terça-feira, 7 de abril de 2015

MOSTRA SESC RONDÔNIA DE MUSICA

Diálogos instrumentais e bumbá no Sesc Música

Foto de Roni Carvalho
A programação da 12ª edição da Mostra Sesc Rondônia de Música, apresenta nesta quarta feira 08, os espetáculos: “A História do Boi Bumbá em Porto Velho” com o amo do boi Corre Campo Silvio Santos e grupo de dança, que vai se apresentada na quadra da Escola José Vicente Salazar às 9 horas e o show musical “Diálogos Instrumentais” com o grupo Chorões do Madeira, Mauro Araújo, Rodolfo Bártolo, Alex Almeida e Quarteto Gaia, Telêmaco e Grupo, Bira Lourenço e Catatau (Sons de Beira) e Walber do Bandolim e Grupo Espinha de Pirarucu.
O grupo do Silvio Santos representante do Boi Bumbá Corre Campo vai mostrar no estilo “Contação de História”, como foi que a brincadeira chegou a Porto Velho. “O jornal Alto Madeira publicou em 1920 a seguinte nota: ‘Hoje dia de São João um grupo de jovens vai apresentar na Vila de Santo Antônio a dança do Boi Bumbá Sete Estrelas”, essa e outras histórias em forma de toada será passada para os alunos da Escola Salazar hoje de manhã.
A noite, no Teatro 1 do Sesc Esplanada a programação será totalmente instrumental, com apresentações de grupos especializados em vários ritmos como chorinho, jazz e regional. “O Espinha de Pirarucu vai tocar os grandes chorinhos brasileiros e alguns de nossa autoria, mostrando que em Porto Velho os chorões sabem das coisas”, disse Walber do Bandolim. Uma das apresentações que está sendo aguarda com muita expectativa é a do baterista Rodolfo Bártolo.
SERVIÇO
Diálogos Musicais as 19h30
Teatro 1 do Sesc Esplanada.
Classificação livre
Entrada gratuita.

FESTA DO DIVINO NO VALE DO GUAPORÉ

Batelão do Divino sai de Porto Rolim rumo a Pimenteiras 
 
Foto Robson Paiva
A festa do Divino Espírito Santo 2015, começou no último domingo de Páscoa dia 5, com o “Batelão do Divino” largando da localidade de Porto Rolim (Rolim de Moura do Guaporé) no Rio Mequéns, rumo à cidade de Pimenteiras D’Oeste onde deverá chegar no dia 14 de maio.
A Festa do Divino no Vale do Guaporé está completando 121 anos, sendo a única no Brasil que acontece via fluvial. A tripulação do Batelão do Divino é formada pelos Remeiros, Cantores, Mestre e Guardião dos Símbolos, durante a peregrinação, visita 50 comunidade ao logo do rio Guaporé e afluentes pelo lado brasileiro e pelo lado boliviano.
Apesar de ter começado oficialmente no último domingo, a Festa só alcança o ápice, quando o Batelão chega à localidade que vai realizar a festa até o dia de Pentecostes. “A Coroa e o Mastro chegam a Pimenteiras pelo menos cinco dias antes da festa de Pentecostes quando se levanta o Mastro que será derrubado Domingo de Pentecostes. O devoto ao chegar à localidade onde a festa está acontecendo, não tem que se preocupar com despesa de hospedagem e alimentação, pois a tradição diz que todo Devoto que prestigia a Festa é convidado da Irmandade do Divino.
Foto Robson Paiva
A festa chegou ao vale do Guaporé em 1894, porém só foi regulamentada pela diocese de Guajará Mirim em 1930 quando Dom Xavier Rey normatizou a romaria.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

LENHA NA FOGUEIRA TERÇA FEIRA DIA 07.04.15

Férias, que férias! Meu amigo Cal que o diga como é gozar férias na atual situação brasileira e ainda por cima, com a “Enchente” do Rio Promovida e divulgada pelos quatro cantos do “mundo”. “Enchente pra inglês vê”!

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Salve, salve o inicio do ano de 2015, depois de mais um feriadão “da Semana Santa”, quando o que mais se viu, foi a fumaça preta cobrindo o céu não apenas da cidade de Santos no litoral paulista, mas, cobrindo todo o Brasil com tanta fuligem que tentam esconder debaixo do tapetão, para que a “Correnteza da Lava Jato”, não leve para os porões da Praça dos Três Poderes.

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Salve o ano que “começa”, com a prefeitura de Porto Velho fingindo que está tratando o nosso patrimônio histórico com dignidade e os dirigentes daquela entidade que luta por sua preservação, com certeza, fingindo que acredita.

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Salve o ano que “começa” e nos faz descobrir que a nossa querida Porto Velho é a terra onde é Melhor DESTRUIR que PRESERVAR.

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Por exemplo: Você já viu, ouviu ou assistiu o governo municipal ou estadual, inaugurando ou entregando alguma obra construída para amenizar o prejuízo sofrido pelos atingidos pela ENCEHNTE do Rio Madeira de 2014?

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Mas, com certeza pode ver a hora que quiser, o CAMELODROMO destruído, o GALPÃO DA FEIRA DO AGRICULTOR destruído. O MERCADO DO PEIXE destruído. A PRAÇA DA MADEIRA MAMORÉ abandonada, sem iluminação, sem limpeza, sem nada.

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Com certeza se você não viu, pode ver, a qualquer momento, AS PEÇAS DO MUSEU DA EFMM até hoje todas enlameadas e o que é pior, “jogadas” num local não adequado. Aí vem a prefeitura e divulga uma nota, como se fosse a dona da “cocada preta”, se orgulhando de ter levado alguns ferroviários pra VÊ as peças amontoadas e sem nenhuma garantia de que um dia voltarão para o local de onde nunca deveriam ter sido tiradas.

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Para eles é melhor acabar com o Museu do que preservá-lo patrocinando a sua recuperação. É uma esculhambação generalizada e o pior, é que o IPHAN, o Exército e o raio que os parta, concorda com essa aberração.

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Por outro lado, até hoje, nada fizeram para amenizar os prejuízos causados aos ribeirinhos atingidos pela enchente do Rio em 2014.
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Em vez de procurarem recuperar por exemplo o Distrito de São Carlos, iludiram sua população dizendo que vão transferi-la para uma nova localidade do outro lado do Rio.

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É bem melhor destruir o que o povo construiu em anos e anos de cultivo, transferindo sua moradia para outro local, do que ajudar na manutenção da localidade, que é muito mais velha que Porto Velho.

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E as casas populares prometidas no ano passado (2014) que até agora não foram entregue? Nem falei de Nazaré e Calama.

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Você já ouviu dizer que estão trabalhando num projeto para restaurar ou recuperar o          BAIRRO DO TRIANGULO o mais antigo bairro de Porto Velho? E nem vai ouvir tão cedo!
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O negócio da Defesa Civil é dizer que o Rio Vai encher de novo e que por isso não pode fazer nada, a não ser, tirar as famílias das áreas de risco.
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Vem cá! Teve o desfile das Escolas de Samba de Porto Velho?

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Disque vai ser em Julho. Tu acreditas mano? Pois eu não! “Entonce!”
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Com tudo isso, amo essa terra de coração! Não tem diabo que me faça falar mal dela, nem político ruim vai conseguir isso.

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E isso tudo é só porque o ano de 2015 está apenas começando e pro meu azar, só volto a tirar férias e quem sabe, consiga gozá-las em 2016.

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No mais, espero que todos tenham ótimos resultados em seus empreendimentos neste ano que começou após a Semana Santa.

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A Defesa Civil avisa: VEM AÍ O REPIQUETE DA SEMANA SANTA!

sábado, 4 de abril de 2015

História do Surgimento da Rádio Caiari

Maria Auxiliadora Lobato Ugo


Bispo denuncia e Vitor Hugo vai preso

O livro de nossa autoria “A verdadeira história do surgimento da Rádio Caiari' como se diz na gíria jornalística, está no prelo aguardando os últimos ajustes para ser publicado.
Ao revisar a entrevista do Osmar Vilhena encontramos um episódio que nos chamou a atenção e nos levou a colocar na pauta, uma conversa com a viúva de Vitor Hugo Maria Auxiliadora Lobato Ugo. Acontece que em determinado trecho da entrevista com o Osmar, ele fala que “a Auxiliadora me procurou pedindo ajuda no sentido de contratar advogados para cuidar do processo que culminou com a prisão do  Padre Vitor pela Policia Federal”. Como Osmar não entra em maiores detalhes a respeito do assunto, resolvemos procurar a viúva para saber o que realmente aconteceu.
Para nossa surpresa, ficamos sabendo, que o então Bispo Auxiliar da prelazia de Porto Velho Dom Antônio Sarto, exigiu que Vitor Hugo lhe pagasse pró-labore sobre os rendimentos auferidos pela rádio Caiari, maiores que o do Bispo titular Dom João Batista Costa, reivindicação negada por Vitor Hugo. A intriga chegou ao ápice quando Sarto descobriu que Vitor Hugo era o responsável pela distribuição para famílias carentes, de uma verba (bolsa),  que vinha dos Estados Unidos da América. “Dom Sarto queria que esse recurso fosse administrado por ele, coisa negada por Vitor”.
Maria Auxiliadora Lobato Ugo nessa entrevista, conta com detalhes os fatos que culminaram com a prisão pelo Regime Militar do então padre Vitor Hugo o fundador da Sociedade de Cultura Rádio Caiari.

ENTREVISTA


Zk – Como foi que você conheceu o então padre Vitor Hugo?
Auxiliadora – Meu nome é Maria Auxiliadora Lobato Ugo!  Na realidade, conheci o padre Vitor Hugo quando ele atuava como Capelão na Capela de Nossa Senhora Auxiliadora em Humaitá e eu estudava lá isso em 1954/55, só que a gente não tinha grande aproximação. Com 15 anos de idade, vim morar em Porto Velho e casei com o João Henrique. Esse casamento durou apenas seis anos. Um belo dia fui convidada para ir ao Colégio Maria Auxiliadora para participar de um retiro espiritual e o Vitor Hugo era o pregador do retiro.
Zk – E então?
Auxiliadora – Ele percebeu que eu estava triste e perguntou o que estava acontecendo, contei que estava passando por um problema muito sério, pois meu casamento estava acabando e tinha quatro filhos pequenos. Foi então que ele falou: “Vai lá na rádio Caiari comigo pra gente conversar!”. Fui à rádio acompanhada da minha mãe. A intenção era que ele nos orientasse naquele momento difícil. Vale salientar que apesar de estar separada do João Henrique ainda dependíamos muito dele, pois ele ganhava muito bem como funcionário do Banco da Borracha (hoje BASA). Pedimos ao padre que conversasse com ele. Os dois se davam muito bem, já que Vitor Hugo tinha sido seu professor no colégio Dom Bosco e mais, o João cantava nos programas de calouros da rádio Caiari.
Zk – E o que resultou essa conversa entre Vitor Hugo e João Henrique?
Auxiliadora – Após essa conversa a situação mudou, de simples amiga que foi pedir uma orientação, quando o João Henrique chegou, foi me acusando de ser amante do padre. Começou assim, de uma simples briga de família, isso porque o pessoal falava que o Vitor era namorador. Mesmo assim, para ficarmos, ainda demorou um bocado. O tempo passou até que Dom Antônio Sarto assumiu como Bispo Auxiliar de Dom João Batista Costa.
Zk – E aqui passamos a falar de parte da história da rádio Caiari em especial, do episódio que levou Vitor Hugo a ser preso pela Policia Federal. Como foi que isso aconteceu?
Auxiliadora – Depois de alguns anos como Bispo Auxiliar, Dom Antônio Sarto em 1970 começou a exigir que a rádio lhe pagasse pró-labore já que pagava para Dom João Batista Costa. Vitor estipulou então um pró-labore pra ele um pouco menor que o de Dom João, porém Dom Sarto não ficou satisfeito e fez uma proposta. Ele sabia que os sócios da Caiari eram, Dom João Batista Costa, Vitor Hugo e o padre Filinto que foi embora e passou suas ações para um outro padre que não lembro o nome agora. Sarto queria que o Vitor Hugo tirasse a participação de um desses para lhe dar e o Vitor argumentou dizendo que não podia, porque a sociedade estava constituída e só podia ser alterada se algum dos diretores morresse ou fosse embora da Prelazia e por isso Dom Sarto ficou com raiva e começou a perseguir o Vitor Hugo.
Zk – E tem a história da ajuda do governo americano também?
Auxiliadora – Isso! Em 1972 a briga entre os dois ficou mais acirrada, em virtude de uma ajuda financeira que vinha dos Estados Unidos da América que o Vitor Hugo repassava para cem crianças carentes afilhadas de famílias americanas, cada uma recebia de três em três meses Trinta Dólares e Dom Sarto queria passar a administrar esse recurso também, aí foi que a briga pegou fogo, era o subalterno contra superior. Todos sabem que Vitor Hugo era de caráter forte e passou a questionar o bispo veementemente.
Zk – Qual a decisão do Vitor Hugo?
Auxiliadora – Ele resolveu passar um tempo na Itália e por la ficou durante quase dois anos para esfriar a cabeça.
Zk – E Dom Sarto?
Auxiliadora – Não podemos afirmar se foi Dom Sarto, o certo foi que na ausência do Vitor Hugo nomearam o Irmão Lauro e o Irmão Balduíno (Maristas) como Diretor da Rádio Caiari apesar do Osmar Vilhena continuar como Gerente. Dom Sarto mandou os Irmãos Lauro e Balduíno vasculhar a vida do Vitor Hugo.
Zk – Essa investigação se baseava em qual motivo?
Auxiliadora – Já se falava nos bastidores, que o Vitor Hugo não podia estar a frente da Rádio Caiari e nem da Cetel (Central Telefônica) porque era estrangeiro.
Zk – E era?
Auxiliadora – O Vitor deu uma vacilada e conseguiram encontrar uma falha. Vitor Hugo era italiano naturalizado brasileiro desde os 18 anos de idade, mas, por sua vontade de trabalhar no Brasil – Ele tinha horror à Itália -, fez uma Identificação como brasileiro. Inclusive Dom João Costa concordou com essa atitude. Na investigação Lauro e Balduíno encontraram essa Identidade. Quando Vitor Hugo retornou da Itália estava tudo armado pra ele deixar a rádio Caiari e como ele não cedeu, resolveram denunciá-lo a Polícia Federal. A denúncia partiu de Dom Sarto que se juntou a Dom Décio que era inspetor Salesiano que não procurou o Vitor Hugo para interrogá-lo e em conseqüência, não ofereceu defesa. Eles foram diretos para Brasília e denunciaram no SNI ou foi no DOPS.
Zk – Como foi que Vitor Hugo tomou conhecimento da denúncia?
Auxiliadora – O Coronel Godoy então Chefe do SNI em Rondônia chamou o Vitor Hugo até seu gabinete e mostrou o telegrama vindo de Brasília, eu também li esse telegrama, que dizia que Vitor Hugo tinha quer ser expulso do Brasil Imediatamente. Godoy muito amigo do Vitor Hugo falou: “Vitor eu não recebi esse telegrama, você tem que sair do Brasil agora”, Vitor com a ajuda do Coronel Godoy foi para o Chile onde ficou escondido por quase um ano.
Zk – Escapou da prisão?
Auxiliadora – Em meados de 1973 foi para o Rio de Janeiro onde também ficou escondido num quartinho na República do Líbano e em 1974 ele mandou me buscar aqui em Porto Velho, só então passamos a morar juntos.
Zk – E como foi que ele se saiu dessa enrascada?
Auxiliadora – Passar a morar comigo foi a tábua de salvação dele, o Coronel Godoy mais uma vez orientou: “É só você assumir seu filho com a Auxiliadora que as coisas ficam mais fáceis”, foi então que ele mandou me chamar. Aí começa a parte romântica do nosso relacionamento, ele mandou pra mim através do Osmar Vilhena dois discos do Roberto Carlos e num deles tinha a música ‘Proposta’: (Eu te proponho... não consegue cantar emocionada).
Zk – E a prisão?

Auxiliadora – Passaram os primeiros meses, nossa família morando junta e em julho de 1974, começaram as perseguições, telefonemas anônimos ameaçando. Eu recebi vários telefonemas e a pessoa dizia: “Vitor Hugo é vigarista” e outras citações e eu respondia, se você quer saber quem é Vitor Hugo venha aqui. E eles foram mesmo e levaram o Vitor Hugo preso algemado para o DOPS do Rio de Janeiro onde ficou só uma semana, graças mais uma vez a intervenção do Coronel Godoy que enviou um dossiê da vida do padre Vitor Hugo com os bons serviços prestados à Porto Velho/RO e então ele passou a responder o processo em liberdade.
Zk – Por quanto tempo ele ficou respondendo esse processo?
Auxiliadora – Foram dez anos. Em Porto Velho constituiu os advogados Dr. José Mario e Dr. Fuad Darwich que revisaram o processo e o arquivaram, pois estava prescrito. Essa é a história da ganância do Bispo Dom Antonio Sarto que culminou na prisão do Vitor Hugo.
Zk – Para encerrar, vocês chegaram a se casar de papel passado?
Auxiliadora – Em 1973 ele pediu licença do sacerdócio Cúria Metropolitana da Arquidiocese do Rio de Janeiro e em 1974 passamos a morar juntos. O casamento religioso foi celebrado com missa e as promessas do matrimônio. Foi o último ato religioso presidido por Dom João Batista Costa em 1991. Os padrinhos foram Luiz Tourinho e sua esposa Lígia, Coronel Roberto Franco e esposa Aure Rose, Euro Tourinho e sua esposa Maria e a senhora Bibi Mourão. Não houve comemoração, foi brindado apenas com um bom vinho!

Fotos de Ana Célia

terça-feira, 31 de março de 2015

A brincadeira de Boi Bumbá em Porto Velho e a Revolução de 1964


Ao contrário do que muitos pensam, a brincadeira de Boi Bumbá em Porto Velho, jamais sofreu alguma censura durante o período da Ditadura Militar no Brasil (1964/1985).
Na realidade, os grupos de Bois Bumbás existentes à época, foram proibidos pelo Chefe de Polícia  de saírem de seus currais, em virtude das brigas e até morte que vinham acontecendo com freqüência durante as chamadas “Briga de Boi”.
Vale salientar que essa proibição aconteceu em meados da década de 1970 e não tinha nada a ver com Censura por parte dos Militares.
Já nos anos Dois Mil, postei na minha coluna Lenha na Fogueira publicada no Diário da Amazônia e em vários sites o seguinte:


..No tempo que televisão era só para rico, quando nem se sonhava com a Internet e principalmente com as chamadas redes sociais, nas festas juninas em Porto Velho, principalmente na véspera e dia de São João, as fogueiras e os rojões pipocavam pelos quatro cantos da cidade de Porto Velho.

Até meados da década de 1980, a brincadeira mais popular nas festas juninas era a dança do Boi Bumbá.

Os comerciantes e os empresários mais abastados contratavam grupos de bois bumbás para dançar em frente suas residências.

Naquele tempo, praticamente todas as casas de Porto Velho tinha quintal e ali se acendia a fogueira e convidava o boi bumbá para se apresentar.

Já nos arraiais dos clubes sociais como Ypiranga, Bancrévea, Guaporé, Danúbio Azul e Imperial, quem se apresentava, eram os grupos de quadrilhas, formados em sua maioria, com os sócios presentes à festa.

Na década de 1960 o proprietário do Serviço de Alto Falante “A Voz da Cidade” senhor Fuad Nagib em parceria com o radialista e sócio Humberto Amorim realizava na Avenida Sete de Setembro o Festival Folclórico com a participação apenas dos grupos de bois bumbas.

Os grandes rivais entre os bumbas era o Flor do Campo de Luiz Amaral e o Corre Campo do Galego. Apresentavam-se também os bois Garantido, Fortaleza, Pai do Campo, Brilhamante, Rei do Campo e Malhadinho.

Tinha uma tradição, todos os bois antes desse festival, se apresentavam em frente a casa do Governador (hoje Memorial Jorge Teixeira).

O amo do boi bumbá Flor do Campo Augusto Queixada certa vez cantou em frente a casa do governador os versos em ritmo de toada:

“Eu queria essa beleza, pra ser um homem educado! Eu queria dar um viva ao governador do estado”.
Quando o Brasil foi Tri Campeão do Mundo a toada foi:

“Brasil tri campeão do mundo, Brasil no futebol é o melhor, assim acontece em Rondônia, no festival boi Flor do Campo é o maior”.

Veja que ele usa o termo “estado”, mesmo sendo Rondônia ainda Território Federal.

O grande festival de dança de quadrilha acontecia nas quadras dos colégios.

O mais famoso arraial entre os colégios que naquele tempo eram chamados de “Grupo Escolar”, era o  do Grupo Escolar Barão do Solimões.

Em meados da década de 1970, a brincadeira de boi bumbá em virtude de muitas brigas entres integrantes de grupos rivais, foi proibida, ficando apenas o bumbá “Malhadinho” que ensaiava na rua Princesa Isabel com a Joaquim Nabuco no bairro Tucumanzal.

Foi justamente com a intenção de se resgatar a brincadeira de boi bumbá em Porto Velho que em 1982, a equipe de cultura da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo - SECET resolveu realizar na quadra do colégio Rio Branco a 1ª Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás do Estado de Rondônia...


Nossa intenção ao republicar essa Lenha na Fogueira, é mostrar, que a Brincadeira de Boi Bumbá em Porto Velho, não sofreu nenhum tipo de Censura durante o Regime Militar. Muito pelo contrário foi durante esse Regime que surgiu a Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás e o Arraial Flor do Maracujá com o total apoio do governo do estado de Rondônia que por sinal era o Coronel Jorge Teixeira de Oliveira.


quinta-feira, 26 de março de 2015

A BRINCADEIRA DE BOI BUMBÁ EM PORTO VELHO

A Brincadeira de Boi Bumbá em Porto Velho


O compositor e Amo do Boi Bumbá Nação Corre Campo Silvio Santos mostra, através do espetáculo: “A Brincadeira de Boi Bumbá em Porto Velho”,  como o folguedo chegou a Rondônia em especial à capital Porto Velho.
O espetáculo segue o estilo “Contação de História”, com o Amo mostrando o porquê da existência da brincadeira, intercalando narração com o canto de toadas, de sua autoria em parceria com o compositor Silvinho. Assim se apresentam os principais personagens da brincadeira de Boi Bumbá como:

Nego Chico e Catirina, Rainha do Folclore, Cunhã Poranga, Porta Estandarte e Sinhazinha da Fazenda entre outros e é claro, a evolução do Boi Bumbá.
Sobre o Amo de Boi Silvio Santos – Silvio é Mestre (Griô) de Boi Bumbá reconhecido pelo MinC. Desde criança Silvio aprecia a brincadeira, pois morava nas proximidades do bairro Baixa da União local onde nasceu o Bumbá Corre Campo. Na década de 1980 resolveu ingressar em um grupo o “Tira Prosa” onde passou a integrar a “barreira de Amo”. Em 1994 foi para o bumbá Az de Ouro como Amo e compositor de toadas e em 1997, passou a brincar no Boi Bumbá Corre Campo onde permanece até os dias de hoje.


Silvio é o maior vencedor do Troféu “Galego” (Melhor Amo do Arraial Flor do Maracujá), assim como do troféu “Cabo Fumaça” (Melhor Toada inédita do Arraial Flor do Maracujá) são 15 troféus em cada item.
Boi Bumbá Corre Campo – O Corre Campo nasceu no dia 5 de maio de 1954 na Baixa da União criado pelo Nego Helio. Na década de 1960 passou a ser dirigido pelo Amo Galego.
A família de Antônio de Castro Alves assumiu sua direção no final de década de 1970 e o transformou no maior grupo de Boi Bumbá de Porto Velho.

O público lota as dependências do “Curral de dança” do Arraial Flor do Maracujá todos os anos, para assistir a apresentação do Corre Campo que é conhecido também como “O Gigante Sagrado da Amazônia Ocidental”.
Hoje o bumbá tem como presidente a advogada Maria José Brandão – Dona Branca (viúva de Antonio Castro Alves).


A Brincadeira de Boi Bumbá em Porto Velho


 De acordo com nossas pesquisas, a Brincadeira chegou a Porto Velho no ano de 1920, quando jovens da Vila de Santo Antônio publicaram no jornal O Alto Madeira, nota convidando a população para assistir a apresentação do Boi Bumbá “Sete Estrelas” na noite de São João daquele ano. Assim o Amo do Boi Corre Campo começa a contar a história da brincadeira em Porto Velho num espetáculo musical que com certeza, encantará a todos que o assistirem.

segunda-feira, 2 de março de 2015

HISTORIAS DO MENINO BARRIGUDO

Histórias do menino barrigudo (Saqueiro na Feira)

04/10/2010 - [06:30] - Política

Por Silvio Santos

Saqueieirooo! Saqueieirooo! Assim “Barrigudo” levava a vida na Feira Livre que existiu no local onde hoje funciona o Mercado Central, no quadrilátero formado pelas ruas Farquar, Euclides da Cunha, Henrique Dias e Travessa Renato Medeiros. O grito de saqueieirooo era praticado por todos os meninos que vendiam saco feito de folha de saco cimento na Feira Modelo, esse era o nome da Feira Livre inaugurada em Porto Velho em meado da década de 1950.

Barrigudo começou suas atividades como vendedor de saco, carregador de água para as banqueiras, vendedor de mingau e outras coisas, assim que sua mãe ficou viúva e para sustentar os filhos, colocou banca de venda de comida na Feira Livre que existia em frente ao Mercado Municipal (hoje Mercado Cultural) pelo lado do palácio do governo.
Quando o governo resolveu inaugurar oficialmente o palácio em 1954, a feira foi transferida para um galpão construído no espaço que ficava entre o Clube Internacional (Hoje Ferroviário) e o prédio da Usina que pertencia ao Serviço de Água, Luz e Força do Território Federal de Rondônia - SALFT (hoje é a sede da Ceron/Eletrobrás). A rua existente ali ficou conhecida como rua do Coqueiro hoje é a Euclides da Cunha.
A feira livre naquele local era provisória, pois a prefeitura estava construindo o local definitivo ao lado de uma dos casarões da Estrada de Ferro Madeira Mamoré que ficava nos fundos do recém inaugurado Prédio do Relógio.
Acontece que nesse ínterim, a mãe de Barrigudo, juntamente com outras pessoas, conseguiu licença junto à direção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e construiu uma casa bem em frente da Feira Modelo pela rua Farquar.
A Feira Modelo só funcionava de 5ª feira, ao meio dia de sábado. Quinta feira a tarde chegava o Trem da Feira que vinha com produtos dos agricultores que moravam ao longo da via férrea entre o KM 25 (Teotônio) até Porto Velho. Sexta feira era vez de chegar a Lancha do Beiradão que vinha com os produtos dos agricultores que moravam entre São Carlos e Porto Velho. “A gente pegava carreto para transportar cachos de banana, saco de carvão e outros produtos do trem ou da lancha para a Feira” conta Barrigudo, acontece que no percurso para feira, ele ia tirando banana da palma e deixando no chão, enquanto um comparsa previamente combinado, ia juntando. “Aquelas bananas a gente botava para amadurecer e vendia”. Muito “peralta” Barrigudo não deixava escapar nada. Sempre estava procurando confusão com os meninos que apareciam pela feira. Os comerciantes que tinha boxe sabendo que Barrigudo não enjeitava nenhuma parada, quando viam um menino estranho no pedaço, ofereciam Cinco Cruzeiros (Barão do Rio Branco) se o Barrigudo tivesse coragem de dar um tapa no intruso. Barrigudo não contava conversa, ia lá Pou! Voltava e recebia a grana.
Os quintais das casas daquela vila que ficava em frente à feira pela Farquar, quando era o tempo das praias, nos meses de agosto setembro, eram alugados aos “Condutores” da EFMM para servir de depósito de tartaruga e tracajá que vinha de Guajará Mirim para serem vendidos em Porto Velho. O condutor que alugava o quintal da casa do barrigudo era o Armando Holanda conhecido como “Periquito”. Barriguda durante a noite riscava um palito de fósforo perto do nariz da tartaruga que morria asfixiada. Na manhã seguinte, Periquito chegava e queria saber se alguma tartaruga havia morrido e Barrigudo ia direto naquela que ele havaí asfixiado na noite anterior e então Periquito ordenava que ele jogasse a “bicha” fora. No meio do mato Barrigudo abria o peito da tartaruga e retirava os ovos que eram vendidos na feira.
O menino cresceu, estudou se formou, aprendeu a arte da tipografia nas oficinas do jornal Alto Madeira foi trabalhar como radialista na Rádio Caiari, passou pelos jornais A Tribuna, onde se transformou em Zé Katraca, foi para O Guaporé, Estadão e há mais de vinte anos, é integrante da família Diário da Amazônia e continua Barrigudo!