quarta-feira, 15 de maio de 2019

Livro – Porto, Velho Porto - Histórias da cidade onde nasci e vivo - O Prego de Ouro e o Menino Barrigudo


Autor Silvio M. Santos




Nesta edição damos continuidade às histórias que fazem parte do livro de minha autoria, que está prontinho para ser publicado, “PORTO, VELHO PORTO – HISTÓRIA DA CIDADE ONDE NASCI E VIVO”.
São histórias que pesquisei em publicações de vários autores que se preocuparam com a nossa história como Esron Menezes, Amizael Silva, Abnael Machado de Lima, Yedda Bozarcov, Manoel Rodrigues, Hugo Ferreira e em especial do meu amigo professor Francisco Matias, porém, a maioria das histórias relatam fatos vividos por mim, já que apesar de ter nascido no Distrito de São Carlos, vivi minha infância, adolescência e vivo até hoje, em Porto Velho.
Muitas das histórias que os amigos tomarão conhecimento a partir de hoje, são exclusivas, pois foram vividas por mim, como é o caso do “Trem da Feira” e muitas outras. Infelizmente pelas normas acadêmicas, meu livro não pode ser considerado como de História, porém, as histórias nele contidas podemos garantir, a maioria. foram vividas por mim e as demais, fruto de dias e dias de pesquisas.
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O PREGO DE OURO DA MADEIRA MAMORÉ

Segundo ouvimos de várias pessoas que conheceram operários que trabalharam na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que realmente foi colocado um PREGO DE OURO quando do assentamento do último trilho em Guajará Mirim.
Na realidade, o escritor e ex-ferroviário Hugo Ferreira cita, às páginas 23 e 24 do livro "Reminiscências da Madmamrly e Outras Mais", que no inicio da construção, ou seja, no dia 4 de julho de 1907 nas proximidades, onde funcionou a ENARO e que também foi conhecido como Serviço de Navegação do Madeira (SNM) em Porto Velho, foi pregado um PREGO DE PRATA.
Muitos escritores consideram esses acontecimentos como sendo mais uma das tantas lendas que contam sobre a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, porém, o Ferroviário Antônio Borges, Artífice - Mestre - Carpinteiro, a pedido de Hugo Ferreira fez o seguinte relato: Satisfazendo o seu pedido referente ao prego de ouro colocado no último dormente da Madeira Mamoré, informo-lhe o seguinte: "Na manhã do dia 30 de abril de 1912, pelas 10 horas, encontrava-me com outros companheiros em serviço de assentamento do desvio do rio, no pátio de Guajará Mirim, quando chegaram vários auto-linhas que se dirigiram para a ponta dos trilhos, um pouco antes de onde hoje está a primeira agulha do Triângulo de reversão. Deles desembarcaram vários senhores e duas senhoras, esposa de Mr. Jekey e do Dr. Geraldo Rocha, o primeiro contratista da Construção e o segundo Eng. Fiscal do Governo. Fomos convidados para assistir naquele local à cerimônia que se ia realizar, que consistia no pregamento de um PREGO DE OURO no último dormente da Madeira-Mamoré. Formamos um círculo e Mr. Jekey retirou de um estojo que trazia consigo, um PREGO DE OURO idêntico aos de linha e enfiou-o num buraco vago, que existia no dormente. Em seguida entregou à sua esposa um martelo, para que o pregasse e depois passou o martelo à senhora do Dr. Geraldo Rocha, que fez o mesmo. A seguir Mr. Jekey retirou o PREGO DE OURO e colocou em seu lugar um prego comum de linha e, pedindo uma marreta ao Feitor, deu-lhe várias batidas, o mesmo fazendo o Dr. Geraldo Rocha e o Cônsul da Bolívia em Porto Velho, Dr. José G Gutierrez e outras pessoas da comitiva.
Foi um delírio esse momento fulminante e entusiasmados prorrompem em vivas e hurras ao Brasil, à Norte-America e à Bolívia, devidamente representada ali pelas suas respectivas bandeiras. Após tomaram seus veículos, desembarcaram um pouco adiante, na barraca de um vigia e sob uma tosca mesa, num grande livro, LAVRARAM A ATA do ocorrido, que foi depois de lida, assinada pelas principais pessoas presentes. Em seguida foram para o acampamento 46, Guajará-Assú e aí almoçaram, retornando depois a Porto Velho. "Lembro-me nitidamente desses fatos e ao relatá-los, faço-o com o pensamento saudoso dos meus vinte e três anos de idade que então os tinha e que não voltaram mais". Esse é o relato de Antônio Borges a Hugo Ferreira.
A Madeira Mamoré pode não ser a estrada dos trilhos de ouro, mas, teve um PREGO DE OURO fincado no ponto final da linha férrea. 

HISTÓRIAS DO MENINO BARRIGUDO - SAQUEIRO NA FEIRA

Saqueieirooo! Saqueieirooo! Assim “Barrigudo” levava a vida na Feira Livre, que existiu no local onde hoje funciona o Mercado Central, no quadrilátero formado pelas ruas Farquar, Euclides da Cunha, Henrique Dias e Travessa Renato Medeiros.
O grito de saqueieirooo era praticado por todos os meninos que vendiam saco, feito de folha de saco cimento na Feira Modelo, esse era o nome da Feira Livre inaugurada em Porto Velho em meados da década de 1950.
Barrigudo começou suas atividades vendendo saco, carregando água para as banqueiras, vendendo mingau e outras coisas. Assim que sua mãe ficou viúva, para sustentar os filhos, colocou banca de venda de comida na Feira Livre que existia em frente ao Mercado Municipal (hoje Mercado Cultural) pelo lado do Palácio Presidente Vargas.
Quando o governo resolveu inaugurar oficialmente o palácio em 1954, a feira foi transferida para um galpão construído no espaço que ficava entre o Clube Internacional (Hoje Ferroviário) e o prédio da Usina que pertencia ao Serviço de Água, Luz e Força do Território Federal de Rondônia - SALFT (hoje é a sede da Ceron/Eletrobrás). A rua existente ali, ficou conhecida como rua do Coqueiro hoje é a Euclides da Cunha.
A Feira Livre naquele local era provisória, pois a prefeitura estava construindo o local definitivo ao lado de um dos casarões da Estrada de Ferro Madeira Mamoré que ficava nos fundos do recém inaugurado Prédio do Relógio hoje, rua Henrique Dias.
Acontece que nesse ínterim, a mãe de Barrigudo, juntamente com outras pessoas, conseguiu licença junto à direção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e construiu uma casa bem em frente da Feira Modelo pela rua Farquar.
A Feira Modelo só funcionava de 5ª feira, ao meio dia de sábado. Quinta feira a tarde, chegava o Trem da Feira que vinha com produtos dos agricultores que moravam ao longo da via férrea entre o KM 25 (Teotônio) até Porto Velho. Sexta feira era vez de chegar a Lancha do Beradão que vinha com os produtos dos agricultores que moravam entre São Carlos e Porto Velho. “A gente pegava carreto para transportar cachos de banana, saco de carvão e outros produtos do trem ou da lancha, para a Feira”, conta Barrigudo. Acontece que no percurso para a feira, ele ia tirando banana das palmas e deixando no chão, enquanto um comparsa previamente combinado, ia juntando. “Aquelas bananas a gente botava para amadurecer e vendia”. Muito peralta, Barrigudo não deixava escapar nada. Sempre estava procurando confusão com os meninos que apareciam pela feira. Os comerciantes proprietários de boxe, sabendo que Barrigudo não enjeitava nenhuma parada, quando viam um menino estranho no pedaço, ofereciam Cinco Cruzeiros (Barão do Rio Branco) se o Barrigudo tivesse coragem de dar um tapa no intruso. Barrigudo não contava conversa, ia lá e Pou! Voltava e recebia a grana.
Os quintais das casas daquela VILA que ficava em frente à feira pela Farquar, quando era o tempo das praias, nos meses de agosto setembro, eram alugados aos “Condutores” da EFMM para servir de depósito de TARTARUGA E TRACAJÁ que vinha de Guajará Mirim para serem vendidos em Porto Velho.
O condutor que alugava o quintal da casa do Barrigudo era o Armando Holanda conhecido como “Periquito”. Barrigudo durante a noite, riscava um palito de fósforo perto do nariz de uma das tartarugas, que morria asfixiada. Na manhã seguinte, Periquito chegava e queria saber se alguma tartaruga havia morrido e Barrigudo ia direto naquela que ele havia asfixiado na noite anterior e então Periquito ordenava que ele jogasse a “bicha” fora. No meio do mato, Barrigudo abria o peito da tartaruga e retirava os ovos que eram vendidos na feira.
O menino cresceu, estudou se formou, aprendeu a arte da tipografia nas oficinas do jornal Alto Madeira foi trabalhar como radialista na Rádio Caiari, passou pelos jornais A Tribuna, onde se transformou em Zé Katraca, foi para O Guaporé, Estadão e há mais de vinte anos, é integrante da família Diário da Amazônia e continua Barrigudo!

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