quarta-feira, 21 de maio de 2014

ALVORAD D'OESTE - O SONHO DE UM PIÁ

Pioneiros – A História de Todos Nós

A festa em comemoração aos 28 anos de emancipação de Alvorada D’Oeste será realizada entre os dias 29 de maio e 1º de junho, durante a 22ª Expoalvo coordenada pela AAPEAL em parceria com a prefeitura de Alvorada e apoio do governo do estado de Rondônia. A entrada será franqueada todas as noites.
A cidade município Alvorada D’Oeste nasceu, graças à admiração que o Piá (menino), João Távora Filho tinha pelo então presidente da República Juscelino Kubistchek, desde quando este anunciou que iria construir Brasília no meio do cerrado mato-grossense. “Um dia vou ter um sítio que futuramente vai ser uma cidade e vou colocar o nome de Alvorada”. O tempo passou o menino cresceu, casou e juntamente com a mulher Zenaide Távora e os filhos Nilton Cezar, Valdir, Maria Regina, Rosenaide e Nádia Paula no dia 13 de agosto de 1974 desembarcou em Presidente Médici então distrito de JI Paraná e abriu uma bicicletaria. “Certo dia chegou o Sebastião Preto e perguntou: Você quer comprar uma marcação? e eu: O que é marcação? Marcação é terra!”. Daí pra frente o sonho do menino, começou a virar realidade.
No dia 3 de abril de 1980 o administrador de Médici Antônio Geraldo da Silva – Toninho Geraldo reuniu com os pioneiros e aprovou o sistema de distribuição dos lotes urbanos e a abertura das primeiras ruas. No dia 22, o governador Jorge Teixeira e comitiva visita o povoado. O nome Alvorada foi idealizado por João Távora, confirmado por Toninho Geraldo e complementado com D’Oeste por Assis Canuto.
O município foi criado através da Lei estadual nº 103, assinada pelo então governador do estado de Rondônia Ângelo Angelim em 20 de maio de 1986.
O governo de Rondônia registra a história de Alvorada D’Oeste, ouvindo para o Projeto “Pioneiros - A História de Todos Nós” João Távora Filho, Zenaide Távora, Joaquim Barbeiro, Joviano e Maria Magdalena.

ENTREVISTAS

João Távora Filho


Aos 11 anos de idade, ele sonhou que um dia teria um sítio que se transformaria em cidade, com o nome de Alvora. João mantém por conta própria o Museu onde entre outras histórias, encontramos ferramentas que faziam parte do Cacaio dos primeiros posseiros. Apesar da sua dedicação à história de Alvorada, jamais foi homenageado pelo poder público da cidade que ajudou a criar. Acompanhe a fascinante história do seu João Távora Filho o idealizador de Alvorada D’Oeste.

Decom/Sms – Vamos a uma breve biografia?
João Távora – Meu nome é João Távora Filho, filiação, João Silveira Távora e Maria Abílio Cavalcante, paulista de Adamantina nascido no dia 15 de setembro de 1944.
Decom/Sms – É verdade que quando o senhor tinha apenas 11 anos de idade, sonhou em ter um sítio que depois seria transformado em cidade, com o nome de Alvorada?
João Távora – Aconteceu, que quando Juscelino Kubistchek decidiu criar Brasília, um de seus seguranças chegou e disse: “Tão dizendo que o senhor é louco”, no que ele respondeu: “Se eu não fosse louco não chegaria à presidência”. Então copiei dele essa atitude, de construir uma cidade no meio do nada, no nosso caso, no meio da floresta, essa decisão, tomei quando tinha apenas 11 anos de idade. O sonho também era colocar na cidade o nome Alvorada em homenagem ao palácio de Brasília.
Decom/Sms – Em que ano o senhor veio pra Rondônia e de onde?
João Távora - Vim de Cidade Gaúcha norte do Paraná perto de Umuarama, Cianorte e Paranavaí. Cheguei a Rondônia especificamente no distrito de Presidente Médice no dia 13 de agosto 1974.

Decom/Sms – E Alvorada?

João Távora – Ao chegar a Médice abri uma bicicletaria e também trabalhava como pintor. Certo dia chegou o Sebastião Alves Néri conhecido como Sebastião Preto e perguntou: “Você quer comprar uma marcação?” e eu: O que é marcação? “Marcação é terra!”. Fica a quantos quilômetros? “É bem aí” (fazendo o gesto com a boca) “52 km e tem que ir a pé com o cacaio nas costas” - E o que é cacaio? Fui indagando sobre tudo, pois de mato não conhecia nada. Para encurtar a conversa, viemos pra cá (Alvorada), marquei esse lote onde estamos hoje e faz parte da cidade e fomos roçando sem experiência nenhuma, éramos o único “pó de arroz” da turma. Em 1979 já com as plantações, o rancho feito, trouxe a família para morar no sítio Alvorada.
Decom/Sms – Para chegar até a primeira turma de alunos, muito água passou por debaixo da ponte. Certo?
João Távora – Farei um breve relato sobre essa história. Na data marcada, saímos de Médici rumo ao km 52: Satilião, Furtuoso, Nelson Preto, Antônio Santos, Zé Carlos Caetano, Zezinho, Chaguinha, Moises Amaral, Epaminondas, Zé Heleno, Pedrinho, Valdo, Arinaldo, Zé Balbino, Joaquim Barbeiro, Satilinho, Tião Preto, João Távora, Joventino, Dalmo, Sebastião, Aristides, Cachimbo de Ouro, Jorge Mariano e Zé Moraes. Quem tinha bicicleta pedalava pela picada aberta pelo INCRA até a 4ª Linha. Já com o cacaio nas costas e guiados pela topografia, percorremos até a 6ª Linha e pernoitamos no “Rancho das Pimentas”. Na madrugada do dia seguinte, após delicioso “Quebra Torto” (café com comida), continuamos e após descansarmos no topo da serra da 6ª Linha, caminhamos até o barraco próximo ao Rio Ricardo Franco (Muqui), jantamos e pernoitamos sobre folhas de coqueiros. Continuamos o trajeto até chegarmos ao barraco do senhor Satilião no km 50. Foram distribuídos os mutirões para cada Marcação e assim a gente ficava. Quando acabava a mercadoria voltávamos para Médice, rever a família, trabalhar para arrecadar mais dinheiro e comprar mercadoria para voltar para a Marcação.
Decom/Sms – O tempo todo fazendo esse percurso a pé?
João Távora – Nessas idas e vindas descobri que o Rio Ricardo Franco era navegável então, convidei o seu Wilson Larson (falecido recentemente) que tinha uma Marcação rio abaixo para me ajudar na exploração do Rio. Na época das chuvas trazíamos mercadorias de barco do Rio Machado até o Rio Ricardo Franco de onde era levada no lombo de animais (burros) até o barraco do senhor Furtuoso. Na estiagem o rio era inavegável.
Decom/Sms – E o sítio Alvorada quando surgiu?
João Távora – Quando resolvi abrir realmente o sítio Alvorada o meu sonho, começamos a roçar e o povo chegava: João Távora você tem mercadoria pra vender? Não, tenho pra trocar em dia de serviço. Quando o roçado chegou a 170 metros mais ou menos, admirei uma árvore com o tronco muito grosso e perguntei que árvore é essa? Isso é um Angelim! E eu disse, aqui temos a primeira serraria de Alvorada e os companheiros: Serraria de Alvorada, só porque o sítio dele é Alvorada vai ter uma serraria? Quase no final do lote, uns 540 metros, me deparei com outra árvore grossa e perguntei pro seu Epaminondas (falecido), que árvore é essa? É um Mogno! E disse, isso aqui vai ser para construir a igreja católica... Igreja católica no meio da mata, esse baixinho tá pirando, comentavam os cacaeiros. Nesse interim, consegui duas tábuas de madeira, coloquei justamente onde hoje é o semáforo no centro da cidade, e escrevi: “Breve neste local, Sítio Alvorada” pintei também o símbolo de Brasília.
Decom/Sms – E a cidade propriamente dita como começou?
João Távora – Ganhei a confiança dos companheiros e vendo a dificuldade de todos, no dia 5 de agosto de 1979, os convidei para uma reunião no sítio Alvorada isso consta em Ata, e durante a reunião falei: Gente, to vendo a dificuldade que passamos em ter que ir à Médici fazer compras, vamos abrir uma clareira nos quatro lotes iniciais da Linha 52, para iludir comerciantes a virem pra cá e acabar essa nossa dificuldade. Nomeamos do senhor Arinaldo Alexandre dos Santos como chefe do desmatamento, fui escalado pra pedir esmola, para comprar mantimento e gasolina, que aqui não tinha, para poder abrir as quatro quadras. No terceiro dia do desmatamento seu Arinaldo desistiu e o Santilinho assumiu o comando e começou a distribuição de terra urbana. Cada requerente pagava a importância de 200 Cruzeiros por cada documento.
Decom/Sms – Clareira aberta e os lotes negociados e depois?
João Távora – De Ji-Paraná, não lembro se ainda era Vila Rondônia, começaram a vir em botes, jerico com carretinha atrelada, Médicos para fazer consultas e distribuir remédios, assim como comerciantes começaram a se instalar. Quando fomos iniciar a cidade, convidamos o Padre Romano que veio de Ji Paraná a pé até a linha 52 e rezou no dia 21 de janeiro de 1980 a 1ª Missa Campal e ainda fez o casamento de Arnaldo e Maria Vilma e mais quatro batizados, além de colocar a pedra fundamental da futura Matriz de Alvorada.
Decom/Sms – Como o INCRA entra na história de Alvorada?
João Távora – Quando fui pra Ji Paraná juntamente com o Toninho Geraldo que era o administrador de Médice, visitar o prefeito Assis Canuto. Pedi pra ele (Canuto), fazer a vistoria do INCRA em Alvorada e ele ligou pro Doutor Josemar e disseram que haviam feito marcação em Alvorada e eu disse que não, - Porque o senhor diz que não houve a marcação? Porque moro lá!. Então fomos conversar com o Josemar eu, Toninho Geraldo, seu Jovelino e o seu Otávio Dourado. Quem é João Távora perguntou o Dr. Josemar, sou eu! O senhor disse pro Dr. Canuto que não fizemos vistoria, você tem certeza? Tenho! Aí vieram os técnicos e após nossa afirmação, foram escaladas duas pessoas para fazer o trabalho. Isso foi em 1.977.
Decom/Sms – Qual o seu relacionamento com o governador Jorge Teixeira?
João Távora – O gabinete do Teixeirão era dentro do helicóptero, e o chão que ele gostava de pisar era em cima de tambor de combustível para ser ouvido pelo povo. Ele conhecia todos de Alvorada pelo nome. No dia 22 de abril, ele desceu do helicóptero numa clareira que a gente fez. Fomos lá e me identifiquei e ele então me disse: “Deus guia os pioneiros cacaeiros de caráter, na frente, depois de tudo pronto, o diabo tange os ratos atrás”.
Decom/Sms – Quem foi o primeiro prefeito eleito de Alvorada?
João Távora – Arnaldo Xavier de Oliveira que teve como vice o Wanderlei Rocha Rodrigues para um mandato de dois anos. Acontece que quando foram criar Alvorada não aceitamos que fosse distrito, então criaram como Núcleo de Apoio Rural – NUAR.
Decom/Sms – E a emancipação política aconteceu quando?
João Távora – O Projeto de Lei de emancipação do Município de Alvorada D’Oeste é de autoria do deputado estadual Gersi Badocha. O município foi criado através da Lei estadual 103, assinada pelo então governador Ângelo Angelim no dia 20 de maio de 1986.
Decom/Sms – Criado o município o prefeito eleito e empossado assim como os vereadores! João Távora o idealizador de tudo, foi contemplado pelo menos com uma placa de reconhecimento?
João Távora – Quando o Teixeirão disse que os ratos tomariam conta estava certo. No primeiro mandato veio um pessoal do Sul e tomou conta da cidade por 26 anos, enterraram a cidade, não deixaram Alvorada se desenvolver, só o bolso deles.
Decom/Sms – Vamos começar a encerrar essa conversa. Estamos vendo que o senhor montou um Museu com a história de Alvorada. Conte de onde surgiu essa ideia?
João Távora – Estava eu e meu sogro conversando lá em Cidade Gaúcha (PR) já de saída para Rondônia, quando chegou uma professora e disse, pro meu sogro, seu Antônio vim aqui pro senhor contar a história de Cidade Gaúcha e ele respondeu, “sou vereador, não sei contar a história de Gaúcha”. Foi então que vi que a história de uma cidade era e é muito importante. Lembrando disse montei o Museu. Hoje muitos alunos vem aqui fazer pesquisa, é um ponto turístico do município.
Decom/Sms – O senhor já foi homenageado pelo poder público como Pioneiro de Alvorada e de Rondônia?
João Távora – Jamais! Tem esse bairro onde moro, que o povo colocou o nome de “João Távora” já tentaram trocar, mas como já existe CEP essas coisas todas, deixaram.  Quanto ao Museu é mantido com recursos oriundo do aluguel de alguns imóveis que tenho. Oito prefeitos de Alvorada e nenhum nunca se preocupou e nem quer saber se tem um Museu na cidade, nem o Secretário de Educação de Alvorada conhece o Museu.
Decom/Sms – Para encerrar. Gostaríamos de em nome do governo do estado de Rondônia de parabeniza-lo por ter tido a ideia de criar uma cidade no meio da floresta. O senhor é quem merece todos os parabéns no dia do aniversário de 28 anos de emancipação de Alvorada D'Oeste!


Zenaide de Souza Távora

A primeira escola de Alvorada foi criada por ela que também foi sua primeira professora: “A escola era de pau a pique, o quadro negro uma tábua e o giz era carvão”. Dona Zenaide se diz muito orgulhosa por ter contribuído com o desenvolvimento de Alvorada D’Oeste.

Decom/Sms – Primeiramente diga seu nome completo?
Zenaide – Antigamente era Zenaide de Souza Távora, depois que me separei ficou Zenaide Rodrigues de Souza, mas, põe Távora que todo mundo conhece.
Decom/Sms – Agora vamos a sua história em Rondônia?
Zenaide - Vim para Rondônia em 1974. Chegamos a Presidente Médici e o João montou uma bicicletaria e eu era doméstica, como a carência de professores era muita, uma amiga me convidou para dar aula, então fui assinar contrato como professora em Porto Velho. Devo esclarecer que tinha apenas a 7ª série. Após seis meses, fui fazer um curso em Ji Paraná ministrado pelo Irineu.
Decom/Sms – Quando seu marido decidiu se embrenhar na mata com a finalidade de abrir um sítio, a senhora concordou ou não?
Zenaide – Quando ele resolveu abrir o sítio Alvorada, disse, vamos que te ajudo financeiramente. No inicio ele ia apenas com os cacaeiros depois, já com o Sítio aberto, decidiu pela nossa mudança de Médici para lá. A gente colocava as mercadorias no cacaio de uma mulinha e seguia a pé ao lado. Muitas vezes a gente dormia na mata. Para espantar as onças que geralmente rondavam nosso acampamento, fazia uma fogueira. Quando chegava ao Rio Muqui (Ricardo Franco), soltava a mulinha e ela atravessava, o problema era quando a bicha empacava no meio do rio, era verdadeiro sufoco. Durante três anos a gente fez o percurso de Médici a Alvorada a pé pelas “picadinhas”, depois foi que vieram as rabetas (voadeiras).
Decom/Sms – Quando vocês passaram a morar no sítio Alvorada segundo consta, a senhora abriu uma escola. Fale sobre a história dessa escola?
Zenaide – O sítio Alvorada era na mata, então fomos abrir a escola lá no Km 47,5 no sítio do seu Antônio. Reunimos os pais e eles construíram a escola de “pau a pique”, as carteiras eram de madeira bruta e o quadro negro era uma tábua e o giz carvão. Depois viemos para o centro do povoado que estava a cada dia crescendo mais. A primeira escolinha foi onde hoje está a agencia dos Correios aí o Irineu falou, Zenaide é preciso dar um nome pra essa escola, então sugeriu, vamos colocar o nome de Escola Santa Ana. Essa escola existe até hoje funcionando em outro local, mas, com o mesmo nome. Eu dava aula para alunos da 1ª até a 4ª série, tudo na mesma sala. Foram três anos como a única professora. Depois veio a Toninha e a Luzinete Cardoso ambas aposentadas hoje. Muito depois vieram Paulo Rozo, Matilde, Araci e outros. Era o ano de 1981.
Decom/Sms – A senhora quer falar sobre a merenda servida aos alunos?
Zenaide – A gente levava um caldeirão e fazia uma fogueira no terreiro e cozinhava abóbora, quiabo e milho verde. A chamada mistura era carne de Anta. A gente lavava bem levadinha colocava vinagre, temperava, colocava na panela fechada pra pegar o gosto, depois fazia um refogadinho colocava água e misturava os ingredientes. O arroz era colhido aqui em Alvorada e vinha na palha, a gente socava no pilão e preparava.
Decom/Sms – Quais as grandes dificuldades que a senhora enfrentou como professora naquele tempo em Alvorada?
Zenaide – O grande problema eram as vicinais que a gente tinha que enfrentar até Ji Paraná a pé. Essa situação durou até 1982. Quando chegava o dia 20 do mês de novembro pegávamos o diário, plano de aula, as provas dos alunos e levávamos para a supervisora da Seduc dar o visto lá em Ji Paraná. Tinha um detalhe, caso alguma coisa estivesse errada, você tinha que consertar, muitos professores voltavam as suas localidades para ajeitar eu corrigia o erro lá mesmo. No dia 24 de dezembro, sai de lá e chegava em casa com o dia 25 amanhecendo.
Decom/Sms – Sabemos que os sítios ficavam uns distantes dos outros. Como é que vocês se comunicavam em caso de alguma urgência?
Zenaide – Tem umas histórias interessantes aqui. No dia que aconteceu a fundação da cidade, veio o Assis Canuto e o Toninho Geraldo que era o prefeito de Presidente Médici. Um compadre havia prometido: “O dia que Alvorada virar uma cidade, vou matar uma vaca e dar carne pra todo mundo”. A cidade cresceu e até hoje a vaca dele não apareceu.  O seu Joaquim Barbeiro foi quem matou uma Anta e juntamente com outros preparou a carne, que foi servida para o povo comer durante a festa.
Decom/Sms – E a comunicação?
Zenaide – Quando uma pessoa adoecia, ou alguém queria comunicar alguma coisa, pegava o Berrante e tocava. Quando a gente ouvia o Berrante era porque alguém estava precisando de alguma coisa.
Decom/Sms – A gente sabe que o professor no Brasil é muito desvalorizado. No seu caso que foi a primeira professora de Alvorada, olhando para trás, valeu a pena ter se dedicado a educação em Alvorada D’Oeste?
Zenaide – Valeu sim! Aliás, ainda me sinto professora e sinto muito orgulho de ter contribuído com o desenvolvimento de Alvorada D’Oeste, se fosse preciso, começaria tudo de novo. Pela passagem de seus 28 anos de emancipação desejo PARABÉNS!


Joaquim Barbeiro

Foi ele que matou a Anta cuja carne, foi servida no dia que o administrador de Presidente Médici Toninho Geral e o prefeito de Ji-Paraná Assis Canuto, aprovaram a distribuição dos lotes urbanos. “Esse dia ficou como a data da fundação da cidade de Alvorada”. Joaquim lamenta a falta de empreendimentos empresarias no munícipio. “Tinha que ter uma indústria aqui  nem que fosse de peixe, pra segurar o povo”. Além da história da Anta, Barbeiro lembra a mulinha – “Salvação de João Távora”.


Decom/Sms – Como é realmente o seu nome completo?
Joaquim Barbeiro – Joaquim Lopes dos Reis. Nasci no dia 10 de novembro de 1939 em Minas Gerais. Vim pra Rondônia em 1971 justamente onde hoje é o município de Presidente Médici. As datas ali eram muito baratas na época. Deixa contar desde o começo: Sai de Minas Gerais parei em Marília, fui pra Dracena onde casei com a idade de 16 anos, fui pro Mato Grosso tocando lavoura, já com seis filhos, foi quando um senhor falou pra mim, que em Rondônia o governo estava dando 42 alqueires de terra. Aquilo foi uma loucura. Vendi tudo que tinha, peguei carona numa mudança, joguei os meninos dentro e vim embora. Parei em Médici que diziam, era um cocheiro do Zé Milton Rios outros falavam que era “Pela Jegue”, nesse tempo entraram os topógrafos pra tirar a Medição até Costa Marques e nós entramos junto, era muita gente,
Decom/Sms – No rumo de Costa Marques ou de Alvorada?
Joaquim Barbeiro – Foi assim, quem tinha mais dinheiro pegou lote, ali da quarta Linha pra trás. Sobrou pra nós do Rio Muqui pra cá, onde estava o João Távora e os demais companheiros.  O João Távora ficou ali mesmo onde foi o motor da Ceron e eu fiquei na esquina da 56. Essa cidadezinha não era aqui, o projeto dela era lá no São José. Nós então reunimos e falamos pro João Távora: Você que é mais chegado com o governo fala pra ele mudar esse negócio pra frente. O João conversou com eles e mudaram o projeto para o local que a gente queria.
Decom/Sms – E?
Joaquim Barbeiro – Chegou o Toninho Geraldo administrador de Médici e eu estava plantando um café e ele disse; Olha seu Joaquim, não quero nenhuma casa cercada de coqueiro na principal e nem coberta de tabuinha... Respondi, mas como é que a gente vai fazer uma casa de tábua e como vai cobrir com Brasilit se isso não existe aqui, fiquei desgostoso e vendi aquela data por 110 Mirreis.
Decom/Sms – Fale sobre a história dos cadernos dos seus filhos?
Joaquim Barbeiro – Naquele tempo, não havia sacolinha de plástico. Então no tempo da chuva eu cortava aquelas folhas de banana do mato, pegava os caderninhos dos meus filhos enrolava naquela folha e recomendava, quando vocês chegarem à escola, guarda essa folhinha pra quando voltar enrolar os cadernos. A professora era dona Zenaide. Cada dia era uma folha de bananeira, foram quase dois anos nessa luta.
Decom/Sms – E a história da Anta que a mula do João Távora não aguentou carregar?
Joaquim Barbeiro – Levantei e estava bebendo água quando vi aquela Anta do outro lado, eram os primeiros dias da gente aqui, os companheiros já haviam partido na frente pra roçar a clareira onde seria a cidade. Peguei a espingarda mirei bem e atirei e matei a bicha. Tentamos colocar a Anta no lombo da mulinha do João Távora e ela não aguentou o peso, foi preciso a gente cortar a Anta no meio. Fizemos uma coivara, justamente onde hoje é o semáforo no centro da cidade e assamos a carne, era o povo roçando e comendo carne de Anta, aquele dia ficou marcado como a inauguração da abertura da cidade de Alvorada e estava o Assis Canuto e o Toninho Geraldo.
Decom/Sms – Como é a história da mula do João Távora?:
Joaquim Barbeiro – Foi Deus quem mandou aquela mula pra ele, porque o João não iria aguentar um cacaio nas costas de Médici até aqui. No tempo da Companhia Basevi quando morria alguém era preciso acender fogo pra fazer fumaça e chamar a atenção para vir o helicóptero pegar o cadáver. Certa vez acenderam o fogo e eles vieram e não viram a fumaça o jeito foi arrumar o morto que era muito grande, em cima da mulinha do João, foi aquele sufoco, o cadáver arrastando os pés e a gente tocando a mulinha, quando chegamos perto do Rio Muqui o helicóptero da Basevi viu a gente, baixaram ali mesmo pegaram o defunto e levaram para Ji Paraná.
Decom/Sms – O que o senhor tem a dizer para a juventude quando Alvorada completa 28 anos de emancipação.
Joaquim Barbeiro – Meus parabéns para Alvorada D’Oeste em especial, para as crianças, elas precisam saber que fomos nós que abrimos a cidade e nós para elas somos exemplo porque somos idosos e conhecemos o sofrimento que deu construir isso aqui.
Decom/Sms – O senhor é casado com quem?
Joaquim Barbeiro – Com a dona Arminda Rosa Durães Reis que está em São Paulo se tratando de câncer. Temos 10 filhos, nove homens e uma mulher.
Decom/Sms – Vamos encerrar com a história do seu neto?
Joaquim Barbeiro – Esses dias, a professora perguntou pra ele quem abriu Alvorada e ele não soube responder. Aí chegou em casa e veio comigo: Ei vô a professora perguntou quem abriu a cidade de Alvorada e eu não soube dizer. Quem foi vô? Uai você não sabe que foi eu! Foi o senhor vô!

Joviano e Maria Magdalena



Nem mesmo morando no perímetro urbano de Alvorada D’Oeste o casal Joviano e Maria Magdalena, deixou o hábito de sitiante: “Moramos num lugar que apesar de ser na cidade, deu pra plantarmos tudo que gostamos, aqui tem tangerina, uva, figo, temos até a guabiroba, acerola, um jardim muito bonito e é isso, terceira idade, aposentado e fazendo o que gostamos”.
Esse casal é Pioneiro de Alvorada D’Oeste!

Decom/Sms – Vamos as identificações?
Joviano – Meu nome é Joviano Magdalena, sou nascido em 18 de fevereiro de 1943.
Dona Maria – Nasci no dia 27 de julho de 1950, meu nome é Maria Aparecida Magdalena.
Decom/Sms – Como foi que vocês vieram parar em Rondônia?
Joviano – Tinha um irmão morando em Médici e sempre ele escrevia, naquele tempo não tinha telefone, e insistia que a gente viesse pra cá, estávamos em 1975 pra 1976. Então vim pra Rondônia, quando a estrada era precária, não tinha um quilo de asfalto.
Dona Maria – A gente tinha quatro filhos, dos quais um faleceu com apenas três anos e os demais até hoje estão vivos.
Joviano – Meu irmão tinha um sítio na 6ª Linha e ele ofereceu se a gente podia ficar um período de tempo naquela terra dele. Ali encontramos uma família abençoada que tinha como patriarca o senhor José Leôncio que nos ajudou muito e as coisas foram melhorando, plantamos feijão, arroz e então resolvemos mudar de vez para a 6ª Linha. Conhecemos o seu Joaquim das Mulas um tropeiro que puxava borracha. Foi quando soubemos que lá pras bandas onde hoje é Alvorada D’Oeste existia um projeto para se criar uma cidade, fomos pra lá e já era no quilometro 52.
Decom/Sms – É verdade que os cacaeiros ficavam receosos com a presença da dona Maria no meio da mata?
Dona Maria – A gente ia numa boa, como amiga, chegava no São José e não tinha nada para passar e o povo derrubava uma árvore fazia a pinguela e a gente passava com o cacaio nas costas. Os homens cuidando da gente e a muriçoca tomando porre de sangue. No Muqui a gente atravessa com a água na altura do peito.
Decom/Sms – Escuto falar muito em Marcação. Uma marcação media quanto?
Joviano – Uma marcação mede 250 X 2000. Começamos plantando macaxeira, mandioca, café, milho um pouquinho de tudo, era tudo manual. Que acontece, em vez de ficarmos na cidade, partimos para o sítio.
Dona Maria – Aí juntou uma turma de Presidente Médici naquele tempo o Toninho Geraldo era o administrador de lá e os posseiros de Alvorada e fizeram o Picadão e então, veio as máquinas arrancando os tocos, nisso veio o governador Teixeirão e lançou a pedra fundamental de Alvorada só, que nessa época, já tinha muito posseiro vivendo da produção de Alvorada.
Decom/Sms – Pelo que estou vendo, vocês hoje moram na cidade e o sítio ainda existe:?
Dona Maria – Acontece que os filhos se formaram, saíram e ficamos só nos dois. Aí a mãe dele adoeceu e veio a falecer e ele foi viajar e eu fiquei sozinha. Precisa cortar cana para dar pro gado, precisava tirar leite, lavar tambor tudo sozinha, os vizinhos eram retirados. Quando ele voltou, no outro ano faleceu um irmão meu em Bauru e tive que ir pra lá. Foi então que resolvemos: Se é pra ficar só nos dois aqui no sítio e até porque não gozamos mais de plena saúde é melhor a gente vender e ir morar na cidade e foi o que fizemos
Decom/Sms – No momento que Alvorada D’Oeste completa 28 anos como município, o que os senhores tem a dizer aos jovens?

Joviano – Quero dizer aos jovens que não desanimem, enquanto estamos insistindo estamos indo pra frente. Hoje quem não tiver estudo, não consegue nada. No mais, deixo nossos parabéns a todos nós de Alvorada D’Oeste!

sábado, 17 de maio de 2014

Pioneiros - A História de Todos Nós

Pagamento de promessa a Santa Luzia dá nome à cidade em Rondônia


8 - santa luzia do oeste
O município de Santa Luzia D’Oeste, que completou 28 anos de emancipação político e administrativa domingo último (11), teve como primeiro nome “Vila Bambu”. O povoado surgiu com o início do movimento de migração interna de colonos do Projeto Integrado de Colonização Rolim de Moura em direção ao Vale do Guaporé.
Em busca de novas terras, os colonos se fixaram em 1978, no cruzamento da Linha 184 com a Linha 45, dando origem ao Núcleo Urbano de Apoio Rural “Vila Bambu”. Mais tarde o povoado seria rebatizado de Santa Luzia pelo então governador Jorge Teixeira de Oliveira em homenagem à Santa protetora dos olhos e que o curara de um “problema de visão”.
Logo o então distrito de Rolim de Moura foi elevado à categoria de ,município com o nome de Santa Luzia D’Oeste pela Lei Estadual n° 100, de 11 de maio de 1986.
A equipe de reportagem do projeto do Departamento de Comunicação (Decom), “Pioneiros – A História de Todos Nós”, entrevistou pioneiros que recontam importantes fatos do processo de colonização da região.
O primeiro prefeito de Santa Luzia, Pedro Lima Paz, é um deles. Segundo Paz, existem os que vieram para Rondônia apenas especular. Esses se deram mal e voltaram para suas terras. Vieram os que queriam apenas conhecer e vieram os que queriam realmente contribuir com o desenvolvimento e aproveitar as terras férteis da região.
 
Decom – Como foi que o senhor veio parar em Rondônia?
8 - pedro lima
Pedro Lima – Era agricultor no interior de São Paulo e viajei como caminhoneiro de 1977 até 1980. De Cuiabá (MT) a Rio Branco (AC) não existia asfalto. Sempre na procura de um local onde a terra fosse fértil. Aí tivemos a informação de que nessa região a terra era das melhores.
Ele conta ainda que desembarcou na antiga “Vila Bambu”, no dia 10 de maio de 1980 e desde então tudo o que tem feito é trabalhar pelo progresso do estado de Rondônia. Em especial pela região de Santa Luzia, conhecida também como Zona da Mata, onde já exerceu dois mandatos de prefeito e um de deputado estadual.
Decom – O senhor diz que chegou aqui solteiro, queimando lata e casou com quem? Ela é rondoniense?
Pedro Lima – Ela é mineira. Veio para cá com 3 anos de idade. Eu solteiro, prefeito, quando estava faltando seis meses para terminar o mandato eu já estava namorando com ela e casei. O nome dela é Mara Santos Silva Paz. Estamos com 25 anos de casados temos três filhos. Casei com 39 anos de idade, perdi esse tempão todo porque tinha medo de casamento. Sou católico.
Decom – O senhor tem ideia por que o governador Jorge Teixeira escolheu o nome Santa Luzia?
Pedro Lima – Ele chegou a “Vila Bambu”, reuniu todo mundo e disse que ali seria erguida a cidade de Santa Luzia, explicando que era uma forma de pagar sua promessa com Santa Luzia que o curara de uma doença na visão. “Então como a terra é fértil vou colocar o nome de Santa Luzia”. Lembra outra justificativa de Jorge Teixeira, no local onde escolheu para morar e onde abriu um comerciozinho na expectativa de arrumar um pedaço de terra.
De Rolim de Moura vinha uma firma tirar madeira, naquele tempo tinha muito mogno e cerejeira na região e eles vieram lá de Vilhena. O madeireiro chamava-se Arlindo Ribelato que vinha trazendo um trator de esteira em cima de um caminhão e nós viemos acompanhando, vinha outra serraria em cima de um FNM. De vez em quando eles desciam a esteira faziam um aterrozinho, fazia uma ponte. Batemos mais dois dias e meio pra chegar a Vila Bambu.
Decom – A conversa tá ficando boa…
Pedro Lima – Vai ficar melhor. Aí fiz a primeira casa coberta com telhas de amianto e de madeira trabalhada. Naquele tempo as casas eram de pau a pique. Assim fui tocando. Muita gente fazia “marcação”, uma espécie de “grilo” (invasão), tenho marcação perto de Nova Brasilândia na 138. A gente ia de Santa Luzia a pé pela picada de 62 km, e arrumamos dez lotes, fizemos a derrubada e veio o Incra cortando. A linha 45 deu fora do eixo e nós perdemos a metade das marcações, de dez lotes de 42 alqueires ficamos com dez de 21. Em 1984/85 fui dando lote pra um, lote pra outro, para o pessoal que vinha do Paraná e Espirito Santo.
Decom – e o senhor veio de onde?
Pedro Lima – Vim do interior de São Paulo, cidade de Mequerobi. Santa Luzia era distrito de Cacoal e na eleição de 1982 eu indiquei o vice-prefeito de lá. Eles queriam que eu saísse, pois souberam que tinha sido vereador e presidente da Câmara na minha cidade. Não aceitei porque vim pra cá sozinho, solteiro e, naquela época, tinha muito bandido, pistoleiro matador de gente. Então pensei, não vou mexer com política e indiquei o gaúcho Carlito Duarte, que ajudou o Josino Brito a vencer a eleição. Ele estava perdendo para o Dr. Adegildo e quando abriram as urnas da Vila Bambu, o Josino obteve 280 votos, ultrapassando  o seu concorrente.
Decom – A politica então passou a fazer parte da sua vida em Rondônia?
Pedro Lima – Adegildo foi eleito prefeito de Cacoal e o vice foi o candidato de Santa Luzia. Em 1983, Rolim de Moura foi emancipado e Santa Luzia passou a ser distrito de Rolim. Em 1984 fui candidato a vereador por Rolim junto com o Valdir Raupp. Fiquei como primeiro suplente, assumi como vereador por um determinado tempo, até que aconteceu a emancipação de Santa Luzia.
Decom – Município de Santa Luzia d’Oeste?
Pedro Lima – A emancipação foi no dia 11 de maio de 1986. Fui candidato a prefeito, éramos cinco candidatos. Fui o mais votado e assumi a prefeitura. O mandato era de apenas dois anos de 86 a 88 para igualar o mandato com os demais municípios.
Decom – Fez o que pelo município?
Pedro Lima – Abri estradas, construi hospital, colégio, rodoviária, posto de saúde. Quando terminou meu mandato fui plantar café. Era cerealista, descapitalizei, tive que ir trabalhar na roça. Quando foi em 1990 chegou o senador Olavo Pires, que queria lançar um candidato a deputado estadual. Foi atrás de mim. Eu não queria, mas como ele insistiu muito, aceitei sair candidato para ajudar. Resultado, naquela eleição a Zona da Mata só elegeu um candidato a deputado estadual que fui eu.
Decom – E o segundo mandato de prefeito?
Pedro Lima – Cumpri meu mandato de deputado e não sai à reeleição. Voltei a cuidar da minha lavoura, estava sossegado quando em 1996 me procuraram para sair candidato a prefeito de Santa Luzia. Fui novamente o mais votado e fiquei até o ano de 2000. Se eu não pude fazer tudo, fiz tudo aquilo que pude pelo município. Devo tudo isso ao povo, porque sozinho ninguém chega lá.
Decom – Na criação de Santa Luzia quem estava com o senhor, quem lhe apoiava?
Pedro Lima – Criamos uma comissão de apoio para lutar pela emancipação de Santa Luzia e aí gera aquela ciumeira. Um daqui outro de lá, até meu compadre Dego saiu vice de um homem, um cabra não confiável, que dizia que ele era que tinha emancipado. Quem emancipou foi o povo. Eu costumo dizer: de não tivesse gente lá, nós não tínhamos como fazer. O progresso quem trás é o povo.
Decom – O que o levou a se desiludir da política?
Pedro Lima – Essas mazelas, esses trem aí vão descontentando. A pior coisa hoje em dia que se tem pra fazer, é pedir voto e pedir prenda pra igreja católica. Você vai pedir voto, dizem logo: Lá vem um vagabundo, as vezes recebe pra não perder o cliente. Tudo isso me desestimulou de continuar na militância política.
Decom – No começo o que Santa Luzia produzia?
Pedro Lima – Feijão, arroz, milho e madeira. A economia na época era isso aí. Eu sempre dizia em 1980, daqui a dez anos vamos ter estrada, energia e escola. Não demorou um ano e o Teixeirão desceu de helicóptero numa pequena abertura que fizemos no meio da mata e falou: “Vim aqui pra dizer que vou mandar vir um topógrafo lá de Cacoal pra vocês escolherem uma quadra pra fazer um colégio que vai se chamar JK, escolher uma área pra vocês construírem uma igreja e uma praça para a Teleron. E já vou abrir estrada”.
Na frente tinha um dormitório e dias depois chega um mineiro dizendo que viera instalar a torre da antena. No dia seguinte, quando estava indo ao banco em Cacoal, vi em Rolim de Moura, na 25, as máquinas estavam começando o trabalho e a topografia em poucos dias chegou em Santa Luzia,. Foi muito rápido.
Decom – Quem foi o primeiro administrador nomeado pelo Teixeirão?
Pedro Lima – Foi Catarino Cardoso. Era “quatro por quatro” a reserva do município no perímetro urbano. A administração de Cacoal mandou tirar madeira para construir a escola e roubaram os mognos. A administração de Cacoal vendeu tudo pros madeireiros e nós ficamos com as cascas. Aí o Teixeirão trouxe o Catarino Cardoso que abriu mais ruas, entregou data (terreno), fez muito. Depois veio o Lair Laurindo e mais tarde o Valdir Roberto.
Decom– E o caso daquele cidadão que queria por que queria ser administrador?
Decom – Quando o Ângelo Angelim assumiu o governo em 1985, ficou aquele impasse: quem põe, quem não põe, para ser o administrador de Santa Luzia. Tinha um tal de Cesar Cassol que queria ser o administrador. O Valdir Raupp era governador e eu, Miguel Pioneiro, o Marcão, que era suplente de vereador, fomos falar com o Raupp que disse: “Vocês tão ficando doido, colocar esse homem lá, vamos criar cobra pra nos morder”. Eu falei: Valdir, diz ele que é da cozinha do Angelim, o pai dele e ele. Quem sabe ele pode conseguir alguma coisa para Santa Luzia. O Raupp então respondeu: “Se vocês querem vamos colocar. Se não der certo, a gente tira”. Não deu outra, quando emancipou foi contra mim. Sempre digo, não tenho nada contra ele, é trabalhador. “Agora, o dia que você me vê abraçado com ele, é briga e tem que apartar.
Pedro Lima – Promovia festas com músicas folclóricas, fiz o estádio, promovia torneios de futebol. Promovia as festa no aniversário da cidade, 7 de Setembro, compramos os instrumentos e montamos a fanfarra, apoiava o festival de música sertaneja. Depois que deixei a prefeitura o povo não teve mais interesse, não fez mais nenhuma festa. Lembro da festa dos estados que era muito bonita com desfile de carro de boi, rainha da madeira e tanta coisa bonita. Já falei pra esse prefeito que está aí, vamos resgatar as festas a nossa cultura, não sei, parece que ninguém tem interesse.
Decom – As pessoas  davam valor à terra?
Pedro Lima – Não davam muito valor. Mas eu sempre falava, vamos segurar os lotes. Vi um companheiro trocar um lote de 42 alqueires por um toca fita e um relógio, eu quase surrei ele. Briguei mesmo e ele dizia: “eu ganhei isso do Incra rapaz, não custa nada, vou pra frente e ganho outro lote. Quem veio com dinheiro se quebrou, voltou para trás. Aquele que veio sem condições, não tinha como voltar e tinha que ficar. Esses hoje estão bem, têm terra, fazenda, tem casa, tem gado. Eu cheguei a prevê: a madeira vai acabar, a lavoura vai indo e fracassa e o que vai prevalecer é a pecuária. Eu sempre fui formador de opinião e dizia, o lema aqui é arrumar terra. Vamos derrubar e plantar o pasto, cercar, depois faz o curral pois vai chegar a época que nós não vamos derrubar, quem derrubou, derrubou, quem não derrubou não derruba mais. Essa época estamos vivendo agora.
Decom – Tem uma história por aí do produtor que foi homenageado pelo Teixeirão. Como foi essa homenagem?
Pedro Lima – Tenho um amigo por nome Taboca que derrubou os 42 alqueires e disse ao Teixeirão: “olha eu derrubei, plantei café, seringa e cacau. Agora não tenho mais terra”. O então governador mandou o pessoal do Incra dar 300 hectares a ele, próximo de Alto Alegre, um município que ainda não existia na época e ainda deu uma medalha para ele como incentivo.
Decom – A história de madeira de lei abundante era real? O senhor chegou a botar serraria?
Pedro Lima – Nunca coloquei serraria. Fui um homem nesse lado meio sem sorte. Eu nuca vendi madeira, as terras que eu arrumei lá em Brasilândia não tinha mogno e nem cerejeira, só tinha madeira sem valor e as terras que eu comprava, geralmente já tinham sido explorada. Vinha aqueles aventureiros e eu falava pra eles; gente, vocês estão vendo, esse povo que está aqui explorando, não é o verdadeiro dono. O dono está vindo. Nós viemos fazer caminho para eles passarem e a cama para eles dormirem. Hoje estã aí o alqueire valendo R$ 25 mil. O p\sto está cheio de gado. Todo mundo é pecuarista, o professor, o funcionário do fórum, o trabalhador da prefeitura, prefeito, vice-prefeito, vereador são todos pecuaristas porque usaram a cabeça. 
Decom – Para encerrar essa nossa conversa. Deixe sua mensagem para a juventude?
Pedro Lima – Quero parabenizar todos os munícipes, pessoas trabalhadoras. Sempre digo: Pra Rondônia ficar mais bonita só depende de nós, do nosso trabalho e da nossa honestidade. Para Santa Luzia desejo Parabéns!
Pioneiro abriu primeira farmácia com 30 mil contos
Valdivino, “Dego”, acompanhou a equipe do Decom desde a chegada ao município de Santa Luzia e não parava de lembrar: “vocês não podem ir embora, sem antes ouvir o seu Miguel Amâncio. Ele foi um dos primeiros a chegar na antiga Vila Bambu e abriu uma farmácia. A história dele é muito bonita”. Miguel contou sua história, desde os tempos que saiu da cidade cearense de Iguatu e foi para São Paulo, depois Mato Grosso (MS) e finalmente Rondônia. “Cheguei a Ouro Preto d’Oeste em 1972 e o responsável pelo PIC disse que lá não tinha mais terra. Mas que estavam abrindo o PIC Gy Paraná, no seringal Cacaual, perto de Pimenta Bueno e que se eu quisesse podia fazer a inscrição ali mesmo”.
Amâncio não fez a inscrição porque não tinha resolvido sua vida em Mato Grosso. Mais tarde retornou a Rondônia e dessa vez com toda família. Embora tivesse comprado terra na Vila de Rondônia (Ji Paraná), ao passar por Cacaual resolveu ficar. Já em 1979 se separou da mulher e enfrentou o picadão com cacaio nas costas, no rumo da Vila Bambu, onde iniciou o negócio que passaria a ser a primeira farmácia de Santa Luzia. Durante a entrevista, as lágrimas escorreram de seus olhos várias vezes, lembrando de como foi duro mas, gratificante, cooperar com o surgimento do município de Santa Luzia.
Decom– quem é o pioneiro e primeiro farmacêutico da antiga Vila Bambu?
8 - ss conversa com amancio
Miguel Amâncio – Sou Miguel Amâncio de Souza nasci no dia 18 de fevereiro de 1927, na cidade de Iguatu no estado do Ceará. Do Ceará fui pra São Paulo, Mato Grosso (do Sul) e Rondônia.
Decom – Quando e por que o senhor veio para Rondônia?
Miguel Amâncio – Fiquei em Mato Grosso do Sul por 16 anos, ganhei algumas “coisinhas”, perdi e resolvi vir pra Rondônia porque tinha aquele apelo do governo federal, que prometia 100 hectares de terra. Era o ano de 1972. Cheguei lá em Ouro Preto do Oeste, falei com o coordenador. Na realidade, o coordenador mesmo, Assis Canuto estava em Porto Velho e quem me atendeu foi o responsável pelo PIC Ouro Preto que disse: “Aqui não tem mais terra, mas, em Pimenta Bueno tá abrindo o PIC Gy Paraná na região do Seringal Cacaual, se você quiser, pode fazer inscrição aqui e vai ganhar o lote lá”. Respondi, eu não quero fazer, mas, meu cunhado e mais uns três amigos que vieram comigo querem.
Decom – Por que o senhor não quis fazer a inscrição?
Miguel Amâncio – Não quis, porque não tinha terminado ainda meus acertos lá em Mato Grosso. Tinha que voltar para terminar a venda de um lote de terra que tinha e projetar a mudança da família para Rondônia, meu plano era Ji-Paraná.
Decom – Por que Ji Paraná?
Miguel Amâncio – Porque não existia outra cidade, Cacoal ainda não existia, só tinha o Projeto do Incra. Nessa volta demorei três dias de Fátima do Sul até Vila Rondônia (ainda não era Ji Paraná) em carro próprio. Isso foi em 1973. Primeiro vim sozinho e comprei um terreno na Vila Jotão que estava começando a ser aberta. Quando voltei daí, já com a mudança, parei em Cacoal e era aquele burburinho estavam invadindo tudo, cada um marcando uma data e achei melhor ficar por ali, porque naquele tempo a Vila Jotão era muito baixa, hoje tá uma maravilha. Mas naquela época era muito alagada. Para atravessar do Jotão para a Vila de Rondônia era muita lama, não gostando, resolvi ficar em Cacoal.
Fazendo o que?
Miguel Amâncio – Montei uma farmácia e fiquei trabalhando em Cacoal, era muito bom, passaram dois administradores, um era militar e, civil nunca se une com militar, é como cachorro com gato. Aquele militar começou com muita exigência, fiquei por ali, ganhei um pouquinho de dinheiro. Depois nomearam Catarino Cardoso como administrador distrital, Cacoal era distrito de Porto Velho. Naquele tempo só tinha dois municípios, Porto Velho e Guajará-Mirim. Com o pouco dinheiro que ganhei, consegui um lote e comecei a carregar um cacaio até o lote que era na beira da BR perto de Presidente Médici. Mas, era uma invasão cheia de problema, Zé Milton Rios era o seringalista mandão, até umas mortes andaram acontecendo. Graças a Deus eu não estava no meio. O pessoal de Médici andou agindo por lá. Então em 1979 separei da família. Eu me transferi para essa região que hoje é Santa Luzia. Deixei as propriedades, a farmácia e três salões na 7 de Setembro lá em Cacoal tudo para a mulher e os cinco filhos, dos quais três, duas mulheres e um homem já estavam casados. Era um projeto que tinha com a mulher desde quando morávamos em Mato Grosso do Sul de nos separarmos assim que os filhos estivessem criados. Naquele tempo estavam abrindo a Vila Bambu, ainda não era Santa Luzia.
Decom – O senhor lembra o dia que chegou  a Vila Bambu?
Miguel Amâncio – Cheguei a Vila Bambu, no dia 8 de fevereiro de 1980, onde só tinha o boteco do Paulo Rodrigues – Paulão – e  botecozinho. Não havia estrada, era carreador entre os lotes. Aqui era um projeto de 4 km por 4 km para uma futura cidade que o Incra reservou. Então peguei 36 contos (mil antigos) de remédio da farmácia em Cacoal e disse: vou abrir uma farmácia lá na Vila Bambu. Combinei com a “finada” (ex-mulher): Se eu ganhar dinheiro lá, venho pagar isso aqui, quero 30 dias. Se não der certo, devolvo os remédios e vou pro lote lá no Muqui. Chegando aqui aluguei um barraco de pau a pique, passado 30 dias voltei lá e paguei os 36 contos. Felizmente tinha muita madeira, Mogno aqui era uma mina, entrou uma firma pra tirar madeira e lotou de gente, aumentei a farmácia, fui trabalhando, deu tudo certinho. Não tinha estrada para Rolim de Moura carreguei cacaio nas costas indo a pé pra Rolim, tinha um carreador, mas, não tinha ônibus nem nada.
Decom  – O senhor casou de novo?
Miguel Amâncio – Casei com a dona Abdael Almeida de Souza temos os filhos: Miguel Amâncio de Souza Filho e a Rosimeire Amâncio de Souza Machado.
Decom – Quando foi que o Teixeirão resolveu investir na Vila Bambu?
Miguel Amâncio – Teixeirão chegou aqui um dia, ali era muito homem, um gaúcho que tinha qualidade, tenho saudade dele. Ele chegou reuniu o povo e disse: “Olha gente, assumi o governo de Rondônia e estou vendo que está tudo por fazer, mas vamos abrir a boca e dizer: somos rondonienses”.
Lembro como se fosse hoje, ele disse: “Quero trabalho, trabalho e trabalho eu garanto a vocês que vou trabalhar. No dia 7 de agosto, prosseguiu Teixeirão, lá na beira do rio Anta o trator vai berrar, começando a abrir a estrada”. Isso era o mês de abril daquele ano e disse mais, “Rolim de Moura será um polo muito importante para essa região, as ruas e avenidas terão 100 metros de largura. Vai ser realmente a referência da região”. Quando foi no dia 7 de agosto, um trator D-7 chegou e derrubou um Ipê grande em cima daquela serra e começou a abrir a estrada, foi uma riqueza os anos que o Teixeirão trabalhou aqui, ele foi incansável, ele visitava, não vinha com policial atrás dele não, era aquele bonezinho na cabeça, uns três companheiros, conversando com as pessoas, como nós estamos conversando aqui. A situação foi melhorando para todo mundo e começaram a falar na transformação do Distrito em Município, o estado precisa crescer e para isso era preciso ter mais municípios.
Decom– E como foi que a Vila Bambu passou a se chamar Santa Luzia?
Miguel Amâncio – Zé Perdido e outro companheiro dele se perderam na mata da região e não tinha jeito. Ficaram dois dias no mato e então fizeram uma promessa com Santa Luzia: “se Deus abençoasse que se eles saíssem na 45 que era a Linha mestra, pela qual conseguiram chegar a qualquer propriedade, iriam pedir para o Teixeirão mudar de Vila Bambu para Santa Luzia”.
Dizem também que o Coronel Teixeira tinha recebido uma “graça’” de Santa Luzia por um problema em sua visão e por isso colocou o nome da Santa na cidade.
Decom– Quem foi o primeiro administrador de Santa Luzia?
Miguel Amâncio – Foi Valdir Roberto, depois veio o Catarino Cardoso. Quando aconteceu a primeira eleição para prefeito, o povo elegeu o Pedro Lima que foi um bom prefeito, um cabra muito trabalhador de muita garra, honesto.
Decom – Como o senhor se sente ao ter participado da criação de Santa Luzia hoje uma cidade bonita, próspera?
Miguel Amâncio – Sinto muito prazer, apesar de hoje não ter mais força para nada, não ter mais saúde, mas me sinto satisfeito de ter ajudado, entrei com o espirito de progredir. Meus filhos que moram em Cacoal me chamam para morar lá, mas eu não vou. Não vou porque gosto de Santa Luzia.
Decom – Para encerrar esse nosso bate papo e em homenagem ao aniversário de 28 anos da emancipação de Santa Luzia que foi festejado dia 11 de maio, gostaria que o senhor deixasse uma mensagem à juventude da cidade. Pode ser?
Miguel Amâncio – No momento a gente fica meio assim “apertado” para dar uma mensagem, que poderia futuramente servir muito pra eles, nós estamos numa época muito difícil para a juventude. Eu diria o seguinte: Que esses que estão aí, que chegaram depois de mim (muito emocionado), evitassem os horrores da criminalidade que existe, as drogas, as enfermidades que estão matando o povo. Eu gosto do meu Brasil, gosto de Santa Luzia.
 Zé Mineiro quase perde inscrição feita no Paraná
“Quer assistir uma Folia de Reis de Verdade vem aqui no fim do ano”. Com 79 anos incompletos, foi assim que Zé Mineiro recebeu a equipe de reportagem do Decom e contou toda a trajetória de sua vida desde quando chegou em Rondônia em 1977 e desembarcou no acampamento que futuramente se transformaria no município de Cacoal. O Incra de Cascavel (PR) havia reservado três lotes de terra em Rondônia e quando cheguei no órgão em Cacoal queriam cancelar o documento de inscrição.
8 - zé mineiro
Decom – Fale sobre onde o senhor nasceu e por que veio para Rondônia?
Zé Mineiro – Sou mineiro, nasci no dia 02 de julho de 1935 em São Domingos de Araçuaí, e fui para Teófilo Otoni onde me criei. Trabalhei com boiada, com tropa, passei muito tormento. Em 1960 me casei e então fui para o Paraná onde morei 17 anos e não consegui uma terra pra trabalhar, viver a vida e criar meus filhos. O destino quis e eu vim pra Rondônia. Meu nome completo é José Gonçalves de Abreu, mas pode me chamar de “Zé Mineiro”.
Decom– Em qual ano o senhor veio para Rondônia?
Zé Mineiro – Era 1977 quando ainda não existia estrada, os coitados dos motoristas levavam até 60 dias viajando de Cuiabá a Porto Velho. Quando aqui cheguei, vamos voltar um pouco.
Decom – Pra onde?
Zé Mineiro – O Incra de Cascavel (PR) me deu três lotes de terra aqui em Rondônia. Quando cheguei, o Incra de Cacoal começou a “dar pra trás comigo” e durante uma discussão eles falaram que iriam cassar meu “mandato” (documento que trouxe de Cascavel), acontece que eu tinha uma amizade muito grande no Paraná e quando ficaram sabendo que o pessoal de Cacoal estava querendo cassar o meu documento, ligaram e disseram: “Vocês nem sabem com quem estão mexendo, esse homem é analfabeto mas, é uma grande autoridade nossa”. Aí eu vim e comprei uma marcação (lote de terra) que fica na Linha 92. No primeiro ano colhi 800 sacas de arroz e exportei tudo para Manaus.
Decom –  Nesse tempo essa marcação ficava em Santa Luzia, Cacoal ou Costa Marques?
Zé Mineiro – Não ficava em nada, porque não existia nada, era tudo mato. A gente veio acompanhando a estradinha do Incra lá de Pimenta Bueno até determinado local perto dessa área que hoje é Rolim de Moura, dali a gente botava o cacaio nas costas e entrava na mata no rumo da marcação de cada um.
Decom– O que vinha no cacaio?
Zé Mineiro – Comida, cobertinha pra dormir e as ferramentas. A espingarda não podia faltar, pois através dela a gente conseguia o alimento que chamamos de mistura, que era carne de caça de todo jeito. Para o senhor fazer ideia, quando uma pessoa adoecia a gente colocava dentro da rede e levava a pé até Rolim de Moura onde o doente embarcava numa camionete e seguia para tratamento em Cacoal.
Decom – Quem era o médico?
Zé Mineiro – O doutor Adegildo e o doutor Ramiro era quem atendia em Cacoal. Esses dois médicos atendiam todos os cacaeiros da região. Naquele tempo a Malária era a pior doença, muita gente morreu de malária e hepatite.
Decom – O senhor pegou malária?
Zé Mineiro – Estou com toda essa idade – 79 anos – e não conheço o que é malária graças a Deus. Dos meus filhos só um pegou malária porque não ouviu meu conselho. Malária não pega em todo mundo. Naquela época para não pegar malária eu misturava a fruta da Santa Inácia com a Jurubeba e de manhãzinha tomava uma talagada daquela mistura,
Decom – O senhor é benzedor?
Zé Mineiro – Rezo em criança, para picada de cobra também e outras coisas, esse trabalho é realizado graças às bênçãos de Deus. Ainda hoje se eu estiver com saúde rezo nas pessoas, uso nessas benzeduras a planta conhecida como Vassourinha de Nossa Senhora. Você quer saber qual a oração que faço durante a reza! Isso é segredo, se eu disser quebra o encanto, agora eu não tenho poder de curar ninguém, quem cura é Deus.
Decom – Agora gostaríamos que o senhor falasse sobre a implantação do município de Santa Luzia. Conhece essa história?
Zé Mineiro – Quem registrou isso aqui foi o finado Teixeirão, depois colocaram um cidadão lá de Cacoal que não lembro o nome agora, para administrar o município. O primeiro prefeito eleito de Santa Luzia foi o Pedro Lima ele foi tão bom que foi prefeito por duas vezes, ele realmente fez Santa Luzia. Depois vieram outros. Graças a Deus hoje Santa Luzia está de parabéns, porque as pessoas que assumiram a prefeitura fizeram por merecer, inclusive esse que esta no poder agora. Aliás, quando o Jurandir (atual prefeito), era policial, eu gostava muito do trabalho que ele fazia com as crianças, criou a Guarda Mirim e a população quando tinha festa, aplaudia o desfile da Guarda Mirim.
Decom– Hoje o senhor planta o que no seu sítio?
Zé Mineiro – Comecei cultivando café, tinha 18 mil pés de café, com isso fui preparando as coisas, comprei terra para os filhos, comprei casa, mas, você sabe, filho não dá valor, jogou fora, mas, estamos vivendo.
Decom/– O que o senhor lembra da formação da história de Santa Luzia?
Zé Mineiro – Aqui teve muito sofrimento.  Era muito difícil,  principalmente a saúde e em segundo lugar a educação. Para estruturar a cidade deu trabalho, porque os governadores priorizavam as cidades mais desenvolvidas, por  exemplo, tudo que se produzia aqui ia pra Rolim de Moura e a nossa cidade foi ficando em segundo plano.
Decom – Santa Luzia está completando neste dia 11 de maio deste ano de 2014, 28 anos de emancipação política. O que o senhor tem a dizer sobre mais um ano do município que o senhor ajudou a implantar?
Zé Mineiro – Me sinto muito animado porque o povo deu valor a Santa Luzia. Santa Luzia é o que é hoje, graças aos cacaeiros e aos migrantes que vieram e valorizaram a terra. Esse progresso (com raríssimas exceções) também é graças aos prefeitos que administraram o município inclusive o atual.
Decom/Sms– O senhor é casado?
Zé Mineiro – Sou casado há 58 anos com a dona Geralda. Tivemos onze filhos, mais de 30 netos e quase 20 bisnetos.
Decom– Para encerrar nossa conversa?
Zé Mineiro – Fiquei muito contente com a entrevista porque isso é uma coisa que é preciso, nós que já somos idosos, passar o que conhecemos, nossa experiência de vida e a história para os jovens. Afinal de contas, construímos a casa para eles morarem. Parabéns Santa Luzia!

Fonte
Texto: Silvio M. Santos
Fotos: Conhecer.tur.br/Robson Paiva/Contra-regra Nil
Decom - Governo de Rondônia

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Morre, aos 75 anos, o cantor Jair Rodrigues

Em sua última entrevista à CARAS, em janeiro, Jair Rodrigues plantou bananeira e comemorou boa fase pessoal e profissional: "Se eu não for o homem mais feliz do planeta, sou um deles”

O cantor Jair Rodrigues foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira (8), aos 75 anos, na sauna de sua casa, em Cotia (Grande São Paulo). De acordo com a assessoria de imprensa do artistas, Rodrigues foi sozinho para a sauna na noite de quarta (7) e não saiu mais de lá. A família só se o encontrou por volta das 10h.
A causa da morte ainda é desconhecida. O corpo está no local, e a família aguarda a chegada da perícia.
Jair, filho da bossa e do samba
Jair Rodrigues de Oliveira nasceu no dia 6 de fevereiro de 1939 em Igarapava, interior de São Paulo. Iniciou sua carreira musical nos anos 1950 e na década seguinte atingiu o sucesso em programas de calouros na televisão.
Ao lado de Elis Regina, Jair Rodrigues se tornou um dos grandes nomes do samba ao participar do notório "O Fino da Bossa", programa da TV Record que foi ao ar entre 1965 e 1967.
Com jeito brincalhão de malandro, e a voz potente, Jair ficou nacionalmente conhecido através dos duetos com a "pimentinha". O trabalho rendeu três discos, "Dois na Bossa volume I,II e III", gravados ao vivo. Na época, foi um dos primeiros registros a atingir mais de 1 milhão de cópias.
A interpretação de Jair ganhou dimensão que ressoa até hoje principalmente com a canção "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros. A canção sertaneja foi sensação no Festival da Música em 1966, principalmente pelo fato de Jair ter ficado conhecido como um artista do samba. "Disparada" acabou empatada com "A Banda", de Chico Buarque.
Carismático, Jair Rodrigues revisitou o disco "Dois na Bossa" no palco dedicado a Elis Regina na Virada Cultural de 2012, em São Paulo. Na ocasião, ele afirmou que Elis havia sido um "grande amor". Ele voltaria a relembrar da época ao assistir o espetáculo "Elis, a Musical", em cartaz. Jair assistiu o musical em março, aplaudiu de pé e acabou homenageado pelo público.
ENTREVISTA A REVISTA CARAS
Em sua última entrevista à CARAS, em janeiro desde ano, o cantor Jair Rodrigues, que morreu nesta quinta-feira, 8, disse estar totalmente pleno e realizado tanto na vida pessoal quanto profissional.
Graças a Deus, têm acontecido coisas maravilhosas na minha carreira e na minha vida particular. Eu sou o homem mais feliz do planeta. Se eu não for o homem mais feliz do planeta, sou um deles. Hoje, estou mais contente porque a Luciana acaba de dar à luz Tony. O bicho é macho”, exultou ele ao falar sobre seu primeiro neto do sexo masculino, e que também é avô de Nina (4), da união de Luciana com o fotógrafo Ike Levy (37), e de Isabella (6) e Laura (2), herdeiras do seu primogênito, Jair de Oliveira (38), e da atriz Tania Khalill (36).
Conhecido por seu bom humor, Jair, que concedeu a entrevista na Ilha de CARAS, onde fez um pocket show, chegou a plantar bananeira durante a apresentação. “É impressionante ver o vigor dele no palco”, elogiou a apresentadora do Esporte Fantástico, da Record, Mylena Ciribelli (48), na ocasião.
Durante sua passagem pela Ilha, Jair ganhou um carro 0 km e disse acreditar no poder das palavras. Por essa razão, ele escreveu, além do seu nome, a frase ‘já ganhei’ no papel em que depositou na urna para concorrer ao carro.

Morte em casa, aos 75 anos
O cantor morreu na manhã desta quinta-feira, 8, aos 75 anos, em Cotia, na região metropolitana de São Paulo, onde ele morava. A informação foi confirmada pela produtora JRC Produções àCARAS Digital. A causa da morte ainda não foi confirmada.
O cantor nasceu em Igarapava (SP), no dia 6 de fevereiro de 1939 e foi criado em Nova Europa, também interior paulista. Ele começou sua carreira nos anos 1950 e conquistou sucesso nos anos 1960, em programas de calouros. Em 1965, Elis Regina e Jair Rodrigues fizeram muito sucesso no programa O Fino da Bossa, na TV Record.
Entre seus grandes sucessos estão os clássicos Disparada e Deixa isso pra lá.