sábado, 21 de setembro de 2013

HISTÓRIA DA RADIO CAIARI - ELVESTRE JOHNSON

Elvestre Johnson – Tábua de Balanço


Voltamos a enfocar o surgimento da Rádio Caiari, desta feita contando a história do locutor apresentador Elvestre Johnson o idealizador do programa “Tábua de Balanço”, o maior sucesso da emissora e do rádio portovelhense, entre os anos de 1964 a 1969. “Ia passando em frente a rádio Caiari e vi uma fila enorme, perguntei do que se tratava e me disseram que era concurso para locutor, por curiosidade me inscrevi e terminei sendo selecionado”.
Essa e outras histórias sobre a vida do hoje aposentado, jornalista Elvestre Johnson você vai ficar sabendo através da entrevista que segue:

ENTREVISTA

 Zk – Primeiro queremos saber da sua vida, onde nasceu e quando?
Elvestre –Nasci no Alto do Bode um morro que ficava entre a Baixa da União e o Triângulo. O nome foi porque ali moravam os estrangeiros que vieram trabalhar na construção da Estrada de Ferro. Eram Barbadianos, Antilhanos que falavam a língua inglesa e os brasileiros não entendiam nada e diziam que era bode bodejando. Quando perguntavam sobre o nome do local diziam: “É Alto do Bode”. Nasci ali em 1939. Somos uma família de 16 irmãos, Deus já levou três.

Zk – Filho de?
Elvestre – Papai Norman Johnson era do Caribe, minha avó era barbadiana, e minha mãe dona Elvira Berenice Johnson nasceu no Brasil, agora minha avó que era a grande baluarte da família chamava-se Elisa Wills.
Zk – Como foi que você começou a se interessar pelo rádio, como apresentador de programa de rádio?
Elvestre – Comecei na rádio Caiari por um acaso. Eu lecionava no Senai e naquela época todo mundo andava a pé ou de bicicleta.

Zk – Vamos dar um tempo na história do radialista para falar sobre o Senai. Quem o levou para trabalhar lá?
Elvestre – Quando o Senai foi instalado aqui em 1960 o diretor era o professor Eirado depois ele se afastou e entrou o professor Chico Otero que já era do quadro e ao assumir, precisou contratar um professor de português, então foi lá na Escola Normal entrevistou um, entrevistou outro e terminou por me escolher e então passei a lecionar no inicio de 1961. Acontece que a primeira turma do Senai começou fazendo o Curso Preparatório a partir do meio do ano de 1960, porém, oficialmente, só passou a contar como curso mesmo, a partir do ano de 1961 quando realmente comecei a lecionar, quer dizer, fui um dos primeiros professores do Senai em Rondônia.

Zk – Como funcionava o Senai?
Elvestre – O Senai naquela época era uma coisa fantástica. Era muita disciplina tal qual o exército, uma coisa muito organizada. Naquele tempo o Senai daqui era subordinado a 6ª Região cuja sede era em Bauru (SP). Depois passou para a 19ª Região. Tive a felicidade de trabalhar com o professor Chico Otero que era um cara muito organizado, muito rígido e muito correto. Os alunos vinham da Bolívia, Guajará Mirim e Acre e aqui se juntavam aos de Porto Velho era a verdadeira integração.

Zk – E antes de se formar professor, você fazia o que?
Elvestre – Fui vendedor de bolo e sorvete pela rua. Mamãe enchia o tabuleiro e eu saia vendendo. Atuei como menino de recado para as prostitutas da Maria Eunice, Anita, Tartaruga e outras, tudo para ajudar no orçamento de casa porque nossa família era grande.

Zk- E a rádio Caiari como foi?
Elvestre – Teve um concurso na época. Eu vinha com uns alunos do Senai e vi aquela fila enorme em frente à rádio Caiari e perguntei o que era aquilo e me disseram, é concurso para locutor, levado pela curiosidade me inscrevi. Éramos 23 candidatos e só passaram dois, Eu e a Maria do Carmo filha da dona Maturina. Isso foi em 1964.

Zk – Qual programa você passou a apresentar?
Elvestre – Quando fui contratado, o padre Vitor Hugo disse que queria um programa e então comecei a esboçar e levei ao ar o “Canta Passarinho”, era assim: No meio da música que estivesse rodando, o sonoplasta acionava um botão e surgia um passarinho cantando, o ouvinte tinha que dizer através de carta, qual música o pássaro cantou, se acertasse ganharia o prêmio. Depois achei o Canta Passarinho um tanto quanto pobre e aí troquei o nome para “Onda de Prêmios”, mas, não gostei e resolvi mudar.

Zk – Para Tábua de Balanço?
Elvestre – A idéia era colocar no ar, um programa que balançasse os ouvintes, o pessoal me ajudou a raciocinar: “Coisa que balança é trampolim” daí o nome do programa “Tábua de Balanço – O Trampolim do Sucesso”. Tocávamos do baião ao rock e até música romântica e principalmente a Jovem Guarda Iê, iê iê que estava no auge.

Zk – Você apresentava outros programas?
Elvestre – Fazia o jornal da Noite que ia ao ar entre onze e meia noite, era Eu o Joel Silva e o Inácio Castro (os dois já faleceram). Também abria a rádio as 6h00 apresentando o RC Noticias (Rádio Caiari Noticias), foi uma época fantástica.

Zk – Voltando ao concurso para locutor. Quem foi o examinador?
Elvestre – Foi o Emil Gorayeb um cidadão muito forte que tinha uma voz muito potente.O analista de português foi o maior e melhor professor de português que já existiu por aqui, Enos Eduardo Lins.

Zk – Você ficou na rádio Caiari até quando?
Elvestre – Até 1970 quando o Brasil foi pro México. Surgiu a rádio Eldorado, fui convidado e aceitei trabalhar lá, depois voltei para a Caiari e passei a fazer apenas esporte.

Zk– Fala sobre como eram feitas as transmissões dos jogos de futebol?
Elvestre – Naquela época ainda não tinha Internet era apenas a Embratel e também, não existia o sistema de link, então o repórter de pista, gravava as entrevista e corria para a cabina onde ficava o narrador e colocava o gravador encostado no microfone e reproduzia a entrevista.

Zk –Como comentarista de futebol qual o grande lance, aquele que marcou a tua vida como radialista?
Elvestre – Quando o Brasil estava se preparando para ir pro México veio fazer um jogo em Manaus e nós fomos pra lá, Eu e o Ribamar. Atuei como repórter de pista e enquanto o Ribamar ficou na cabina fui pra beira do gramado, nesse dia jogaram a seleção “B” do Brasil contra a seleção “B” de Manaus e depois a seleção “A” do Brasil contra a seleção “A” de Manaus. Quando a seleção brasileira saiu do túnel do Vivaldão veio o Pelé a maior estrela do Brasil e ao seu redor um monte de repórter, nunca vi tanta gente na minha vida ao redor de uma mesma pessoa e eu fiquei afastado com o meu microfone que tinha aproximadamente uns dois palmos de comprimento e o Pelé dizia: “calma gente, calma, vou atender um por um”.Olhou no meu rumo que estava um pouco afasto e disse, vou começar por aquele moreno ali que era Eu. A primeira pergunta da coletiva quem fez foi Eu: Pelé, como você se sente aqui no Vivaldão? Sai correndo para a cabina para transmitir a entrevista e dei de cara com o Paulo Cezar Caju que virou pra mim e disse: Oi da Cor! Aquilo pra mim foi fantástico!

Zk – Quem fazia parte da equipe esportiva da rádio Caiari?
Elvestre – O Abemor era o faz tudo, ele era o técnico, carregador de cabos e orientador. Nas viagens para economizar, ia o sonoplasta que atuava como técnico, o locutor narrador e o comentarista. Tinha o Clodomiro Santos e o Jorge Santos que eram os sonoplastas e como já disse o Abemor como técnico.

Zk – Existe uma brincadeira que envolve o narrador Tarugo. Conta o que gerou a gozação?
Elvestre – Tarugo era um “caboquinho” que atuava como narrador de futebol na Caiari e em determinado jogo, entre o Ferroviário e outro time, onde estava atuando como zagueiro, o Dodó que tem quase dois metros de altura. Tarugo narra: “Lá vem o ataque pra cima do Ferroviário, confusão na intermediária, escapou o jogador fulano, se prepara e chuta rasteirinho, rasteirinho – Corte Dodó de cabeça”.Já pensou o Dodó daquele tamanho, cortando uma bola de cabeça rés a grama. Daí a gozação!

Zk – Como foi teu relacionamento com o Padre Vitor Hugo?
Elvestre – Foi a melhor possível. Ele era uma pessoa muito aberta, principalmente quando se tratava de religião, por exemplo, eu professava a religião Protestante, Crente e ele apesar de ser padre católico não se incomodava, tanto que nomeou o Osmar Vilhena que também era evangélico diretor da rádio. Eu me relacionava muito bem com ele. Descobri no Vitor Hugo uma mentalidade muito moderna praquela época.

Zk – Para encerrar. Família?

Elvestre – Casei em 1963 com a Maria José Souza e convivemos durante 50 anos, ela morreu recentemente. Tivemos cinco filhos. Hoje tenho netos e bisnetos. Sinto-me um homem muito feliz. Ela me fez muito feliz e os meus filhos continuam me fazendo muito feliz! Meus amigos são muito importantes na minha vida.

Um comentário:

poeta josé valdir disse...

Como sempre, magnífico e fenomenal no divino trabalho de mostrar nossa terra.

...E o Elvestre Johnson, uma riqueza da região.

Parabéns!