos que brincava boi aqui, como era que estavam compondo as toadas em Parintins.
Diário - Voltando ao tempo que você era presidente do Grêmio Estudantil em Manaus. Na época da Revolução vocês foram vitimas da repressão?
Garcia – Lembro quem ia de ônibus pra casa quando entraram os soldados do exército com baionetas, mandaram o ônibus parar e que todo mundo descesse. Quando cheguei em casa fiquei sabendo através do rádio que João Goulart havia sido deposto e os militares haviam assumido o governo. Na época eu o era diretor de esportes do Grêmio e nós reunimos no Colégio Estadual e resolvemos sair em passeata contestando a revolução, quando retornamos, a Policia Militar tinha cercado o colégio e não deixou a gente entrar. Mesmo assim, fizemos alguns protestos pelas ruas de Manaus, fazíamos comício em cima de camburão, queimamos o cinema Odeon, mas como nossa turma estava terminando o científico, quando saímos, a turma que ficou não prosseguiu com o movimento.
Diário - Como era Porto Velho quando vocês chegaram?
Garcia – Ainda cheguei a entrar em fila pra comprar carne, a energia ia embora Dez Horas da Noite. O bom era que todo mundo se conhecida e as famílias na boca da noite ficam sentadas em frentes das casas conversando, pois não tinha televisão. A cidade era dominada pelos garimpeiros de cassiterita e soldados do 5° BEC. Porto Velho é minha terra, estou aqui há 46 anos, meus filhos nasceram aqui, minha mulher Ilza Garcia Dias é daqui e quando escuto alguém falando mal de Rondônia fico muito nervoso e chego até a discutir com a pessoa, defendendo essa terra maravilhosa que me acolheu (muito emocionado).
Diário - E?                                                  
Garcia – Hoje o xodó da nossa casa são as netinhas Julia e Luiza que mandam na gente.

sábado, 12 de abril de 2014

Pioneiros - A História de Todos Nós

Raimundo Garcia Neto – Topógrafo do IBRA




A história da colonização de Rondônia, deve muito aos primeiros topógrafos que vieram trabalhar no Instituto Brasileiro de Reforma Agrária – IBRA cuja maioria, era do estado do Amazonas. Para falar sobre as dificuldades enfrentadas pela equipe comandada pelo Capitão Silvio Farias entrevistamos o topógrafo Raimundo Nonato Garcia Neto, que conta histórias do tipo. “Estávamos fazendo a mediação nas terras do hoje município de Santa Luzia e montamos acampamento nas proximidades de um barreiro de Anta, à noite as Antas chegaram e foram levando no peito, nossas barracas com todos os pertences e a gente correu sem saber pra onde”. Outro episódio dessa empreitada. “Certa vez no acampamento de Rolim de Moura quando dei por mim, estava cercado por 12 pés de Mogno era muita madeira nobre que existia naquela região”.
Garcia passa a fazer parte da galeria de entrevistados do Programa do Departamento de Comunicação do Governo de Rondônia – DECOM: Pioneiro – A História de Todos Nós.

ENTREVISTA


Silvio –Quem é você?
Garcia – Meu nome é Raimundo Nonato Garcia Neto nasci em Silves no Amazonas, mas, me criei praticamente em Manaus onde estudei até terminar o científico no Colégio Estadual do Amazonas
Silvio – E Rondônia?
Garcia – Vim pra Rondônia do Rio de Janeiro chegando aqui no dia 22 de abril de 1968, quer dizer, terça feira próxima, completo 46 anos morando em Porto Velho. Desembarquei no aeroporto do Caiari ali onde hoje está o Ginásio Claudio Coutinho de um DC3 da Cruzeiro do Sul.
Silvio – Por que do Rio de Janeiro?
Garcia – Na realidade, terminei o científico em 1964 no ano da Revolução e fui trabalhar como gerente numa firma que explorava manganês no rio Aripuanã, estava me preparando para fazer vestibular para engenharia, mas, a firma faliu e me dispensaram. Foi quando apareceu o Edital convocando pessoas pra fazer um curso seletivo e quem fosse classificado, embarcaria para o Rio de Janeiro para fazer o curso de topografia no Serviço Geográfico do Exército. Disseram pra gente que ao final do curso, voltaríamos pro Amazonas. Quando terminou o curso, o general que era nosso diretor, colocou o mapa do Brasil na parede e falou o seguinte: Vocês devem escolher onde exercer a profissão no Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Bahia, Mato Grosso ou Rondônia. Éramos onze amazonenses, um olhou pro outro e dissemos, enganaram a gente, um desistiu e os outros dez se reuniram para escolher o local para trabalhar e todos escolheram Rondônia por ser o estado mais próximo do Amazonas.
Silvio – Quando você chegou a Porto Velho quem era o administrador do IBRA?
Garcia – O responsável pelo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária era o senhor Jorge Pancov e o substituo o professor Enos Eduardo Lins um professor que falava várias línguas. Quero fazer um adendo aqui. Fico muito chateado com a política e os políticos do nosso estado, que não reconhecem as grandes personalidades que passaram por aqui. Não existe uma rua com o nome do professor Enos e nem do Dr. Jorge Pancov enquanto tem muito político que não fez nada para merecer e é nome de Avenida como a Rogério Weber que não vou me prolongar nos comentários, mas, sei a história. Então eram esses dois pioneiros os responsáveis pelo IBRA, tinham dois motorista que era o Antônio Chulé e o Cairara e o Braga que era assistente administrativo.

Silvio – Aonde funcionava o IBRA?
Garcia – Funcionava numa sala na prefeitura. Quando nós chegamos, aí já éramos Um de Rondônia, Dez do Amazonas e Dois do Acre. A sala era tão pequena que não coube a gente. Nos apresentamos de três em três. O IBRA não tinha aparelhamento nenhum, então cederam o prédio onde funcionava o DNER hoje Denit e lá, o Instituto começou a funcionar. Conseguiram um prédio para instalar a repartição, porém, nós os topógrafos não tínhamos equipamento para iniciar os trabalhos, ficamos alguns meses parados, morando no Hotel Vitória que ate hoje funciona ali na Duque de Caxias no bairro Caiari. Depois começaram a chegar os equipamentos, camionetas, rurais, caminhões, helicóptero e começaram a contratar o pessoal, era motorista, telegrafista enfim gente para todos os setores.
Silvio – Qual a primeira missão de vocês como integrantes da equipe do IBRA?
 Garcia – Foi medir a BR 364 entre Rondônia e Mato Grosso e a BR 319 que naquele tempo era de Porto Velho para o Acre. Então saiu uma equipe no dia 22 de julho de 1968 da qual eu fiz parte na direção de Vilhena. Nossa missão era medir a BR, locar todos os marcos de divisa das pessoas que ocupavam a estrada, naquele tempo existia muito seringal. Tinha trecho que a gente andava 80 km na BR 364 e não encontrava uma viva alma. Quando a gente encontrava uma pessoa, um funcionário do IBRA providenciava seu cadastramento através de uma entrevista que “debulhava” a vida daquele ser humano desde o cueiro. A equipe que foi no rumo de Guajará Mirim e Acre tinha a mesma missão.

Silvio – Vocês enfrentaram algum problema com os seringalistas que se diziam donos de grandes extensões de terras naquela época?
Garcia – Na maioria das vezes a gente não encontrava o proprietário da terra, porque eles moravam em Porto Velho. Quem morava na terra eram os prepostos deles, os seringueiros. Geralmente esses seringais margeavam a estrada. Os seringueiros até ficavam animados, porque achavam que ganhariam um lote de terra, coisa que só veio muito depois através da Discriminatória que é outra história.
Silvio – E os índios?
Garcia – A gente encontrava muito índio. Lá em Rizinho perto de Pimenta Bueno lembro que um dia, a gente ia numa camioneta do INCRA (já não era mais IBRA), quando vi uma movimentação atravessando a BR, tudo vermelho e perguntei ao motorista que se não me engano, se chamava Pinto. O que é aquilo e ele respondeu: Garcia são índios. Era muito índio. Naquele tempo eles estavam se aproximando da civilização, mas, ainda eram brabos.
Silvio – E o Capitão Silvio quando assumiu o IBRA?
Garcia – Quando estávamos recebendo o material que me referi acima, inclusive os Teodolitos que são os aparelhos de topografia, chegou o Capitão Silvio Farias que era um militar Sargento que foi reformado como Capitão. Ele era oriundo da COMARA que era o órgão que construía aeroportos na Amazônia ele também era do SNI (Serviço Nacional de Informação). Na realidade o consideramos como nosso primeiro chefe, porque logo que o IBRA foi instalado aqui o Dr. Pancov foi embora e então o Capitão Silvio assumiu o comando da Reforma Agrária em Rondônia. O Capitão Silvio morreu com 4 cruzes de malária. Era mineiro de Itajubá muito carismático com quase dois metros de altura, tanto que o apelidamos de “Gigante”, tinha um coração imenso e uma memória espetacular, porém desorganizado ao extremo, o que não era demérito, pois o que ele tinha de desorganização na mesa, tinha de organizado na memória. Podia perguntar que dizia o nome, o quilometro da BR que aquela pessoa morava e se duvidasse, ele dizia o nome dos filhos. Particularmente o considero muito. Certa vez ele falou um negócio pra mim que nunca esqueço: “Meu filho, erre por ação e não por omissão”.
Silvio – Outra pessoa que se destacou no INCRA foi o Dr. Assis Canuto?
Garcia – O Dr. Canuto chegou depois, não lembro se foi em 1970, agrônomo vindo de Goiás foi dos primeiros administradores de Projetos de Assentamentos aqui. O PIC Ouro Preto o primeiro a ser implantado em Rondônia. Depois se tornou político, foi prefeito de Ji Paraná e vice governador de Rondônia. É um grande pioneiro Rondônia deve muito ao Dr. Canuto é uma pessoa que admiro muito, inclusive torce pelo mesmo time que torço, nosso querido Vasco da Gama que vai ser campeão carioca 2014.

Silvio – Vocês topógrafos do INCRA ajudaram no surgimento de várias cidades em Rondônia, no seu caso qual a cidade que você põe na conta do seu trabalho, como especial?
Garcia – Naquele tempo só existiam ao longo da BR 364 as cidades: Ariquemes, Pimenta Bueno, Vilhena e Vila Rondônia que hoje é JI Paraná. Jaru não podia ser considera como cidade porque existiam pouquinhas casas; Não vou dizer que sou fundador, mas, fiz a topografia de Rolim de Moura, Nova Floresta, Santa Luzia e de Presidente Médice e um pouco de Cacoal, aliás, vi abrirem a primeira estrada em Cacoal por uma firma chamada Pietá.


Silvio – Como era feito o transporte do equipamento e de vocês para essas localidades?
Garcia – Naquele tempo não existia ponte, tudo era balsa. Jaru era o quartel general de pium e borrachudo (mosquitos), lembro que a gente fechava os vidros das camionetas e a gente ligava o Para Brisa para poder ter visibilidade. A prioridade nas balsas eram para as ambulâncias, ônibus, carro do 5° BEC e os do INCRA. Quando qualquer coisa tipo cair um carro numa balsa acontecia era o maior transtorno, acontece que ao longo da BR não existia restaurante, telefone, não tina luz elétrica, não existia nada.
Silvio – Mas, tinha “Os 4 Bicos” da vida?
Essa resposta você vai dar na edição da próxima terça feira dia 15 ok?

Texto – Silvio M. Santos
Fotos – Ana Célia Santos

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