segunda-feira, 20 de maio de 2013

LENHA NA FOGUEIRA 21.05.13


É isso aí Zekatraca! “Pelo menos estão fazendo alguma coisa...”

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Essa frase ouvi ao chegar num evento, onde o show era dos melhores mas, a produção deixava muito a desejar.

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O cidadão que proferiu a frase, era um dos que estavam usufruindo das benesses financeiras que foram ou serão pagas pela produção.

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Pego de surpresa, pois, não havia nem chegado direito ao ambiente, quando fui abordado pela pessoa com a já citada frase.

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Minha reação imediata foi responder: “É por isso que a cultura em Porto Velho está do jeito que está, pois pessoas como você aceitam qualquer coisa em troca de uma quinquilharia”, O cidadão não gostou muito da minha resposta. Mas, sorriu um sorriso amarelado e foi cuidar da parte que lhe cabia.

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Outro dia na Casa da Cultura Ivan Marrocos, a artista plástica Goreth Lira decepcionada com a falta de apoio às artes plásticas e as artes de um modo geral, no encerramento de uma exposição pegou seus quadros e tocou fogo.

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Aceitou Jesus e disse que agora só vai trabalhar com decoração.

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A artista plástica rondoniense mais conhecida mundialmente Rita Queiroz desembarcou domingo passado em Porto Velho, vindo de Anápolis (GO), disposta a encerrar as atividades do Ponto de Cultura Arte e Vida Rio Madeira que fica na localidade de Santa Catarina no baixo Rio Madeira.

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Rita está super decepcionada com o governo estadual que não está nem aí para os produtores culturais em Rondônia.

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E o cidadão por estar ganhando uns trocados, vem com essa conversa: “Pelo menos estão fazendo alguma coisa!”.

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Na política essa máxima vem do tempo do Ademar de Barros que foi governador de São Paulo na década de 1950. Passou pelo governo Maluf e chegou ao Congresso Nacional de onde saiu e tornou-se sucesso em todo o Brasil.

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O governo de fulano de tal “Rouba mas, faz”.

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“Ele roubou mas pelo menos asfaltou as rodovias”. “Roubou mas, deixou alguma coisa para o povo”.

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O pior dessa falta de sensibilidade por parte de todos nós que trabalhamos a cultura em nossa cidade/estado, é se conformar com o que nos oferecem.

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A falta de recurso, não justifica um show mal produzido. Quando falo em produção estou me referindo a estrutura de iluminação, sonorizaão e ambiente onde o espetáculo será ou foi montado.

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Por incrível que possa parecer, na maioria das vezes, o público não está nem aí para detalhes como falta de iluminação artística ou falta de melhor sonorização, o público vai para assistir e aplaudir o artista que ele admira e pronto, o resto são detalhes que para o público não interessa e com isso, principalmente os produtores dos shows que são patrocinados pelo governo, muitas vezes recebem pelo que não colocaram e em conseqüência, pelo que não produziram.

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E nós artistas por não entendermos de como funciona o sistema, aceitamos nos apresentar apenas por um cachê ínfimo, quando deveríamos nos preocupar também com a estrutura aonde iremos nos apresentar. Tem iluminação artística? A sonorização comporta nosso equipamento? Os músicos, dançarinos e cantores terão direito pelo menos a água mineral? E por aí vai.

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Ao deixarmos o barco correr da maneira que os puxa saco do governo querem, a gente se lasca!

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Um espetáculo seja teatral, musical, de dança, literário, ou artes plásticas, tem que receber de quem o produz o melhor e maior respeito possível.

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Chega de fazer por fazer. Chega de: “Pelo menos estão fazendo” (merda)!

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