terça-feira, 26 de junho de 2012

KLAUSS VIANNA

Waku’mã realiza oficina de dança em Nazaré







Com sonoridade amazônica o título deste projeto nos remete as mais longínquas paragens destas rechans amazônidas

Ao quente arfar das virações, barrancos e correntezas do Baixo Madeira, foi concluída (no Distrito de Nazaré), a segunda etapa das Oficinas de capacitação em Dança, oriunda do Projeto “Caiari, Barrancas e Correntezas – Cotidiano”, realizada pela  Waku’mã Produções, com a administração do seu titular Paulinho Rodrigues, e da Oficineira Lívian Luíza.  Esta quarta Oficina é resultado do Prêmio Klauss Vianna 2011, do Minc/Funarte, sendo este, o segundo ciclo do Projeto que terá sua conclusão no mês de julho próximo, com dez apresentações do Grupo Waku’mã de Danças (Núcleo Nazaré), durantes os festejos daquela localidade.
Com sonoridade amazônica o título deste projeto nos remete as mais longínquas paragens destas rechans amazônidas.
O termo “CAIARI”, remota ao Século XVI, quando das primeiras Expedições da Coroa Portuguesa (Bandeiras) que por aqui passaram, e, ouviram dos nativos a expressão, quando se referiam ao atual Rio Madeira.  Por ações da Waku’mã Produções e patrocínio do Minc/Funarte, a partir dos Prêmios de Dança Klauss Vianna, as manifestações gestuais do Distrito de Nazaré, foram resgatadas, e já revitalizadas, apesar do “custo amazônico”, aos poucos começam a ser difundidas em Porto Velho e nos festejos das localidades ao longo das barrancas do Madeira.
Além de ensinar dança, resgatando e revitalizando valores, como manifestação cultural oriunda das barrancas do Rio Madeira, em relação à população ribeirinha, se constitui em atividade fim, de verdadeiro exercício de cidadania e inclusão social, direcionada principalmente, a jovens carentes de informações culturais, sem perspectivas de manter suas raízes ricas em manifestações populares, hoje, com sérias distorções de valores.  As oficinas formam estratégias motivacionais, para através do desenvolvimento de atividades artísticas de dança, capacitar jovens, fortalecendo e despertando neles o interesse e a dedicação, com vistas ao crescimento social, sem abandonar sua rica tradição, promovendo informações acertadas para que a nossa cultura seja conhecida e mantida,  e, não sofra tanto com as influências atuais, evitando o seu aniquilamento.   Dizer que na Amazônia o “Rio Comanda a Vida”, não é mera referência à obra do escritor Leandro Tocantins, e, face as curvas e meandros do Rio Madeira, no nosso dia-a-dia e imaginário, presentes estão seus barrancos, suas correntezas, que em seus     r e b o j o s,     traduzem a alegria e a força do povo  daqui. Por isso, a  força  do  nosso  gestual artístico  dançante.  Nas oficinas de capacitação com aulas teóricas e práticas, somadas, serão desenvolvidas habilidades específicas inspiradas no cotidiano ribeirinho.Estes conteúdos visam provocar uma reflexão da condição dos jovens, de protagonistas, frente às próprias vidas e a realidade em que vivem. 

Manifestações populares

Além da capacitação, está o resgate das manifestações populares e do imaginário, quase esquecidos, pelos incontroláveis fluxos migratórios, que trouxeram juntos sua cultura e hábitos, achatando a sabedoria local.  Neste particular o termo    r e s g a t e   retrata de maneira mais do que necessária à vontade de  soerguer as lendas, mitos, mistérios, costumes e tradições ofuscados pelo natural progresso.   Em dias de globalização, necessário é gerenciar com equilíbrio os processos evolutivos sem, no entanto, dizimar com a base do conhecimento empírico, celebrando entre o presente e o passado uma justa sintonia de valores éticos, étnicos, culturais e científicos. No repertório dançante estão; Povo Moreno, Chamada, Arapuê, Gigante Sagrado, Caiari a Dança dos Banzeiros, e, a adaptação de Xiou o Bôto (Timaia e Tullio Nunes), do Grupo Minhas Raízes de Nazaré, tudo inserido no contexto de “Caiarí, Barrancas e Correntezas – Cotidiano”, presente este ano, nos próximos Festejos de São Pedro em Nazaré.  No campo da Usina, a população local e vizinhança (São Carlos, Calama, Brasileira, Terra Caída, Cuniã, Pinga Fogo, Abelhas e Santa Catarina),  terão oportunidade de assistir o espetáculo resultado do Projeto, juntamente com as manifestações tradicionais da quadra junina. 
Despertar nos indivíduos com potencial latente, suas qualidades e habilidades, despertando seus talentos, utilizando o gestual do dia-a-dia em mescla com os rituais tribais e o ballet clássico, juntando diferentes linguagens de expressão musical e dançante, com técnicas de dinâmica muscular, sem perder, no entanto, a plasticidade de sua magia, e o lúdico cotidiano de cada lugar, é a proposta de “Caiari, Barrancas e Correntezas-Cotidiano”, que a Waku’mã Produções, este ano, tomou para si como desafio e exercício de cidadania, para  junto  aos jovens de Nazaré, lapidar  talentos. 
   

Nenhum comentário: