terça-feira, 5 de maio de 2020

Lenha na Fogueira - 06.05.2020


E aconteceu o que todos nós ligados nos grupos folclóricos de Quadrilha Junina e Boi Bumbá esperávamos, faz tempo.
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Pois é, o governo estadual por meio da Sejucel suspendeu a realização do Arraial Flor do Maracujá que estava marcado para acontecer entre os dias 26 de junho e 5 julho.
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Ainda no início do mês de março, antes do governo publicar o decreto de calamidade pública em consequência da Pandemia provocada pelo novo coronavírus publicamos, que dificilmente os eventos folclóricos Circuito Junino de responsabilidade da prefeitura de Porto Velho através da Funcultural e o Arraial Flor do os
O cheque mate veio com o anuncio do cancelamento da Rondônia Rural Show, aí praticamente, os dirigentes de todos grupos sob a coordenação das entidades FEDERON e UNAJUP inclusive tomaram a decisão de suspender os ensaios que estavam acontecendo desde o mês de fevereiro.
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Tanto a Federon como a Unajup alegaram que, se o governo cancelou a Rondônia Rural Sow que já contava com um significativo aporte financeiro para sua realização.
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Como é que realizaria do Arraial Flor do Maracujá se para sua montagem a Sejucel teria que contar com emendas de parlamentares?
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Até postamos: Quero ver se algum deputado estadual ou federal vai ter coragem de alocar recursos através de emenda parlamentar para o Flor do Maracujá com a crise do novo coronavírus?
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Só quem ainda ficou sonhando foi a equipe da Sejucel que agora viu que não vai conseguir recursos para a montagem do Flor do Maracujá.
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Inclusive para os dirigentes de Grupos, caso o Arraial não seja até o mês de setembro, não terá condições de acontecer em qualquer outro mês deste ano, pois a temporada de chuva começa no mês de outubro e vai até março do próximo ano.
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Para discutir sobre o assunto as direções da Federon e Unajup expediu convocação para uma reunião via VÍDEO CONFERENCIA nesta quarta feira 06 de maio a partir das 19 horas via Skype com a seguinte pauta:
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1.      Reunião da CONFEBRAQ; 2.      Flor do Maracujá 2020 e Eventos Culturais; Estratégia para 2021; 4. Outros informes.
'Meu pai fez o que fez à nossa revelia', diz filho de Flávio Migliaccio
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Marcelo Migliaccio, filho do ator Flávio Migliaccio, enviou uma carta aberta à imprensa falando sobre o suicídio de seu pai e de como se sente.
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"Eu sabia que o meu pai era muito querido pelo Brasil inteiro. O que eu não fazia ideia era do quanto eu tinha amigos, pessoas que ontem e hoje se preocuparam em me dirigir palavras de consolo, de otimismo e de resignação. Ex-colegas de trabalho, das escolas, da faculdade, do meu bairro e muita gente que sequer conheço pessoalmente. Essa é a melhor parte desse capítulo.
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Meu pai fez o que fez à nossa revelia. Pegou um táxi e foi para o sítio enquanto eu cuidava da minha mãe no último domingo. Sem nos avisar, sem se despedir. Ele sempre me dizia que não aguentava mais viver num mundo como esse e sentir seu corpo deteriorar-se rápida e irreversivelmente pela idade avançada. Pouco escutava e enxergava.
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 'Daqui para frente só vai piorar', ele me dizia enquanto eu buscava todos os argumentos possíveis para lhe mostrar que ainda havia muita coisa boa reservada para ele. Como o prêmio de melhor ator de televisão de 2019, que incrivelmente ele ganhou aos 84 anos de idade. Ou como ver no cinema o documentário sobre sua vida e sua carreira que estamos preparando para breve.
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Infelizmente, ele agora é para nós só uma imensa saudade e lembranças maravilhosas. Lembranças de alguém que me ensinou o que é amar um ofício. Alguém que me mostrou a magia da criatividade. Me fez ver que a maior prova de amor que se pode dar a uma pessoa é respeitar suas convicções, suas decisões, seu jeito de ser e de não ser.
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Por isso hoje respeito o ato de extrema coragem que meu pai teve na madrugada de ontem, fazendo o que acreditava ser a única coisa a fazer. Tentei impedir de todas as formas, sofro agora, e sofrerei para sempre, por não ter conseguido, mas entendo sua decisão.

Sejucel suspende realização do Arraial Flor do Maracujá e ExpoPorto


Seguindo as orientações dos órgãos de saúde pública para conter o avançando da pandemia do novo coronavírus, o Governo de Rondônia, por meio da Superintendência da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel), decidiu suspender por tempo indeterminado o calendário cultural e esportivo do Estado.
Com a decisão, tomada para evitar aglomeração e a disseminação da Covid-19, o Arraial Flor do Maracujá que neste ano completa 39 anos de tradição, foi suspenso. O evento estava previsto para ser realizado no período de 26 de junho a 5 de julho.
Segundo a coordenadora de Cultura da Sejucel, Carmélia Cardoso, todos os trâmites burocráticos para a realização do Arraial estavam adiantados. “Nós tivemos as conversas com os representantes dos grupos e começamos a traçar metas. Em abril, iríamos finalizar algumas questões como os patrocínios, porém, por conta do coronavírus, tivemos que suspender nossas ações de visitas às instituições em busca de parcerias. Nós estamos tristes, mas sabemos que é por uma causa de saúde e devemos respeitar” disse Carmélia.
O superintendente Jobson Bandeira salientou que o governo no momento optou pela suspensão das festas e não pelo cancelamento. “Isso quer dizer, que caso a Pandemia provocada pelo novo coronavírus seja controlada ainda este ano poderemos realizar as festas”.
Além do Arraial Flor do Maracujá e da ExpoPorto os Jogos Intermunicipais de Rondônia – JIR também foram suspensos até segundo ordem.
Na próxima semana a Sejucel vai reunir os dirigentes dos grupos folclóricos para esclarecer o que será providenciado a respeito do Arraial.

Festival reúne 20 espetáculos da região Norte do Brasil


Como todos sabemos, em virtude da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), todos os trabalhadores do setor cultural brasileiro também tiveram suas atividades interrompidas, sem uma data de retorno possível. A pandemia se tornou um cenário difícil para artistas, produtores e técnicos que vivem de suas funções nas artes.
É neste contexto que surge o PAN – Potência das Artes do Norte, o primeiro Festival online de artes que contará com a participação de espetáculos oriundos do Amazonas, Pará, Roraima, Amapá, Tocantins, Rondônia e Acre. A iniciativa tenta minimizar os impactos causados pelo isolamento social, possibilitando que o público tenha acesso às obras da programação, sem sair de casa, durante o período de realização do festival.
O PAN surge como um espaço virtual que congregará 20 espetáculos de todos os estados da região Norte, além de outras ações, como explica a coordenadora geral do festival, Ana Oliveira.
"Logo que a pandemia surgiu nós artistas fomos os primeiros a parar. Por duas semanas eu fiquei meio sem chão, perdida. Não sabia como lidar com essa parada forçada tão brusca em todas as nossas atividades. Nesse período foram surgindo várias ações de outros grupos e artistas, lives, links liberados, etc. Assim fui criando coragem para também testar algo nesse novo lugar em que se estabeleceu a nossa presença - o mundo virtual", explica Ana.
A coordenadora do festival pontua que a abertura para esse novo processo de descoberta, foi como um "novo respiro".
"Conseguia levantar da cama porque encontrei, ou melhor, reinventei um propósito de vida no meio desse caos todo que estamos vivendo", completa.
A primeira edição do PAN conta com espetáculos de grupos e artistas convidados, que contemplam todos os estados da região Norte. "As Nove Luas" da Cia de Artes Fiasco e  "A Borracheira", do grupo O Imaginário, integram a programação do evento.

Bilheteria Online

O PAN é uma rede colaborativa, afetiva e potente das artes do Norte. Por isso, parte do valor arrecadado na bilheteria será voltado a programas que atendem artistas em situação de vulnerabilidade na região Norte.
O ingresso unitário no valor de R$ 5 garante acesso a um dos espetáculos da programação. No entanto há ainda a possibilidade de compra do Combo 1 (R$20), que garante o acesso a cinco espetáculos e o Combo 2 (R$80), que dá direito a programação completa do festival.
O evento conta ainda com o 'Selo Patrocinador', no valor de R$100. Com ele você se torna um patrocinador do festival, assiste toda a programação e ganha de brinde o livro "Dramaturgias" de Francis Madson autografado.
Ingresso podem ser adquiridos no link https://bit.ly/BilheteriaOnlPAN.
A exibição dos espetáculos ocorrerá através do aplicativo Zoom (https://www.zoom.us/). Então, se você nunca usou, precisará baixar no celular, tablet ou no computador.

Confira a programação!

11/05 - SEG - 9h30 "Augusto" (RR) - Locômbia Teatro de Andanças // LIVRE
11/05 - SEG - 14h "PENSAMENTO DE PERTO"
11/05 - SEG - 21h "Helena" (AM) - Ateliê 23 // 14 Anos
12/05 - TER - 9h30 "Imundo de Sofia" (AM) - Ana Oliveira // LIVRE
12/05 - TER - 21h "A Mulher do Fim do Mundo" (AC) - Associação Artística Cultural Companhia Casa Circo // 14 Anos
13/05 - QUA - 9h30 "Curupira - 10 MILHÕES DE NÓS" (PA) - IN BUST Teatro com Bonecos // Livre
13/05 - QUA - 14h "Tempo de Brincar" (TO) - Trupe Açu // LIVRE
13/05 - QUA - 21h "Provérbios de Burro" (AM) - Ítalo Rui // 14 Anos
14/05 - QUI - 14h "Ikuâni" (AC) - Cia. Garatuja de Arte Cênicas // 14 Anos
14/05 - QUI - 21h "Marahu" (PA) - Cia de Teatro Madalenas // 14 Anos
15/05 - SEX - 9h30 "ÜHPÜ - Corpo" (AM) - Grupo Tabihuni // LIVRE
15/05 - SEX - 14h "Quarto Azul" (AM) - Grupo Jurubebas de Teatro // 14 Anos
16/05 - SAB - 9h30 "Vestido Queimado" (AM) - Soufflé de Bodó Company // LIVRE
16/05 - SAB - 14h "A Borracheira" (RO) - O Imaginário // LIVRE
16/05 - SAB - 21h "Quando encontramos sonhos perdidos nas roupas que costuramos" (AM) - Grupo Garagem // 16 Anos
17/05 - DOM - 9h30 "Preciso Falar" (AM) - Cacompanhia de Artes Cênicas // 10 Anos
17/05 - DOM - 14h "Diário das Marias" (AM) - Cia Trilhares // 14 Anos
17/05 - DOM - 21h "Rito de Passagem" (AM) - Índios.com Cia de Dança // 16 Anos
18/05 - SEG - 14h "PENSAMENTO DE PERTO"
18/05 - SEG - 21h "Marília Gabriela não vai mais morrer sozinha" (AM) - COLETIVO UTC-4 // 16 Anos
19/05 - TER - 9h30 "As nove luas" (RO) - Cia de Artes Fiasco // 12 Anos
19/05 - TER - 14h "Setorial do Norte"
19/05 - TER - 21h Show de Encerramento "GRAMOPHONE em Estúdio" (AM) // LIVRE
A programação completa do 1º PAN  - Potência das Artes do Norte também está disponível para download no link https://bit.ly/PAN20programacao  

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Lenha na Fogueira - 05.05.2020


Antes de entrar no assunto relativo a cultura, vamos apenas fazer uma pergunta a algumas pessoas:
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Pessoas que são políticos eleitos para defender o povo e estão jogando contra, ao estarem querendo aprovar redução de salários dos funcionários públicos.
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Inclusive nosso prefeito está com o mesmo pensamento. Daí vem a nossa pergunta!
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Será que vocês já pensaram em sugerir as financeiras, os bancos e tudo quanto é entidade e empresa que trabalhe com empréstimos aos funcionários públicos. Os famosos CDS ou empréstimo consignado no sentido dessas entidades, suspenderem as cobranças das prestações que os funcionários ainda têm que pagar?
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Foram nas financeiras e exigiram que as mesmas, parem de cobrar as prestações devidas por esses barnabés?
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Uma coisa é tirar o pouco que o funcionário público ganha, outra, é não oferecer condições para esse funcionário sanar seus compromissos.
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Só não vimos nenhuma dessa “autoridade” dizer que vai renunciar as mordomias que o cargo proporciona do tipo, recurso moradia, paletó, passagens entre outras.
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Mexer no bolso dos outros tudo bem, agora tirar do próprio bolso, nem pensar!
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Bom, vamos deixar essa discussão para os ‘Dinos’ do Papo de Redação e cuidar do que interessa.
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Fiquei deveras pávulo com os comentários sobre a história que publiquei na coluna de domingo: “As quatro portas do Mercado Municipal”. Vamos acompanhar e comentar os comentários:
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Ismael Barreto - Relato de quem viveu esses momentos, onde era um fato social e hoje é história. Pergunta: ipecacuanha, o que é?
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O Acadêmico da ARL Abel Sidney se encarregou de responder ao Ismael. Veja a resposta!
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Trata-se da poaia ou poalha, uma planta com propriedades medicinais "muito usada pelos ribeirinhos, índios e seringueiros (...) no tratamento de vermes e lombrigas, além de funcionar como um excelente expectorante" (da obra "Trem das Almas", de Simon Oliveira dos Santos) da Temática Editora.
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Um leitor que não quis se identificar postou: Silvio, esse povo aí, de Risada, Oceano Alves, meus tios: Zé Passos, Raimundo Passos e muitos outros foram para o Mercado onde até hoje é o central acho que já foram umas três reformas, boas lembranças.
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Esclarecendo, O José Oceano não foi para o Mercado Central não.
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Meu amigo e parceiro José Carlos Lobo disse: Silvio obrigado pela lembrança da Viadinho de Ouro, apelido dado pelo amigo Dimas Oliveira pai do Dimarcy
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E prossegue: Sei que sua cabeça não tem memória de computador, mas, vamos lembrar de alguns: Seu Zé \Lemos, Cabo Lira com o Bar Guanabara. Bem antes do Bar Bacurau naquela esquina teve um Bar e Restaurante do Capixaba sempre usando sua gravata borboleta

Outro anônimo escreve: Teve também o Ataciel vizinho do Zizi.
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Outro anônimo: Parabéns meu GRANDE AMIGO SÍLVIO SANTOS! Belíssimos retalhos da nossa história. Vivi este tempo e meu pai me levava de madrugada para ficar na fila com a cesta de cipó (hoje chamam de vime). Além do TREM BOIADEIRO, esperávamos atentamente, olhando para o céu, a chegada da carne pelo avião DC-3 da Companhia Aérea Paraense. Ver no céu, o avião da Paraense em direção ao Aeroporto do Caiari (geralmente às quintas-feiras, à tarde), era sinal de carne bovina chegando. Aí, na madrugada da sexta-feira, meu pai me deixava na fila esperando a abertura do portão da Rua José de Alencar.
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Pelo corredor interno do Mercado, que dava saída para a Rua Henrique Dias, ficava também o Box do BAFO DA ONÇA (atingido pelo incêndio), do meu primo José Passos. E pelo lado externo, ao lado da porta que dá de frente para o Palácio Getúlio Vargas, ficava o primeiro Bazar Bezerra, do meu cunhado Cleodomildo Gomes Bezerra (não atingido pelo incêndio).
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Legal que nossos leitores estão ligados na nossa história. Obrigado!

Morre por coronavírus o cantor e compositor Aldir Blanc, aos 73 anos


Autor de versos memoráveis da música brasileira, cronista das tristezas e alegrias do país, Aldir Blanc morreu nesta segunda-feira 4 de maio, aos 73 anos. Com infecção generalizada em decorrência do novo coronavírus, Aldir estava internado no CTI do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, desde o dia 20 de abril.

Aldir Blanc Mendes nasceu no Estácio, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 2 de setembro de 1946. Curioso e observador, logo se embrenhou pelos encantamentos das ruas, dos tipos humanos e das manifestações culturais de sua cidade, cultivando suas principais paixões desde cedo: o futebol do Club de Regatas Vasco da Gama, o samba da Acadêmicos do Salgueiro, a vida boêmia, as pequenas e deliciosas histórias do cotidiano, a visão crítica e ácida sobre política e desigualdades sociais, e a poesia, que começou a escrever aos 16 anos.
Em 1966, Aldir ingressou na faculdade de Medicina, especializando-se na área de psiquiatria. Mas abandonaria a carreira de vez em 1973, um ano depois do lançamento de “Agnus sei”, parceria abre-alas de sua obra com João Bosco 
O encontro com Bosco representou um casamento perfeito: de um lado, o rico lirismo do letrista; do outro, a sofisticação rítmica e harmônica do violão e das melodias do então desconhecido músico mineiro. Ao lado dele, Aldir construiria uma das mais prolíficas e contundentes parcerias da história da música popular em todo o mundo.
Juntos, escreveram clássicos como “Bala com bala”, “Caça à raposa”, “Linha de passe”, “Cabaré”, “Kid Cavaquinho”, “O mestre-sala dos mares”, “De frente pro crime” e “O bêbado e a equilibrista”, que, na voz de Elis Regina — uma das principais intérpretes do duo —, se tornou o hino pela campanha pela anistia.
Em mais de 50 anos de carreira, todos dedicados às letras — seja como compositor, escritor ou cronista —, Aldir escreveu cerca de 500 canções, sem contar outras centenas nunca gravadas ou perdidas. Moacyr Luz, parceiro a partir dos anos 1980, complementou sua poesia como apenas Bosco havia sido capaz. Juntos, eles escreveram dezenas de canções, entre elas, crônicas apaixonadas e agridoces sobre a cidade. Da obra de Aldir, aliás, o Rio emerge em canções como “Centro do coração”, “Só dói quando Rio”, “Do um ao seis” e “Saudades da Guanabara” (com Paulo César Pinheiro), lançada por Beth Carvalho em seu disco homônimo de 1989, que viria a se tornar um standard em rodas de samba cariocas.
Com um apetite voraz pela palavra, tanto a cantada quanto a escrita, Aldir ainda lançou discos como “Rios, ruas e paraísos” (1984, com Maurício Tapajós), “Aldir Blanc — 50 anos” (1996) e “Vida noturna” (2005), publicou livros — “Rua dos Artistas e arredores” (1978), “Porta de tinturaria” (1981) e “Vila Isabel, inventário da infância” (1996), entre outros
Em 2001, Aldir e Bosco retomaram o contato, a amizade e a parceria, que havia sido rompida em 1983.
Nos últimos anos, Aldir, que sofria de diabetes, vivia recluso em seu apartamento, na Tijuca. Distante da bebida que fez companhia em tantos momentos, ele se dedicava as filhas e netos com vigor. O envelhecer gerava reflexões divertidas e bonitas, como era bem de seu feitio. Em 2016, quando fez 70 anos, disse que chegar a essa idade era “como ser atropelado por um caminhão-cegonha que, em vez de transportar carros, transporta guindastes e tratores. Difícil levantar no dia seguinte”.

Morre ator Flávio Migliaccio, aos 85 anos


O ator Flávio Migliaccio, de 85 anos, foi encontrado morto em seu sítio na Serra do Sambê, em Rio Bonito, no estado do Rio. O último trabalho do ator na TV foi o Mamede, de "Órfãos da terra".
Ele deixou uma carta para os familiares. 
O corpo dele foi encontrado pelo caseiro, Nelson Soares da Silva, no quarto do ator, na manhã de ontem dia 04. O boletim de ocorrência foi feito pela quarta companhia do 35 BPM.
A última participação de Flavio Migliaccio na TV foi em 2019 na novela "Órfãos da terra", no papel de Mamede Aud. Ele também participou do filme "Hebe", sobre a apresentadora Hebe Camargo, ao lado de Andrea Beltrão.

sábado, 2 de maio de 2020

Minha Vivencia...- As quatro portas do Mercado Municipal


Hoje vamos relembrar as histórias que vivi no Mercado Municipal de Porto Velho, desde 1951 até 1966, quando um tenebroso incêndio o destruiu. Além de lembrar o Trem Boiadeiro que trazia Gado da Bolívia para ser abatido em nossa cidade.

As quatro portas do Mercado Municipal
Por Silvio M. Santos

A história da construção do Mercado Mu­nicipal é cheia de percalços. Basta lembrar que sua edificação começou, graças a uma pendenga entre o Superintendente (prefeito) Major Fernando Guapindaia de Souza Bre­jense e a administração da Madeira-Mamo­ré Railway Co.  
Quando Joaquim Augusto Tanajura assumiu a superintendência con­denou a obra, aí vemos que já naquele tem­po, nossos políticos tinham a mania de des­fazer o que seus opositores haviam iniciado, só para ficarem com os louros de assinarem como sendo suas, as obras da cidade.
Tana­jura não conseguiu o apoio da população para pôr em prática sua ideia e então abandonou a construção, que ficou totalmente paralisada por vários anos e com certeza, a área da cons­trução foi tomada pelo matagal. Anos de­pois, já em seu segundo mandato (1923) Tanajura conseguiu seu intento e mandou demolir o que Guapindaia havia construí­do, e ao retomar a construção Tanajura não conseguiu nem terminar os alicerces da obra.
Para encurtar nossa conversa, o Merca­do Público Municipal de Porto Velho só foi concluído em 1950, na gestão do prefeito Ruy Brasil Cantanhede.
Nossa intenção nessa matéria, é falar sobre as Quatro Portas de entra­da e saída que existiam no prédio do nosso Mercado Público Municipal.

A BANCA DE JORNAL DO SEU BARROSO

Pelo lado do  hoje  Calçadão Manelão ou pela porta que ficava para o lado do Palácio Presidente Vargas,  existia a Banca de Jornal do "seu" Barroso que por algum tem­po, só vendia o jornal Alto Madeira. Ali se reuniam nas manhãs de domingo e até em dias de semana, os chamados "categas" me­tidos a intelectuais, para discutir as notícias publicadas no jornal.
Entrando mais um pouco, deparávamos, com a "Banca" do Boy onde a gente podia degustar deliciosas iguarias como mingau de milho (mungunzá), tapioca, pamonha e é claro, aquele café com leite (in natura) a famosa média, Boy era marido da famosa tacacazeira dona Chiquinha.
No espaço a direita dessa porta, ficavam as "bancas" dos verdureiros. 
Pelo lado de fora do mercado que ficava no rumo da José de Alencar, tinha o Caldo de Cana do J Lima (a famosa saltenha só começou a ser produzida muito depois). Pro lado do Banco da Borracha, ficava a taber­na do Zé Curica, o Zizi e a boutique "Veadinho de Ouro" do Zé Carlos Lobo. Na esqui­na da Travessa Renato Medeiros (hoje calçadão Manelão) com a José de Alen­car existiu também a lanchonete do "seu" João (aquele que até bem pouco tempo ti­nha um lanche no terreno da Casa de Cultu­ra).

A BANDA DE MIÚDO DO BODÓ

Pela porta da Presidente Dutra, tinha o açougue do Bodó. Esse açougue era especi­al, porque só vendia "miúdo" de boi fígado, bobó, rim, coração, tripa grossa, tripa fina, livro, mocotó e carne morta. O interessante é que naquele tempo, era praticamente im­possível se comprar um quilo de fígado, ou um coração inteiro. Bodó e o outro açougueiro conhecido como Faca Cega, só ven­dia a famosa "misturada".
Um quilo de "mis­turada" era composto por um pedacinho de cada parte do miúdo, ou seja, um pedacinho de fígado, um pedacinho de coração, um pedacinho de rim, um pedacinho de car­ne morta e um pedação de bobó. Vale sali­entar, que esse açougue só funcionava à tar­de.  
Para se conseguir uma "panelada" completa (mocotó, tripa fina, tripa grossa, bu­cho e o livro), era complicado, era um pou­quinho de cada coisa também, essa prática era para que o Bodó e o Faca Cega atendes­sem maior número de fregueses.
Pelo lado direito de quem entrava por essa porta, foi instalado o primeiro frigorí­fico de Porto Velho. Seguindo no rumo da Henrique Dias tinha a Casa Rio Madeira cuja especialidade era a venda de material de caça e pesca (no dia do incêndio ninguém conseguia encostar com tanta bala disparan­do).
No rumo do palácio depois do açougue do Bodó tinha uma barbearia; e a alfaiataria o seu Tancredo.
Era em frente a essa porta, que fica­va o CARRO DE MINGAU do seu DEGA. O Dega che­gava ao ponto, por volta das cinco horas .da madrugada com sua "banca" ambulante, puxado por um boi.

A PORTA DO ZÉ RISADA
A Porta da Henrique Dias
Desse lado também aos domingos e até em dias de se­mana, encontrávamos muitos "categas" na taberna do seu Elias Ribeiro ou na taberna do Luiz Gomes tomando uma cachacinha ou apenas batendo papo. Da entrada dessa porta se ouvia as gargalhadas do seu Zé Risada.
No espaço onde ficava o comercio do Zé Risada ficavam os boxes onde se comerci­alizavam secos e molhados. O Zé Risada se destacava dos demais, justamente, pelo bom humor ou pelas risadas escandalosas que eram ouvidas em todo o Mercado.
Em frente a essa porta, do outro lado da rua, ficava o armazém do Tufic Matny onde os funcionários do governo territorial compravam "fiado".  
Seguindo pelo lado do mercado ainda pela Rua Henrique Dias no rumo da José de Alencar, existia o sapateiro (consertador de sapatos) boliviano José Ca­macho que depois passou a vender Gás em botija e bicicleta Monark e transformou-se num grande empresário.
Pro lado da Presi­dente Dutra, bem na esquina, tinha o "seu" Wilson da Motorista cuja especialidade era a compra de sucata, (vendi muito alumínio, metal e cobre pro seu Wilson). Na esquina da Henrique com a José de Alencar era o comercio de José Oceano Alves cuja especi­alidade era a compra de produtos regionais como couro de animais silvestres, borracha, ipecacuanha, sova e outros.
Foi justamente por esse lado do merca­do, que segundo dizem, começou o incên­dio.

A PORTA DO PONTO CAÇULA

Essa era como se fosse à entrada princi­pal do mercado. Ficava pela José de Alen­car e era justamente a porta onde se forma­va a famosa "fila da carne" (depois vamos falar sobre essa fila).
Então na entrada dessa porta existia o famoso "Ponto Caçula"; sabem de quem era esse co­mércio, era justamente do seu Pedro Pacheco Dias um dos sócios da Casa Saudade. Seu Pe­drinho como era conhe­cido, foi um dos comer­ciantes mais queridos do Mercado Municipal, pela maneira como re­cebia seus fregueses, do Ponto Caçula ele conseguiu os recursos para construir o Bar do Canto (Carlos Gomes com Júlio de Castilho) o Bar mais antigo de Porto Velho. Logo a direita de quem entrava por essa porta, fica­va o espaço onde se vendia peixe e mais al­guns boxes com secos e molhados.
No espa­ço do lado esquerdo ficavam as bancas ou açougues onde se vendia carne verde (carne de boi).  Como podemos notar, o ponto caçula era praticamente o único ponto nesse corredor de entrada onde se comercializa­vam os chamados secos e molhados.  
Yedda  Bozarcobv na obra "Porto Velho - Cem anos de História 1907 - 2007" escreve: " ... O pa­vilhão destinado à comercialização de car­ne verde possuía quatro portais, piso de mo­saico em duas cores e as paredes eram revestidas com azulejos brancos numa altura de 1,80 m".
Pelo lado de fora, no sentido palácio do gover­no tinha a Casa Girão de José Girão Macha­do cuja especialidade era a venda de armas de fogo (revolveres, espingardas, rifles etc.) além de munição, aí também o estampido de balas foi destaque durante o incêndio. O Cabo Piaba se transformou em herói, justa­mente com o soldado Sebastião ao enfren­tar o fogo e as balas na tentativa de conter as chamas, do outro lado da rua, no hoje edifício do INSS tinha a Agencia da empre­sa aérea Cruzeiro do Sul o prédio era conhe­cido como "Prédio do Bechara" e a loja da família Chaquiam.

A FILA DA CARNE



Naquele tempo, nem todo dia se vendia carne (verde), nas bancas dos açougueiros do Mercado Municipal e então, quem quisesse comprar pelo menos um quilo de carne, teria que ainda de madrugada, colocar a sexta na fila (deixava a sexta e ia para casa dormir ou então dormia lá mesmo).
Aconteceu de muitas vezes, a pessoa ao chegar à beira do balcão na sua vez de ser atendida, o açougueiro anunciar que “ACABOU A CARNE”. Muitos açougueiros recebiam propinas dos “CATEGAS” (pessoas que exerciam cargos importantes no governo do Território ou da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e Empresários), para guardar carne, cujas sextas seriam pegas depois. Quando alguém descobria essa “mutreta” a confusão estava formada e só parava com a chegada dos Guardas da Guarda Territorial.

O TREM BOIADEIRO



Lembro que no meu tempo de menino/adolescente, era comum acontecer uma correria generalizada, principalmente pela rua 7 de Setembro. Para a maioria, essas correrias eram motivo de muitas risadas pois, muitos na realidade, nem sabiam do que estavam correndo; essa algazarra era provocada geralmente no dia que chegava na estação da Estrada de Ferro Madeira Mamoré o TREM BOIADEIRO uma composição ferroviária, que trazia Gado (BOI) da Bolívia, para ser abatido e vendido nos açougues do Mercado Municipal e durante a condução do rebanho rumo aos Campos de engorda ou matadouros acontecia, de um Boi se desgarrar e desabar na carreira, fazendo as pessoas também correrem com medo do Marruá.
Epílogo - Comer carne de boi em Porto Velho até meados da década de 1960, era coisa pra Catega!