terça-feira, 26 de junho de 2018

Escola de Música Som na Leste Abre processo para preencher vagas

A Secretaria Municipal de Educação (Semed), através da Divisão de Artes e Cultura (Dice), realizará, de 2 a 4 de julho, inscrições de alunos para preenchimento de 105 vagas, na escola de música "Som na Leste". As vagas são relativas ao segundo semestre letivo deste ano.
De acordo com o diretor da unidade, Liocélio Soares, 50% das vagas são destinadas a alunos da rede municipal de ensino, os outros 50% são abertos à comunidade. As inscrições são feitas exclusivamente na escola de música, na avenida Mamoré, n°4319, bairro Tiradentes. “O processo de seleção será por meio de sorteio, no dia 5 de julho, às 18h30, na própria escola”, explicou Liocélio.
Vagas

No turno da manhã, são disponibilizadas 10 vagas, para o curso de musicalização para crianças com idades entre 8 e 10 anos. Para o mesmo período, são ofertadas 25 vagas, no curso de teoria musical, para adolescentes de 11 a 17 anos.
Para o turno da tarde, serão disponibilizadas 25 vagas, no mesmo perfil de idades do período matutino. Já no turno da noite serão 45 vagas para idade acima de 17 anos. São duas horas de aulas semanais para todos os turnos.
A música tem um papel muito importante no processo de aprendizagem. Ela ajuda a aumentar a capacidade de concentração e memória. Além disso, ela promove a inclusão, ajuda na socialização de crianças, jovens e adultos”, destacou o diretor, acrescentando que a instituição, inaugurada em 2008, hoje atende gratuitamente 512 alunos.

Fonte: Comdecom

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Fernando Rocha – Fernandão – 2ª Parte

Quadrilha A Roça é Nossa nasce no Esperança da Comunidade

Conforme o prometido, hoje publicamos a segunda parte da entrevista com o Fernando Rocha. Desta feita, sobre seu envolvimento com o segmento da cultura popular, precisamente sobre a criação da quadrilha junina “A Roça é Nossa” e da Federação de Grupos Folclóricos de Rondônia – Federon entidade presidida por ele. “No bairro tinham duas quadrilhas, a Sapé que se transformou em “A Roça é Nossa” e a quadrilha “Flor da Bananeira” que era do Castanheira”. Fernando volta a lembrar o início do Esperança da Comunidade, a colaboração do então vice-prefeito Sérgio Carvalho e como a comunidade conseguiu afastar as gangs. “Sete horas da noite já estava todo mundo recolhido dentro de casa com medo. Era tiro e briga pra todo lado”.
Fernando continua presidente da Associação do Bairro Esperança da Comunidade e também é quem comanda os grupos folclóricos de Quadrilhas e Bois Bumbás como presidente da Federon.


ENTREVISTA - Segunda parte


Zk – Voltando a história do Esperança. Você lembra quem fazia parte da Comissão?
Fernando Rocha – João Bosco que foi o primeiro presidente da Associação e eu 1º vice, finado Ribinha, o Ceará Camarão, Negão Alcides, eram mais de 15. Tinha o Josué Shoknes e o radialista Águia Azul que andavam com o Índio. Era uma equipe muito atuante. Pra gente conseguir realmente a posse da área, era exigido que a pessoa que ganhasse terreno, construisse em até dez dias, tinha que ser casa de madeira ou alvenaria, nada de lona. Quem não cumprisse perdia o terreno.

Zk – E a Novacap?
Fernando Rocha – A Novacap é uma imobiliária que apresentou uma carta e se denominou dona do terreno e exigiu a reintegração de posse, tinha um advogado que foi Conselheiro do Tribunal de Contas que também dizia que era dono de parte da terra. Hoje ele é advogado da Novacap. o que comprova que os dois sempre andaram juntos.


Zk – E o que vocês fizeram pra mudar o visual do bairro?
Fernando Rocha – Como disse, aqui não tinha nada, todo mundo se trancava dentro de casa com medo de sair porque o que se ouvia era tiro, briga de gang, a energia era muito pouquinha, era uma escuridão enorme. Na época do Sérgio Carvalho a gente dançava quadrilha num sapezal. Tinha uma área aqui, inclusive uma minha cunhada, quase foi estuprada, ela vinha da escola, naquele tempo o único acesso era pela rua Amazonas a gente estava ensaiando e ela não havia chegado, quando demos fé ela saiu correndo de entro de uma mata alta que tinha, dizendo que tinha um cara com uma arma perseguindo ela.

Zk – E o Sérgio Carvalho o que tem a ver com isso?
Fernando Rocha – Ele era vice-prefeito e assumiu como Diretor do DER Metropolitano no tempo do Raupp; ele desmatou isso aqui e disse: Fernando vocês precisam criar um campo de futebol aqui, porque aonde o homem pisa não cria mato.

Zk – Então! Como nasceu a quadrilha A Roça é Nossa?
Fernando Rocha – Aqui existiam duas quadrilhas a “Sapé” e a “Flor da Bananeira” que era do Castanheira da família Jordão e a gente disputava. De vez em quando saia briga. Aconteceu que essas apresentações se transformaram num arraial aonde a população vinha jogar bingo e com isso, foi afastando as gang. Nossa quadrilha “Sapezal” foi batizada de “A Roça é Nossa”, passou a ser convidada para dançar em arraial de igreja e a gente ia. O Flor do Maracujá pra nós era meio complicado, a gente não tinha condições e eu nem sabia que tinha recurso para quem dançava no Flor.

Zk - E como vocês resolveram participar do Flor do Maracujá?
Fernando Rocha – Quando foi um dia, Rubão na época vereador, passando por aqui, viu o nosso movimento e fez o convite pra gente disputar as eliminatórias para o Flor do Maracujá que aconteciam no Arraial Flor de Cacto criado por ele. Era o ano de 2002, eu disse que a gente não tinha condições financeiras e ele até ajudou a comprar os tecidos. Em cima disso, resolvi: Vou ao Ceará ver o que tem de novidade. Cheguei lá com minha irmã, fui a vários arraiais e ela filmando as apresentações das quadrilhas com uma filmadora portátil e eu trouxe pra cá e começamos a estudar os passos e incrementamos na nossa quadrilha. Eu não queria que a nossa quadrilha fosse igual as que já se apresentavam no Flor do Maracujá, tinha que ter um impacto novo.

Zk – E o que Joãozinho da quadrilha Matutos da Cidade Grande disse quando viu a quadrilha de vocês?
Fernando Rocha – Fomos disputar as eliminatórias no Flor de Cacto e quando a quadrilha começou a entrar de mãos dadas, balançando pra cima e pra baixo, ele chegou comigo e perguntou: de onde é essa quadrilha? – É do Esperança da Comunidade! Vocês não saem daqui do Cacto, não é nosso estilo esse tipo de dança. Já o Rubão agiu diferente: “Rapaz que coisa bonita esse estilo da quadrilha de vocês”. Temos um lema, dançamos para agradar a população que nos assiste, sem a preocupação de ser campeão. Ser campeão é consequência de uma boa apresentação. Fomos classificados junto com a JUABP. Dançamos no Maracujá em 2002, 2013 e em 2004 caímos de novo para o Grupo de Acesso e fomos disputar as eliminatórias.
Zk – Qual o motivo da desclassificação?
Fernando Rocha – Fomos homenagear uma área que conhecia muito bem, que era o “Garimpeiro do Madeira”, porém, não soube desenvolver o tema, minha Flor que era um Diamante não abriu direito e dentro tinha um garimpeiro com a bateia. Naquele tempo as eliminatórias eram no mesmo ano e nós fomos disputar no ginásio Dudu e voltamos a subir junto com a “Arrasta Pé de Matutos” do Benevides. Homenageamos Luiz Gonzaga o Rei do Baião e aí tem a história do Gibão.

Zk – Essa história tem a ver com o seu Cangaço. Por quê?
Fernando Rocha – O professor Severino vendo nosso Cangaço la no SESC chegou e solicitou com toda humildade. “Fernando a gente tá querendo incrementar nosso Cangaço e gostaríamos que você nos cedesse o vídeo do Cangaço de vocês”. Convidei o Severino para ir assistir o vídeo lá em casa e nessa, ele levou um Gibão que havia conseguido em Campina Grande, era a coisa mais bonita, era uma cópia muito bem feita do Gibão do Luiz Gonzaga. Só que a Alzanira – Liri minha esposa, que era uma excelente costureira, pegou o Gibão e enquanto o Severino assistia ao vídeo do Cangaço ela vestiu meu genro com o Gibão e fotografou de todos os ângulos. Tanto que quando nós chegamos ao Flor do Maracujá no dia da nossa apresentação, Severino olhou, olhou e disse: “Vocês copiaram o meu Gibão todinho né?”Até hoje tenho esse Gibão guardado lá em casa. Tudo isso é malícia, ele tava olhando meu Cangaço!
Zk – Quantos título a Roça é Nossa tem no Flor?
Fernando Rocha – São três títulos, não é fácil, existe quadrilha mais velha que a nossa e não tem nenhum título no Flor. Batemos muito na trave ficando com o vice-campeonato. Fomos nós que implantamos a quadrilha cantada em Porto Velho. Cantada e coreografada. Tem uma quadrilha aqui que chegou comigo e disse: Seu Fernando eu tenho que imitar o que é bom, tanto que ela está subindo, é a Mocidade Junina do Rodrigo. Antes da gente, as quadrilhas aqui faziam roda, aquele xis era pra lá e pra cá e nós chegamos fazendo as quatro linhas. Me mostre hoje, qual a quadrilha que não dança em quatro linhas!

Zk – Como surge o Fernando líder do movimento folclórico. Presidente da Federon?
Fernando Rocha – Esse negócio de líder está impregnado na minha vida. Fui líder da minha classe quando estudava, fui líder na igreja como Coroinha, tinha meu time de futebol etc. Pra você ser líder, presidente de alguma entidade, você primeiro tem que saber ouvir, ser uma pessoa democrática, Em 2004 sentimos que era preciso ter uma associação para defender as Quadrilhas Juninas. O Moreira me procurou e terminei sendo o vice dele. Depois numa reunião na Associação dos Moradores do Esperança criamos a Federação aí veio o seu Aluízio Guedes quer dizer, juntou os Bois e as Quadrilhas e nasceu a Federon. Fui o primeiro presidente junto com o Severino, ficamos um tempo fora e os grupos vieram nos procurar de novo e então passamos a dividir a direção sempre com um dirigente de boi bumbá. Atualmente somos o presidente e seu Aluízio Guedes o vice.

Zk – E o Flor do Maracujá?

Fernando Rocha – Lutamos para iniciar o Flor do Maracujá 2018 no mês de junho, infelizmente não foi possível. A pedido do governador e do prefeito transferimos a abertura XXXVII Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás – do Flor do Maracujá para o dia 27 de julho. Esperamos que a Sejucel cumpra a parte que lhe cabe. Podem ter certeza, com o apoio do prefeito Hildon Chaves e do governador Daniel Pereira, o Arraial Flor do Maracujá deste ano, vai ser dos melhores. Obrigado!

sábado, 23 de junho de 2018

Fernando Rocha – Fernandão A história do bairro Esperança da Comunidade


Quando decidimos entrevistar o Fernando a intenção era saber sobre o andamento da montagem do Arraial Flor do Maracujá/2018, uma vez que ele é o presidente da Federação de Grupos Folclóricos – Federon, porém, quando começamos a conversar, ele passou a contar a história de como surgiu o bairro Esperança da Comunidade e de como ele foi parar na equipe comandada pelo deputado Ernane Índio. Deixamos de lado o Fernando dirigente folclórico e passamos a entrevistar o Fernando envolvido com os Movimentos Sociais presidente da Associação do Bairro Esperança da Comunidade, um líder nato, que desde o início das invasões tem dedicado seu tempo, na defesa do povo daquela área da Zona Leste.
Quanto à história do Fernando Rocha folclorista, publicaremos na edição da próxima terça feira. Ok!

ENTREVISTA

Zk – O Fernando veio de onde?
Fernando Rocha – Meu nome é Fernando Rocha também conhecido como Fernandão. Nasci no dia 20 de julho de 1956 em Canindé (CE). tive pelo Rio Grande do Sul em 75/76, voltei pra Fortaleza, trabalhei um tempo na Cobal, isso mesmo, fui funcionário público federal.


Zk – Conta como foi sua vinda para Porto Velho?
Fernando Rocha – Na verdade já tinha vindo aqui em 1987 porque meu irmão era garimpeiro e tinha um flutuante e durante minhas férias da Cobal vim pra cá e passei 30 dias dentro do madeirão, ali eu vi muito dinheiro, não tinha miséria, os caras matavam boi e só aproveitava a carne macia, a ossada era jogada no rio. Quando voltei pra Fortaleza falei pra minha mulher, que faleceu ha 12 anos, uma excelente costureira: Lá em Rondônia é bom e ela respondia: “Fernando o Deus de lá, é o mesmo daqui”. Vim de novo em 1988 e o negócio tava melhor, entraram as dragas, o dinheiro em Porto Velho rolava que nem folha no outono era bom demais. De volta ao Ceará falei: Mulher larga essas coisas de costura aí e vamos embora pra Rondônia.

Zk – E se mandou pra cá?
Fernando Rocha – Vim na frente para alugar uma casa o que não foi fácil, minha mulher ficou em Cuiabá e certo dia fui até aquele Conjunto Mamoré/Guaporé e tinha uns pedreiros reformando uma casa e eu disse que iria entrar ali e tal. Eles chamaram o dono da casa e esse dono era o então vereador Mário Jorge que me explicou que ele havia financiado tudo na Caderneta de Poupança do Beron então contei pra ele do meu sacrifício em conseguir uma casa pra alugar e ele me indicou uma senhora que tinha uma casa pra alugar no bairro Eldorado. Isso foi no ano de 1989.

Zk – E a história do clube Botafogo?
Fernando Rocha – Se não me engano, seu Camacho havia morrido e colocaram na televisão que estavam alugando o Botafogo, meu irmão conseguiu vencer a concorrência e assumiu o clube. O Camachinho apresentou uma lista de atrações artísticas tudo do bom e do melhor. Meu irmão ganhou muito dinheiro. Naquele tempo o problema de habitação era sofrível, tanto que a gente passou a morar dentro do Botafogo por não encontrar casa pra alugar. Foi quando aconteceu o caso com o Mário Jorge.

Zk – E o envolvimento com a dança da quadrilha junina?
Fernando Rocha – Eu tinha ido apreciar as apresentações no Flor do Maracujá e achei bonito, apesar de ser muito diferente. No Ceará brinquei no bumba-meu-boi e dancei quadrilha. Perto da nossa casa no bairro Eldorado o Chico Macaco que era dono de posto de gasolina, tinha uma área grande e ele cedeu esse espaço para criarmos nossa primeira quadrilha junina aqui em Porto Velho.

Zk – É verdade que os gangueiros da época brincavam na quadrilha?
Fernando Rocha – Naquela época aqui tinha muita gang. Era gang do trator, gang do pezão e por aí vai, pois essa turma foi pedir pra brincar na nossa quadrilha. Quando eles chegavam para o ensaio, deixavam as armas facão, escopeta e até foice guardadas lá em casa. Muitas vezes no outro dia eles chegavam se gabando que o fulano não vinha mais brincar porque havia desaparecido pra sempre, mas, nas nossas apresentações eles não brigavam! Essa é força da cultura popular na questão social, coisa que os governantes não querem enxergar. Quem comandava a brincadeira era a Neguinha minha cunhada.

Zk – Como foi que você se tornou em um dos líderes da criação do bairro Esperança da Comunidade?
Fernando Rocha – Soube que o Índio estava organizando uma ocupação nas terras onde hoje é o Esperança da Comunidade e eu que pagava aluguel, resolvi procurar a equipe dele para conseguir um terreno pra construir uma casa. Quando cheguei à reunião, vi que o negócio não estava indo bem, então fiz uma sugestão: Olha precisamos fazer uma coisa organizada, as ruas têm que ter começo, meio e fim, vamos abrir tudo dentro dos padrões que é para depois não termos que ficar desmanchando ou derrubando casas porque ficaram no meio da rua. Diante da minha exposição o índio me convidou para fazer parte da Comissão e eu aceitei.

Zk – Como é a história que o Índio teve a feliz idéia de separar uma área para construir escola, posto de saúde etc.?
Fernando Rocha – Foi durante uma reunião que aconteceu no local onde hoje é a igreja Santa Margarida que o Índio falou: “Gente precisamos reservar um espaço, para servir de área social aonde vamos ter, escola, posto de saúde, campo de futebol, quadra esportiva e praça”. Em 1992 o governador Osvaldo Piana construiu praticamente dentro da mata, a escola Flora Calheiros. Agora não foi fácil para a gente da Comissão, garantir que as pessoas não invadissem essa área, eu mesmo levei uma pedrada na cabeça por não deixar uma pessoa marcar um terreno, eu sabia quem já tinha e quem não tinha terreno. Muitos pegavam pra vender e a gente não deixava que isso acontecesse. Hoje nós temos duas escolas, centro de saúde, sede da associação, dois campos de futebol, quadra esportiva e praça.

Zk – E a participação do Sergio Carvalho?
Fernando Rocha – Quando o Sergio Carvalho era deputado federal, um dia chegou e perguntou: Fernando o que você acha que está faltando construir aqui? E eu respondi um campo de futebol! E ele falou: pensei que você ia pedir uma creche. Sim deputado, precisamos de uma creche também! Você pediu um campo de futebol. Nosso campo é um dos melhores, tem iluminação boa e o campeonato do Esperança é transmitido pela RedeTV-RO. O Carlinhos Camurça quando foi prefeito beneficiou muito nosso bairro, inclusive ajudou a construiu a sede da nossa associação, são pessoas que precisam ser reconhecidas.

Zk – Como surgiu o nome Esperança da Comunidade?
Fernando Rocha – Essa área era reivindicada pela Novacap que apresentou uma Carta de Aforamento e o resultado foi que foi parar na justiça. Chegou o dia do julgamento da ação. O Índio estrategicamente dividiu a comunidade em duas turmas. Uma foi para a praça Marechal Rondon em frente ao Fórum onde aconteceria o julgamento da ação e a outra comandada por mim e outros companheiros ficou no bairro para evitar qualquer ação de reintegração de posse. A gente ficou reunido no centro onde hoje é a igreja e muitas pessoas nervosas, questionavam se a justiça ia tirar a gente dali e outros diziam: Vamos ter esperança. Nossa comunidade precisa ter esperança. Lembro que o governador Jerônimo Santana ajudou muito, depositou na justiça, o valor de 20 por cento do que era cobrado pela Novacap por isso, até hoje essa área esta sub júdice. Quando ficou tudo mais ou menos resolvido, e criamos a primeira associação, o Índio lembrou que o bairro não tinha nome ainda e então alguém sugeriu que fosse “Comunidade Esperança” que foi questionado, pela pronuncia ficar meio estranha e então colocamos em votação e o nome escolhido foi “Esperança da Comunidade”.

Zk – E a rede elétrica quando foi instalada?
Fernando Rocha – Rapaz, isso gerou muita confusão. Não tinha rede elétrica, porque não tinha nem rua aberta direito e o povo passou a fazer “gato”, puxavam luz da Ceron até com arame farpado e o pior, é que um aproveitava o “gato” do outro e quando vinha o pique da energia, desligava tudo o que muitas vezes gerou vias de fato. Então reunimos e sugerimos que cada grupo de quinze/vinte puxasse uma rede com fiação e instalação dentro dos padrões e assim foi feito. Não foi fácil. Tem uma história interessante.

Zk – Qual?
Fernando Rocha – Ali no Ipanema que hoje está dentro do bairro Igarapé, era assentamento e começaram a querer derrubar as casas, foi então que o Índio teve um idéia genial. Nós pegamos uma velinha de quase 100 anos de idade e colocamos dentro de um barraco. Quando a justiça chegou com uma Pá Carregadeira para derrubar as casas, nós dissemos que num dos barracos tinha uma velinha de 100 anos e ninguém vai tirar ela de lá. O oficial de justiça foi olhar pela fresta do barraco e viu a senhora deitada numa rede, que mal podia se levantar, resultado, desistiram de derrubar as casas. Posso dizer que a abertura dessa área que compreende o Esperança da Comunidade, União da Vitória, e Igarapé foi uma verdadeira conquista do povo contra os poderosos.

Zk – E a história da Quadrilha A Roça é Nossa?

Zk – Essa história o Fernando conta na próxima edição, ou seja, terça feira 26. 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Lenha na Fogueira - 23.06.18

Antigamente, quando as tradições do nosso povo eram mais respeitadas, no dia de hoje 23 de junho, véspera do dia de São João, a cidade “ardia” com tanta fogueira. Os bois bumbás desfilavam pelas ruas, rumo as residências dos chamados “categas” onde se apresentavam, em troca de pagamento de cachê,
********
Geralmente os “categas” montavam um arraialzinho e convidavam os mais chegados para apreciar, além das danças folclóricas, as iguarias regionais tipo munguzá, bolo de macaxeira, aluá de milho, quentão, pato no tucupi e vatapá, enquanto a juventude brincava de passar fogueira de compadre e comadre, padrinho e madrinha e até namorado e namorada.
********
Os donos da casa contratavam um trio de forró com Sanfona, Zabumba e Triângulo para animar a festa após a apresentação do boi bumbá. Isso acontecia em muitas casas. Como já disse os “categas” mais famosos em promover esse tipo de encontro era: O seringalista Paiva (pai do Chiquito e do Janjão), Pedrinho do Bar do Canto, Teodorino Torquato Dias dono da Casa Saudade, Mourão Paulo e irmãos proprietários do Armazém Tico Tico, Girão José Machado dono da Casa Girão, José Oceano Alves, Tufy Matny isso entre os comerciantes.
********
Tinham os “categas” do bairro Caiari que também promoviam seus arraiais e contratavam grupo de bois bumbás para dançar.
********
O interessante era a maneira de como essas pessoas, pagavam o cachê do grupo. Era assim: Durante a apresentação do boi bumbá se realizava o ritual do Auto do Boi que consiste no desejo de Catirina em comer a língua do boi e esse desejo é atendido pelo seu marido Pai Francisco (Nego Chico), que mata o boi e depois acusa seu compadre Cazumbá. O Amo do Boi convoca então os vaqueiros e rapazes para prenderem os dois “Nego” Escravos e estes alegam que os “Negos” Véios eram muito valente e então o Amo manda chamar o Diretor (Tuxaua) dos Índios que com seus cabos prende Nego Chico e Cazumbá junto com Catirina e Mãe Maria. Nessas alturas Nego Chico tira a língua do boi e oferece ao dono da casa que a compra por um valor previamente combinado. Assim era pago o cachê do Boi Bumbá naquele tempo.
********
Não falei em quadrilha junina, porque as apresentações desses grupos, aconteciam em sua maioria na quadra dos colégios. Naquele tempo a brincadeira mais valorizada era a de Boi Bumbá.
********
Hoje os grupos folclóricos, tanto de Boi Bumbá como de Quadrilha, passam por dificuldades para confeccionarem suas indumentárias, para se apresentar no Arraial Flor do Maracujá.
*********
Ha alguns anos, o governo estadual e o governo municipal não destinam recursos para os grupos investirem em suas apresentações, no Arraial Oficial.
*********
Aqui temos que abrir um parêntese, para elogiar a atitude dos dirigentes da empresa MARQUISE que desde o ano passado, vêm colaborando com os grupos folclóricos de Porto Velho, destinando recursos para estes adquirirem suas fantasias.
*********
A MARQUISE segundo seus dirigentes, entende que o investimento em cultura, é fundamental para a preservação da tradição de um povo. Talvez por ser uma empresa nascida em Fortaleza (CE), onde o folclore é valorizado, a Marquise vem colaborando com nossos grupos de Bois e Quadrilhas.
********
Segundo a direção da Federação de Grupos Folclóricos de Rondônia – Federon a Marquise já se comprometeu, a repassar para os grupos folclóricos que irão se apresentar na XXXVII Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás – Arraial Flor do Maracujá o valor de R$ 200 MIL


*******
Tanto o governador Daniel como o prefeito Hildon estão empenhados em conseguir juntos a outras empresas, mais recursos para nossos grupos folclóricos. Tudo indica que eles vão conseguir.


*******

E Viva São João!

Boi Caprichoso vai abrir e encerrar o Festival 2018



O Festival de Parintins vai acontecer no próximo final de semana, ou seja, nos dias 29 e 30 de junho e 1º de julho, na Ilha Tupinambarana Amazonas. O evento será transmitido ao vivo pela TV A Critica de Manaus e TV Cultura para todo o Brasil e Mundo.


Ordem de apresentação


O boi-bumbá Caprichoso vai abrir e fechar o Festival Folclórico de Parintins 2018 nas noites dos próximos dia 29 e 1°. O sorteio da ordem de apresentação da 53ª edição do Festival foi realizado na noite de Santo Antônio dia 13 último. O evento contou com a presença de representantes das diretorias dos dois bumbás. Conforme o sorteio o Garantido abre a segunda e a terceira noite, nos dias 30 de junho e 1º de julho.

Temas para 2018

O boi Garantido trabalha este ano com o tema “Auto da Resistência Cultural”. Em 2018, o Garantido renova seu compromisso com a realização de uma “Brincadeira de São João” que se constituiu como um espetáculo de resistência pela arte.
O Conselho de Artes da Baixa do São José afirma que o espetáculo deste ano vai trazer marcas do passado e do presente do Garantido, porque na nação encarnada está vivo o sentimento do fundador, Lindolfo Monteverde, de resistir culturalmente.

O Caprichoso, por sua vez, leva para a Arena do Bumbódromo o espetáculo “Sabedoria Popular – Uma Revolução Ancestral”. A proposta do bumbá é levar a atmosfera multicultural da Amazônia para as três noites do festival, fazendo uma nova viagem com os protagonistas que aqui estavam e os que aqui chegaram com nova dramaturgia para uma identidade regional, rica por ser diversa e aberta ao diálogo universal, afirmando ao mundo que a sabedoria cultural do seu povo.
Origem
O Festival Folclórico de Parintins nos moldes como acontece hoje foi criado em 1965, mas os Bois Garantido e Caprichoso existem desde 1913. Muitas versões falam sobre a origem dos Bois de Parintins. Estudiosos dizem, porém, que não há histórias documentadas sobre a fundação de cada Boi, e o que se sabe vem principalmente da tradição oral. De qualquer maneira, uma coisa é certa : cada Boi defende ter sido o primeiro a surgir5.

Conta-se que o Boi Garantido teria sido criado em 1913 por Lindolfo Monteverde. O Boi Caprichoso teria sido criado logo em seguida pelo parintinense Furtado Belém e pelos irmãos cearenses Roque e Antônio Cid. No início, os Bois brincavam nos terreiros e saíam às ruas, o que acarretava inevitáveis brigas entre os dois. Algumas pessoas, as mais ricas, chegavam a pagar para que os Bois passassem diante de suas casas. Já o formato atual foi criado por um grupo de amigos ligado a Juventude Alegre Católica (JAC), Xisto Pereira, Lucenor Barros e Raimundo Muniz, então presidente da JAC. Após uma reunião entre eles, surgiu a ideia de reunir esses dois grupos folclóricos. Naquela época, as brincadeiras estavam com baixa popularidade, sob pretexto de que os Bois eram para os pobres. A criação do Festival foi, então, um divisor de águas na história dos Bumbás, que aos poucos retomaram sua popularidade.

FOLCLORE Concurso Casal de Noivo, Rainha Junina e Rainha da Diversidade de Rondônia

A Associação União Junina Portovelhense – UNAJUP em pareceria com a Federon, vai nrealizar no próximo dia 8 de julho, os Concurso: Casal de Noivo. Rainha Junina e Rainha da Diversidade.
Os grupos de quadrilhas filiados a Unajup já podem solicitar inscrição na sede da Federon na Cidade da Cultura (Parque dos Tanques) com o presidente Delídio.
O Casal de Noivo e a Rainha da Diversidade vencedores do concurso, vai representar Rondônia no Festival Nacional que será realizado no dia 21 de julho no Piauí.
A Rainha Junina eleita representará Rondônia no Festival Nacional que será realizado em Manaus (AM) no dia 26 de julho, ambos sob a coordenação da Confederação Nacional de Quadrilhas – CONFEBRAQ.
Segundo a coordenação da Unajup o evento conta com o apoio da prefeitura de Porto Velho através da Funcultural. Os vencedores além da premiação em troféus e faixa ganham passagem e estadia nos locais das disputadas nacionais. “Nossos representantes sempre que participam do Festival Nacional da Confebraq conseguem boa classificação, inclusive nossas delegações são esperadas com grande expectativa, pois sempre apesentamos novidades espetaculares”, disse Delídio.

Vale salientar que o Concurso Nacional tanto do Casal de Novo, Rainha da Diversidade e Rainha Junina acontecerão antes do início do Arraial Flor do Maracujá em Porto Velho. “Quer dizer que om público vai assistir no Flor do Maracujá, quem sabe, os melhores do Brasil”, confirmou a secretária Mary Cianne.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Lenha na Fogueira - 22.06.18



Amanhecendo com os nervos a flor da pele, tudo por conta do jogo Brasil X Costa Rica. Não foi fácil dormir, pois a tensão é tanta, que nos tira o sono. Espero que quando o amigo leitor estiver lendo essa coluna, o Brasil já esteja ganhando.
*********
Meu palpite é 3 X 0 a favor da nossa seleção, que hoje vai jogar com o uniforme número 2, portanto na cor azul. Azul a cor da sorte. Vamos nessa Brasil!
*********
Esta coluna está sendo escrita antes do jogo da Argentina X Croacia e depois da eliminação do Peru. Não teve Guerreiro que desse jeito, o Peru foi eliminado.  Na realidade, não foi a França quem eliminou a seleção dirigida pelo Gareca. A desclassificação aconteceu com a derrota no primeiro jogo, quando ele não colocou o Paolo desde o início.
*********
Os torcedores anti Flamengo tão dizendo, que o Peru só foi eliminado, porque o Guerreiro jogou “Limpo”. “Não entendi a colocação da palavra Limpo”.
********
Bom, o certo, é que hoje noventa e nove por cento da população brasileira acordou mais cedo, para se preparar para assistir o jogo Brasil X Costa Rica. É uma partida de vida ou morte.
********
Das seleções sul americanas, até agora, apenas o Uruguai está confirmada na próxima fase, mesmo que a Argentina tenha vencido o jogo de ontem, depende do último jogo para confirmar sua classificação.
*********
Ontem 21 de junho, festejamos 48 anos da conquista do Tri Campeonato Mundial cuja final aconteceu no estádio Azteca no México. Naquele dia, nossa turma, ou como era conhecida, “A Turma do Muro do Bar do Canto” como vinha acontecendo em todos os jogos se reuniu, só que de uma forma “organizada”.
*********
Lembro que fazia parte da turma Eu, Narciso Freire, Leôncio Rodrigues, Carlos Binho, Gilson, Hilton e Mado todos da família Macedo Dias, além do Luiz Simplício, Raimundo Serrati, Bolacha, Ivan Veloso, Garcia, Enoque, Chiquinho entre outros. O Muro ficava entre o Bar do Canto e a residência do Pedrinho dono do Bar do Canto e nesse espaço existia uma vila de apartamentos, onde morávamos com minha Mãe dona Inez. A turma se organizou, comprou muita carne, foguete e bebida de tudo quanto era jeito. Só entrava para o quintal, quem havia colaborado com certa quantia em dinheiro. Tudo muito bem “organizado”.
********
Na hora do Hino, minha mãe foi convidada para hastear a bandeira Brasileira num mastro que colocamos, com aproximadamente cinco metros de altura. Todo mundo perfilado em respeito a nossa Bandeira,
*********
Muitos quando viram aquela organização e principalmente muita comida e bebidas, queriam porque queriam entrar e o porteiro Eleon Macedo barrava.
*********
Brasil Tri Campeão do Mundo e saímos em carreata pela Carlos Gomes, entramos na Presidente Dutra e pegamos a Pinheiro Machado até então, a única rua asfaltada em Porto Velho.
*********
Só sei que quando dei por mim, estava em cima da capota (teto) de uma Rural Willians de onde terminei por cair no meio da Pinheiro Machado e fui resgatado em coma Alcoólica pelo amigo João Dalmo (me contaram depois).
*********
Tive tanta sorte que não sofri um arranhão se quer. Por volta da meia noite, me acordei embaixo de uma mesa no restaurante “Tapajós” anexo do Bar do Canto. Foi uma festa pra ninguém botar defeito. Brasil Tri Campeão do Mundo.
********
Depois festejei o Tetra em 1994 e já não bebia e o Penta em 2002. Espero festejar o Hexa este ano. Se Deus quiser, vou festejar com todos os brasileiros mais um título mundial neste ano de 2018.
********
Esperamos que Neymar e companhia saibam honrar a camisa da seleção brasileira. Hoje nosso uniforme é azul. Que o céu de todo o Brasil se transforme em azul e nosso time vença esse confronto com a Costa Rica. Vamos nessa BRASIL!