terça-feira, 25 de junho de 2019

Livro na ponta da língua será relançado sexta feira


Sexta feira dia 28, às 19h00m na Galeria Ivan Marrocos vai acontecer o relançamento do livro "Na ponta da língua", do professor, músico e poeta Rubens Vaz Cavalcante, o Binho.

Na ponta da língua é o fruto de uma oficina na Livraria da Rose com os alunos do Objetivo. As poesias foram escolhidas pelos alunos para compor a obra. O livro foi publicado em 1995, empatando no concurso de Literatura Infanto Juvenil junto com o escritor Ziraldo em Minas Gerais.
O livro é adotado nas escolas pública de Minas Gerais.
Graças ao Edital de Literatura do governo do estado de Rondônia sob a responsabilidade da Sejucel, o livro será relançado em Rondônia na próxima sexta feira 28, na Galeria Afonso Ligório – GAL da Casa da Cultura Ivan Marrocos.

Quem é Binho

Sou um menino de Porto Velho que quando saiu daqui foi pra estudar e que acompanha os acontecimentos da cidade, tantos os sociais quanto os estruturais. Faço minha parte compondo, fazendo poesia, fazendo música e outras coisas.
Na verdade era Rubens aí ficou Rubinho e depois ficou apenas Binho. Meu medo é que fique só em Nho. Na verdade, o nome de batismo é Rubens Vaz Cavalcante. Minha família veio do Para. Minha mãe é da família Ferreira Vaz e meu pai da família Couto Cavalcante.

PARINTINS Bumbódromo recebe últimos reparos para o Festival Folclórico


O Bumbódromo, em Parintins, está recebendo os últimos reparos para o Festival Folclórico, que inicia na sexta-feira (28). O espaço, inaugurado há 31 anos e reformado integralmente há seis, passa agora por ajustes nas arquibancadas, iluminação e impermeabilização das muretas que divide as arquibancadas dos camarotes. A estimativa é que tudo esteja pronto nesta quarta-feira (26), quando o governador Wilson Lima visitará o Centro Cultural.
Francis Gama Parente, engenheiro responsável pelas obras, explicou que no dia 20 de abril equipes das Secretarias de Estado de Cultura (SEC) e Infraestrutura (Seinfra) visitaram o local pela primeira vez para identificar as necessidades. À época, o Corpo de Bombeiros também fez recomendações, como instalação de corrimão nas escadas das arquibancadas, e telas galvanizadas onde já havia corrimãos. 
Os trabalhos iniciaram no último dia 11, com 70 pessoas empregadas pela Engepror, ganhadora da licitação. Os reparos geraram renda para moradores da ilha e também para especialistas de Manaus, trazidos pela empresa para atuar nos consertos. O custo total das obras foi de R$ 1,7 milhões.
Inicialmente, o Bumbódromo deveria ser entregue no dia 20, entretanto, as chuvas atrapalharam o andamento e a finalização dos reparos ficou para o dia 26.
Parente destacou que os refletores substituídos devem reduzir em até 30% o valor da conta de energia do Centro Cultural e destacou o trabalho realizado. “A pintura do azul e vermelho na arquibancada foi um pedido da SEC para que fosse destacado, inclusive o piso, que antes não era pintado e agora está muito mais bonito. Outro ponto primordial foram os corrimãos adequados, que deixaram muito mais seguro para crianças e pessoas alcoolizadas, por exemplo,” pontua.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Lenha na Fogueira - 25.06.19


A direção e todos os integrantes do Grupo Teatral Êxodo, ainda estão festejando o sucesso de público, no retorno da peça O Homem de Nazaré.
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Foram três dias de espetáculo e o público total, foram estimados em 10 mil expectadores o que dar uma média de mais de 3 mil noite.
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Sábado foi o dia que deu mais gente,. A cada encenação os ajustes eram notados. Exemplo, depois da nossa observação pela encenação da primeira noite, a produção providenciou os efeitos especiais para a cena da crucificação de Jesus. Ainda faltou alguma coisa, porém, pelo menos escutamos os trovões e vimos os relâmpagos na hora maior.
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O que achei legal foi quando cheguei à Cidade Cenográfica Jerusalém da Amazônia na tarde de sábado, fui abordado por muitos atores e figurantes da peça. Uns agradecendo por suas atuações terem sido elogiadas na coluna publicada naquele dia e outros sentidos comigo pelas criticas: É assim mesmo, não podemos e nem queremos agradar todos. É com diz Nelson Rodrigues:
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A unanimidade é burra!
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Legal mesmo, foi o ganho que o Êxodo conseguiu junto às autoridades.

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Sexta feira o governador Marcos Rocha junto com vários secretários e o superintendente de Turismo Gilvan assistiram a peça acompanhados pelos pastores, responsáveis pela organização da Marcha para Jesus.
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O governador ficou deveras emocionado com a estrutura da Cidade Cenográfica que chegou a conversar com os pastores presentes, sobre a possível troca na data da realização da Marcha para Jesus e o que foi melhor os pastores até disseram que no próximo ano, reunirão os fiéis de suas igrejas, para “virem em caravanas de suas igrejas, para a Jerusalém da Amazônia". Quer mais noticia positiva que essa?
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Já no sábado, foi à vez do prefeito Hildon Chaves e a primeira dama Ieda Chaves, marcarem presença na Jerusalém da Amazônia.
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A prefeitura que na realidade, foi a responsável pela volta da peça, através da intervenção da primeira dama, tem que receber todos os elogios.
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A equipe municipal ficou deveras empolgada com o sucesso do espetáculo, que eles ajudaram e muito a acontecer.
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Como nossa ética diz, que se pode se perder o amigo e não a piada.
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E outra, como “mato tem olhos e parede tem ouvido” e no caso da Jerusalém, não tem como as conversas, por mais reservadas que sejam não serem ouvidas por alguém
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Sábado, alguma autoridade municipal, fez o seguinte comentário:
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“Ta vendo, ainda bem que Porto Velho não é só desfile de Escola de Samba. Tem essa maravilha aqui também para o povo apreciar”.
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Ficou mais que provado, que a autoridade em apreço, não gosta mesmo do carnaval das ESCOLAS DE SAMBA.
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Por falar nisso, hoje começa às 14 horas, na Casa da Cultura Ivan Marrocos a discussão do Plano Municipal de Cultura.
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Todas as Setoriais foram convocadas para apresentarem suas demandas.

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Serão três dias de conversa, sempre começando às 14 horas e terminando às 21 horas.
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|Nesta página publicamos o horário do encontro de cada Setorial. As reuniões sobre o Sistema Municipal de Cultura vem acontecendo há alguns dias na Funcultural. Esperamos dessa vez o Plano começa a funcionar de fato e de direito. Pelo menos os nomes dos Conselheiros já foram publicados no Diário Oficial do Município.
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Vamos lá! Só sei que quem está com a divulgação de vento em pôpa é a 38ª Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás – Arraial Flor do Maracujá. Nota Mil pra equipe da Sejucel.
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Vamos ficar torcendo para que a previsão do governo estadual, seja alcançada, que é registrar o maior público do Arraial Flor do Maracujá este ano. Acredito que vai dar certo.

REORGANIZAÇÃO - Arraial Flor do Maracujá pode ter Público recorde este ano




Se depender do Governo de Rondônia, a 38ª Edição do Arraial Flor do Maracujá, considerado o maior da Região Norte, será o melhor de anos anteriores. Isso por conta da reorganização ocorrida nos últimos cinco meses, em que a Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) resgatou a responsabilidade da realização da festa folclórica em Porto Velho.
O resgate trouxe muitas mudanças, começando pela data do evento previsto para acontecer de 26 de julho a 4 de agosto, no Parque de Exposições, zona Norte da capital. De acordo com o superintendente da Sejucel, Jobson Bandeira, o adiamento da data foi para atender ao pedido da Federação das Quadrilhas, Bois-Bumbás e Grupos Folclóricos do Estado de Rondônia (Federon). “Após receber patrocínio de R$ 200 mil da empresa Energisa, os grupos folclóricos pediram um prazo para a confecção das roupas dos brincantes, mas ano que vem a festa será no mês de junho, como consta no calendário de eventos do estado”, garantiu Jobson.
O evento é organizado pelo governo do Estado, por meio da Sejucel, prefeitura de Porto Velho e parceiros. Faltando pouco mais de um mês, Jobson dos Santos disse que o Estado está preparado para a realização do evento, pelo menos a parte que é de responsabilidade do Estado, a estrutural, que envolve palco, som, iluminação, estacionamento, dentre outros.
O público que comparecer à festa folclórica deste ano, além de desfrutar de toda a estrutura e apresentações de quadrilhas juninas e bois-bumbás, sob a organização da Federon, vai sentir no bolso a diferença. A comercialização de comidas típicas da região, como vatapá, caruru, tacacá, galinha picante, pamonha, quentão, bolo de milho, picanha, entre outras iguarias, será mais em conta.
“Depois de um levantamento, conseguimos reduzir a taxa para empresários do ramo de alimentação que vão adquirir barracas e também para vendedores ambulantes. Antigamente a taxa era de quase R$ 3 mil, porém, com a reorganização os valores, serão de acordo com as categorias de negociantes que vão de R$ 99 a R$ 399. Quem ganha é a população que vai degustar a comida típica com valores mais em conta”, disse o superintendente, informando ainda que os empresários do ramo de alimentos interessados em participar do Arraial Flor do Maracujá podem participar do chamamento público realizado pela Sejucel. “Para maior controle, no convite público já constam os valores de pratos a serem cobrados no arraial, porque o combinado não sai caro”, ponderou Jobson.
 
Jobson dos Santos, superintendente da Sejucel
Jobson dos Santos, superintendente da Sejucel
O chamamento público está sendo feito também para proprietários de parques de diversão e para entidades filantrópicas interessadas em gerir o estacionamento durante a temporada da festa “jullhina”. A data prevista de encerramento para a convocação pública será ainda este. Entidades filantrópicas com interesse em participar do arraial, podem procurar a Sejucel, que fica no 5º andar do prédio Rio Cautário- Palácio Rio Madeira.
CANTORES DO AMAZONAS
E as novidades não param por aí.  Para a abertura do arraial, a Sejucel está em negociação com três artistas amazonenses, levantadores de toada. Um deles estará no evento. Na lista:  Arlindo Júnior, o Pop da Selva, o imperador David Assayag, ambos do Boi Caprichoso, e Sebastião Júnior, do Boi Garantido. Haverá ainda apresentações de bandas e grupos regionais.
A Sejucel espera um número recorde de visitantes durante os 10 dias de evento. A estimativa é que, com as mudanças e as atrações culturais, mais de 200 mil pessoas visitem o Flor do Maracujá, o que deve superar os números da edição passada que foi de quase 150 mil visitantes.
Transporte para o Flor do Maracujá
Nos próximos dias o superintendente Jobson dos Santos deve entrar em diálogo com donos de empresas de transporte coletivo para estabelecer linhas específicas de bairros distantes para o Flor do Maracujá, com preço diferenciado para a população.
Prestação de contas
Diferente de anos anteriores, o governo do Estado vai querer saber sobre os valores gerados pelos comerciantes no arraial. Uma prestação de contas para mostrar a sociedade o giro econômico obtida nos dias do evento.
Os amantes da festa popular já podem preparar aquela roupa xadrez ou florida, estampas típicas para a época, para o arraste pé do Flor do Maracujá.
Fonte - Texto: Rejane Júlia - Secom - Governo de Rondônia - Fotos: Esio Mendes e Arquivo Secom.

Plano Municipal de Cultura Começa a ser discutido


A prefeitura de Porto Velho através da Funcultural, abre, na tarde desta terça feira 25, os debates sobre o Plano Municipal de Cultura na Casa da Cultura Ivan Marrocos, às 14 horas.
Serão três dias de debates entre as respectivas Setoriais que formam o Sistema Municipal de Cultura - SMC.
A abertura na tarde de hoje, vai reunir as Setoriais: Indígena, Artesanato, Afro-Brasileira, Circo, Teatro e Música no horário das 14 às 17 horas.
Artes Visuais, Cultura Popular, Patrimônio, Audiovisual, Literatura e Dança entre as 18 e 21 horas.
Amanhã dia 26: Entre as 14 e 17 horas: Artes Visuais, Cultura Popular, Patrimônio, Audiovisual, Literatura e Dança. Das 18 às 21 horas: Indígena, Artesanato, Afro-Brasileira, Circo, Teatro e Música.
Dia 27 das 14 às 21 horas: Deliberações e leitura do Plano Municipal de Cultura.
Obs.: haverá intervalo para o almoço todos os dias.
Que convida as setoriais para a discussão é a Funcultural e o Movimento Pacultura.

sábado, 22 de junho de 2019

Pedro Ribeiro da Silva


Histórias do pipoqueiro da Catedral de Porto Velho


Sou frequentador assíduo da missa da 18 horas de domingo, na Catedral do Sagrado Coração de Jesus e também dos eventos culturais que acontecem no Sesc Esplanada e em ambos ambientes, sempre encontro o seu Pedro Ribeiro a quem chamo de Pipoqueiro, porque no pátio desse locais, ele sempre estaciona seu carrinho de Pipoca.
A gente se conhece a muitos anos, ele vendendo pipoca e eu fazendo cobertura jornalísticas dos eventos, ou então praticando minha religiosidade. Na saída da missa de corpo presente no velório de Dom Moacyr Grechi na Catedral, fiquei prestando atenção no Pedro e de como ele é simpático, ao atender, principalmente as crianças no seu carrinho de pipoca. Pela sua aparência o imagina com no máximo 50 anos de idade e para minha surpresa, ao entrevista-lo tomei conhecimento de que, ele nasceu em dezembro de 1940, portanto está prestes a completar 80 anos de idade. Se dizendo namorador de primeira linha, achei por bem ouvir sua história.

ANTREVISTA


Zk – Você veio de onde para Rondônia?
Pipoqueiro – Na realidade nasci em Manicoré (AM) no dia 26 de dezembro de 1940, portanto estou com 79 anos de idade beirando os 80.

Zk – E quando foi que você veio para Porto Velho?

Pipoqueiro – Vim pra cá nos anos de 1960 e consegui trabalho como cassaco na Estra de Ferro Madeira Mamoré, lembrando que não era “Fichado”, trabalhava para uma firma que fazia serviço para a Madeira Mamoré. Nossa lida era embarcar dormente nos vagões e esses dormentes eram utilizados na manutenção da linha de trem. Inclusive cheguei a ir tirar dormente na mata.

Zk – Fala sobre esse trabalho de tirar dormente e qual era a madeira utilizada?
Pipoqueiro – A firma que eu trabalhava como já disse, fornecia dormentes para a Madeira Mamoré e a gente ia tirar esses dormentes na hoje, estrada que vai para Humaitá. A madeira utilizada na fabricação do dormente era a Itaúba. O processo era o seguinte: derrubar a árvore lavrar o caule de maneira que ficasse quadrado, tem que ser tudo igual, quer dizer, cada lado na mesma largura, que é para o dormente não ficar em falso quando for assentado.
N.R – Dormente - Peça de madeira, onde os trilhos são apoiados e fixados e que transmitem ao lastro parte dos esforços e vibrações produzidos pelos trens.

Zk – Outro serviço que você exerceu?
Pipoqueiro – Depois fui trabalhar como “Chapa”, carregando e descarregando carga dos caminhões que traziam mercadorias de São Paulo para as empresas (comerciantes) de Porto Velho, nosso ponto era no supermercado Maru que ficava na Sete de Setembro com a Joaquim Nabuco. No meu caso eu preferia trabalhar com a carga destinadas aos comerciantes da cidade, quer dizer, não pegava serviço para descarregar ou carregar na beira do rio Madeira.

Zk – Você é ou foi casado, com quem?
Pipoqueiro – Fui casado durante 60 anos com a dona Valdelice Pereira Góes, casamos na igreja do Rosário nas Pedrinhas. Tivemos dez filhos, dois morreram. Minha mulher morreu ano passado.

Zk – Desde quando você trabalha como pipoqueiro?
Pipoqueiro – Tenho 40 anos vendendo pipoca. Comecei a vender pipoca na Exposição Agropecuária que era montada no Parque dos Tanques antes da Expovel, naquele tempo se não estou enganado o nome era Expoagro.

Zk – E depois?
Pipoqueiro – Depois passei a vender na porta dos colégios Carmela Dutra, Laura Vicuña. Do Laura passei para frente da Catedral onde vendo pipoca até hoje. Só que na Catedral é mais aos finais de semana (sábado, domingo e segunda feira) ou quando tem procissão. Hoje, durante a semana meu ponto é em frente ao Sesc Esplanada. Quando o futebol aqui era considerado um dos melhores da Amazônia, vendia no estádio Aluízio Ferreira. Naquele tempo as torcidas lotavam o estádio, o bicho pegava de verdade e eu lá vendendo pipoca, era muito bom, o jogo e a venda.



Zk – Quantos pacotes de milho você utiliza por dia?
Pipoqueiro – Em dias normais é pouco, agora quando tem procissão, como aconteceu no dia de Corpus Christi (quinta feira, 20) preparo até dez quilos de milho de pipoca. Nos dias normais preparado em média dois quilos, isso trabalhando somente à noite na porta do Sesc atendendo o pessoal da terceira idade.

Zk – Quando você veio morar em Porto Velho estava com 20 anos de idade, no auge da juventude. Como era a vida de solteiro na Porto Velho daquele tempo?
Pipoqueiro – Meu negócio era trabalho e mulher, frequentei as boates que existiam ali pela rua Afonso Pena como Tambaqui de Ouro, Mãe Preta, Tartaruga, Anita que já era na D, Pedro II, porém, a que mais gostava, era a da Maria Eunice que pra quem não sabe, o nome era “Nova Olinda”.

Zk – E festas os chamados bailes?
Pipoqueiro – Gostava das festas no Danúbio Azul que era onde hoje está o Porto Shopping na Tenreiro Aranha com a Carlos Gomes. Meu carnaval brincava no Danúbio era o carnaval de salão, nunca desfilei em bloco ou escola de samba, meu negócio era brincar acompanhado de uma mulher, isso antes de casar, porque depois de casado deixei a boemia e vivi apenas para minha querida esposa. Quando solteiro cheguei a ter xodó no puteiro.

Zk – O que é ter xodó?
Pipoqueiro – Xodó é quando a gente se apaixona por uma prostituta e passa a ficar com ela, apesar de não proibi-la de trabalhar, devo esclarecer que aquela paixão não era tão sincera, pois nesse meio tempo a que chegasse primeiro eu saia, porém, aquela do xodó era sempre a escolhida para dormir.
Zk – Era gigolô, aquele malandro que vive por conta da mulher?
Pipoqueiro – Não! Nunca fui gigolô, as mulheres que eu saia recebiam o devido cachê por programa. A Diferença do Xodó para o Gigolô é a seguinte: O Xodó banca parte das despesas da amante enquanto o Gigolô vive à custa da amante. O cara espera até ela atender o último cliente pra tomar o dinheiro dela. Eu sempre banquei minhas mulheres.

Zk – Voltando no tempo. Como era a Porto Velho nos anos de 1960?
Pipoqueiro – Ainda era muita pequena, a cidade o mais que chegava era no Mercadinho do KM-1 e assim mesmo a Sete de Setembro da Joaquim Nabuco pra lá era só o caminho, carro pra passar era uma luta, era mais as carroças puxadas por boi ou cavalo. A Madeira Mamoré e seus trens eram o que mais movimentava a cidade. No “Plano Inclinado” atracavam os grandes navios Lobo D’almada, Augusto Monte Negro, Lauro Sodré etc. O comercio era só no centro, Tinha o Bar Arara, a Sinuca no Café Central, o Cine Brasil e o Cine Teatro Resk. Casa Saudade do T.T Dias, Tufic Matny, Padarias do Resk e do Raposo. Depois veio o Café Santos, A Praça de Táxis era na Jonathas Pedrosa  onde tinha o Posto São Luiz e o Alto Madeira. São coisas que me lembro daquela Porto Velho.

Zk – Você frequentou a fila da carne?
Pipoqueiro – A fila da carne na madrugada não. Eu ia muito pra fila do ‘Miúdo de Boi’. Eu chegava às 2 horas da tarde no Mercado Municipal e ficava na fila esperando chegar o Bodó (açougueiro) com os miúdos. Tinha um detalhe, a gente só comprava a tal de “MISTURADA”, era um pedacinho de fígado, outro de coração, rins e bobó que era a maior quantidade. Outra parte que a gente comprava muito era Mocotó, Tripa, Livro e Bucho de Boi.
Zk – Você falou em mocotó, bucho, livro e tripa de boi. É verdade que naquele tempo o prato mais consumido em Porto Velho aos sábado, era a Panelada. Quais os principais ingrediente da panelada?
Pipoqueiro – É isso mesmo, naquele tempo não tinha esse negócio de feijoada, o prato mais procurado aos sábados, era a PANELADA cujos ingredientes são: Mocotó, bucho, livro, tripa gaiteira (grossa) e fina que recebiam os temperos e era colocada no fogo de fogareiro a carvão no inicio da noite de sexta feira e só ficava pronta, lá pelas 11 horas de sábado,

Zk – Para começar a encerrar. E as festas juninas?
Pipoqueiro – Quando cheguei aqui e até o inicio dos anos de 1980, as festa aconteciam mais nos colégios. Tinha o Arraial da Catedral que também era bastante frequentado. Os bois bumbás saiam pelas ruas e dançavam em frente às casas dos “Categas”. Só quando Rondônia passou a estado as festas juninas foram valorizadas com a criação do Arraial Flor do Maracujá.


Zk – Para o ano você completa 80 anos de vida e está em plena forma?
Pipoqueiro – Graças a Deus! O segredo é a boa alimentação, praticar exercício, eu ando muito de bicicleta pela cidade; gosto mesmo é de namorar, depois que fiquei viúvo não parei. Por falar nisso, gosto de mulheres gordas a minha atual namorada pesa 90 quilos. Com a venda de pipoca criei meus filhos e vivi muito bem com minha mulher que era funcionária da prefeitura de Porto Velho e me ajudou muito. Vai ver nossa casa lá nas pedrinhas, parece uma mansão, tudo com o suor do trabalho da minha mulher e com a venda de pipoca. Ser pipoqueiro é um orgulho pra mim.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Público prestigia estreia da peça Homem de Nazaré


O nevrosismo dos integrantes da direção do Grupo Teatral Êxodo era visível, no final da tarde de quinta feira dia 20, na Cidade Cenográfica Jerusalém da Amazônia.
A expectativa era como o público receberia a mudança no início da encenação do espetáculo “O Homem de Nazaré”, para as 17h30. “É uma aposta perigosa”, confessou o presidente José Monteiro, além disso, prosseguiu, estamos concorrendo com a Marcha para Jesus e a Procissão de Corpus Christi. “Se a gente colocar aqui hoje, 500 pessoas assistindo a peça, será uma vitória” emendou Monteiro.
Todos foram surpreendidos, pois, o que se viu, foram aproximadamente 2000 pessoas na área destinada a plateia, seguindo a encenação nos seus vários cenários.

Muitos levaram cadeiras ou bancos para assistir o retorno da Peça que ha mais de 30 anos, é apresentada pelo Grupo Êxodo. “Sinceramente estava com saudades dessa peça”, confessou a senhora Maria de Nazaré da Silva que acompanhada pelo marido fazia questão de registrar cada cena em fotos do celular.
O diretor Nery Rodrigues trocou a cena de início do espetáculo que antes era a entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos), pelo nascimento do Menino Jesus. Outra mudança aplaudida pelo público, foi a do sepultamento de Jesus cujo cortejo seguiu pelo meio da plateia, até o túmulo que este ano, fica ao lado do palácio de
Caifás (Carlos Noé). A Ascensão também acontece por ali.
No final, o presidente José Monteiro emocionadíssimo agradeceu aos apoiadores e em especial, ao público que prestigiou a volta da encenação da peça “O Homem de Nazaré”.
Neste sábado 22, o Grupo Êxodo encerra a apresentação 2019, da peça O Homem de Nazaré. O espetáculo começa impreterivelmente as 17h30 e a entrada é um quilo de alimento não perecível.