sábado, 22 de fevereiro de 2014

LENHA NA FOGUEIRA - 23.02.14

Passamos a reproduzir a parte final do artigo do Dr. Paulo Rodrigues sobre a enchente do Rio Madeira e suas causas.

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Ecos do Madeira II (Final)
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...Não há “encaixe”, para formar grandes reservatórios com o fito de reter água e produzir pressão ideal para movimentar equipamentos geradores de energia elétrica. Assim, é fácil concluir que para a obtenção da referida pressão, sem “encaixe”, necessário é, a formação de um reservatório artificial de longa extensão, que cria igapós, também artificiais, bem como, represa tributários com menos volume d’água, como é, em tese, a atual situação do Rio Araras.
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Represados, os rios antes domados se tornam ameaçadores, alagando grandes faixas marginais, desalojando moradores (ribeirinhos ou não), empresários, isolando populações causando transtornos e prejuízos cumuladamente manifestos de difícil ou impossível reparo, com real contaminação do lençol freático já totalmente encharcado, e, provável acometimento de doenças advindas do transbordamento de esgotos, fossas e outros.
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Ora se o Madeira depende das monções andinas, teriam sido elaborados estudos pré empreendimentos sobre tal sazonalidade? Os estudos alcançaram as nascentes nos contrafortes andinos? Ou a “coisa” foi feita, em tese, à “toque de caixa” sem a observância das realidades singulares do Madeira e seus formadores?
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Tais interrogações nos remetem ao passado recente onde víamos e ouvíamos algo parecido como: “...onde se vê apenas um rio, vemos um grande empreendimento”. Não podemos afirmar se a construção da frase retro é ipsis litteris, todavia, porém, nos parece, em tese, que os empreendimentos, talvez levados pela “aura sacra fames”, por analogia, estão intrinsecamente embutidos no pensamento que foi veiculado em grandes “out doors”.
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Não temos notícias passadas, tampouco registros, de alagações aceleradas, pontes submersas e represamento de rios neste período, levando-nos a resgatar a memória dos “sons” digitados no artigo Ecos do Madeira publicado em 21.Mai.2012, quando fizemos referência à fúria do Madeira e suas respostas. Do raciocínio cognitivo extraímos que não podemos descartar nenhuma possibilidade que nos leve à compreensão do que está ocorrendo. Não podemos ficar de braços cruzados, espiando, sem mencionar que estudos precisam ser feitos, com a urgência que o caso requer para apontar de maneira segura se os empreendimentos tem ou não a ver com a realidade nunca dantes vivenciada e quais as soluções, se é que existem para “barrar” a escalada crescente de mazelas.
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É inegável que a influência no meio, está afetando diretamente a vida dos rondonienses e demais irmãos de Distritos, Municípios, Estados vizinhos e outros. Enquanto não temos afirmações sobre as verdadeiras causas desta nova realidade e se há outros perigos ainda por vir, longe de se arvorar apóstolo do apocalipse ou “bidu”, vamos continuar observando as respostas do Rio Madeira.
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Para os verdadeiros e destemidos pioneiros, resta o ônus da herança... Nasci aqui, na Maternidade Darcy Vargas e nunca vi algo ao menos parecido. Encerro com versos de “Caiari – A Dança dos Banzeiros”, de nossa lavra: “...Santo Antonio do Madeira/ A primeira Capital/ Ilumina meus caminhos/ Livra-nos de todo mal...”.
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(*) - Paulinho Rodrigues é Rondoniense, Advogado, Amo do Boi Corre Campo,
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Músico multifacetado, Produtor e Diretor de Produção Cultural

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Independente de tudo isso, hoje tem o desfile do Bloco Furacão da Zona Sul as 19h00, em frente ao Florestão na rua Jatuarana.

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