terça-feira, 10 de julho de 2018

Lenha na Fogueira 11.07.18


Ontem a Associação dos Ferroviários festejou a “nacionalização” da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
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Esse ato aconteceu no dia 10 de julho de 1931 e ficou conhecido como “nacionalização”, porque foi nessa data que Aluizio Ferreira assumiu a administração da Empresa Madeira Mamoré que havia parado com o funcionamento das atividades, há alguns dias, alegando que a ferrovia dava prejuízo.
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Por outro lado, o dia 10 de julho, também foi o dia em 1972 que o 5º BEC atendendo ordem superior, resolveu parar com todo funcionamento da Madeira Mamoré.
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Por isso não sabemos se na data de ontem, foi festejado o dia da “nacionalização”, ou a desativação da Estrada de Ferro.
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Desde 1972 os ferroviários e amigos da Madeira Mamoré lutam para ver pelo menos, o Trem fazendo o percurso até a Vila de Santo Antônio.
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Enquanto todos cobram os recursos que já foram prometidos pelas usinas do Madeira para ser investido justamente na reativação da Madeira Mamoré pelo menos até Santo Antônio.
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De vez em quando assistimos as autoridades divulgando que as Usinas destinaram tanto milhões para a recuperação da Madeira Mamoré e a Madeira Mamoré não sai da mesmice.
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Aliás, a cada ano, a cada mês, a cada semana, a cada dia que passa, o que vemos, é o que resta da empresa criada por Farquar - o maior malandro do século XX, se destiorando, sendo corroídos pelo tempo e nada é feito.
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Até o deck que abrigava os turistas para contemplar o por do sol do Madeira está praticamente sem serventia, todo destruido. E vemos também, órgãos oficiais sempre divulgando, que vão se dedicar, para revitalizar a Madeira Mamoré. Pura balela!
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O arquiteto Luiz Leite de Oliveira publicou um artigo no site Gente de Opinião descrevendo com muita propriedade os desmandos praticados na Madeira Mamoré. Procura ler pra ficar sabendo o quanto já foi prometido e não realizado, o quanto já entrou e foi desviado.
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O discurso de Vivaldo Mendes o poema de Heráclito proferidos naquele fatídico dia 10 de julho de 1972, enquanto o apito da locomotiva ecoava por toda a cidade de Porto Velho e através dos 364 km de trilhos, chegou a Guajará Mirim e por onde passava deixava as residências “alagadas” de lágrimas dos ferroviários de então.
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Olha o trem, pensavam os que viviam às margens da linha férrea, Triângulo de Porto Velho, Santo Antônio, Teotônio, Jirau, São Carlos, Quarenta e Três, Jaci Paraná, Mutum Paraná, Abunã, Araras, Ribeirão, Vila Murtinho, Chacolatau, Iata e afinal Guajará.
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Todo mundo chorou e chora a falta do trem da Estrada de Fero Madeira Mamoré.
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Todos os anos, após 1972, reúnem os ferroviários que ainda vivem e os familiares dos que já partiram, para tomar um café com salgadinho, para festejar a “nacionalização” da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
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E assim vão empurrando com a barriga o inicio da revitalização da Ferrovia.
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A Associação dos Ferroviários vem alertando e solicitando um plano, um projeto e um programa para revitalizar o Centro Histórico de Porto Velho. Porém, o que vem ocorrendo são inúmeros roubos de peças do combalido museu de parafernália a céu aberto. O matagal surgiu no primeiro período deste ano e ficou até o início deste segundo semestre. E nada!
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Bem que poderíamos festejar de verdade o 10 de julho, mas, o 10 de julho da revitalização, da volta do trem pelo menos até Santo Antônio. O 10 de julho da revitalização, do trecho entre a estação de Guajará Mirim e a estação do Iata. O 10 de julho da revitalização de parte do trecho de Abunã.
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Precisamos valorizar mais o nosso patrimônio histórico em especial, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré – Onde tudo começou!

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