terça-feira, 3 de abril de 2012

LENHA 04.04.12

Lenha na Fogueira

A Semana Santa em sua programação para Sexta Feira durante a procissão do Senhor Morto, conta com a encenação da “Paixão de Cristo” pelo Grupo Êxodo.

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A cena da Paixão como acontece todos os anos, começa na esquina da rua José de Alencar com a D. Pedro II (Rampa do BB), com Pilatos entregando Cristo a crucificação.

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No percurso entre esse ponto até a catedral, a cena mais esperada pelo público, é a do arrependimento de Judas que se enforca num cenário montada na calçada do Colégio Barão do Solimões. O ator Alexandre Ronald já está preparando o pescoço para o enforcamento.

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Por falar em Grupo Êxodo, a peça o Homem de Nazaré, será apresentada na cidade cenográfica Jerusalém da Amazônia nos dias 7, 8 e 9 de junho.

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Enquanto isso, o amigo José Monteiro anuncia que sua pousada “Tucumã”, que fica ao lado da Jerusalém da Amazônia está prontinha para receber os turistas que quiserem passar horas agradáveis, passeando pelo Rio das Garças e acordando ao som da passarada.

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Quem já visitou as cabanas de “pau a pique” construídas a beira do Rio das Garças elogiou a iniciativa do Monteiro.

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Tá faltando as fotos revisor do governador!

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Voltando a Feira O Artesanato é Cem promovida pela Secel no final da semana passada.

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Nossas fontes junto a Iaripuna, dão conta que o “pau” quebrou nos corredores da Fundação.

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Um membro da equipe do Departamento Cultura da Fundação chegou bufando na segunda feira cobrando: “Cadê nossa equipe, o que estamos fazendo aqui. Os caras foram lá e fizeram dentro da nossa casa um evento super organizado. Aquilo é nosso e nós nunca soubemos utilizar”.

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Aí o bicho pegou, fedeu a chifre e o resultado foi que para não ficar muito feia na foto, a prefeitura que acabou com a programação no Mercado Cultural, se apressou em divulgar a agenda para o próximo final de semana. A agenda tem como destaque a venda de OVO de Páscoa na Feira do Porto e nada mais. Vejam aí:

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A Feira do Porto é uma boa opção para o Sábado de Aleluia e o final do Domingo de Páscoa dos portovelhenses que habitualmente lotam a Praça Aluizio Ferreira para se deliciar com as comidas típicas e visitar as barracas que trazem exposição e comércio de artesanato, confeccionados em palha, madeira e sementes da região.

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No local poderão ser encontrados chocolates recheados com polpas de frutas da região além de cestas e pelúcias alusivas a Páscoa.

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A feira acontece todos os sábados e domingos, das 18h às 22h, e para a população de Porto Velho é uma atividade que já faz parte da agenda cultural do município.

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Confira outras opções da Agenda Cultural promovida pela Prefeitura de Porto Velho através da Fundação Iaripuna:

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Sábado - 07/04 - Feira do Porto Especial com Exposição e comércio de artesanato e comidas típicas de nossa Região das 18h ás 22h, na Praça Aluísio Ferreira.

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Domingo - 08/04 - Feira do Porto Especial com Exposição e comércio de artesanato e comidas típicas de nossa Região das 18h ás 22h, na Praça Aluísio Ferreira

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Domingo - 08/04 - . Atividade Religiosa da Comunidade Católica Santo Antônio com missa especial de páscoa e encontro da comunidade como forma de manter viva as atividades tradicionais do Patrimônio Histórico tombado do Município às 10h na Igrejinha de Santo Antonio, local onde iniciou a cidade de Porto Velho.

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Domingo - 08/04 - Visitação ao Museu do Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré com visita Guiada ao Museu das 13h às 17h no Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré

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Por falar em Fundação Cultural:

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A presidente da Fundação Cultural de Cacoal - Funccal, professora Maria Lindomar e a gerente de projetos e idealizadora do projeto Teatro Itinerante, Gecelânia Schmidt, estão em Curitiba-PR participando de uma oficina de Capacitação em Planejamento, Gestão e Comunicação oferecida pelo Instituto HSBC Solidariedade (IHS), em parceria com a Brazil Foundation. A oficina teve início na segunda-feira, 2 de abril, e encerra nesta quarta-feira, 4.

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De acordo com a presidente da Funccal, Maria Lindomar, “esta Oficina é parte integrante do Programa de Formação de Parceiros e tem, como principal objetivo, melhorar a eficiência dos processos internos das instituições e contribuir para que o projeto Teatro Itinerante da Funccal, apoiado pelo Instituto HSBC Solidariedade, alcance os efeitos planejados e ampliar sua rede de contatos.

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Atenção para o convite que segue:

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É com elevada honra que convido vossa senhoria, a participar da Audiência Pública para discutir o Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura – FEDEC/RO, Sistema Estadual de Cultura – SEC e o Sistema Estadual de Financiamento à Cultura – SEFIC, proposta por esta parlamentar, que acontecerá no dia 12 de abril do corrente, às 9h, no Plenário da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia.

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A propositura visa o debate a cerca dos projetos de lei propostos pelo Poder Executivo, que concerne em Políticas Públicas voltadas a Cultura no Estado de Rondônia.

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Contando com a sua presença, renovo votos de estima e consideração.

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Atenciosamente, - Deputada Epifânia Barbosa

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Oficina de Teatro de Bonecos grátis na Casa da Cultura Ivan Marrocos em Porto Velho RO de 02 a 30 de abril. 2ª e 5ª feiras, das 15h às 18h00.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

LENHA 03.04.12

Lenha na Fogueira

Pode até já ter acontecido algo parecido, mas, igual aos eventos culturais que aconteceram no final de semana em Porto Velho sinceramente, não é do meu tempo.

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Digo pela qualidade e até pela quantidade.

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Porém o destaque maior vai para a importância cultural de cada um. Exemplo:

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A prefeitura de Porto Velho através da Fundação Iaripuna realizou a III Conferencia Municipal de Cultura e consolidou a instalação do Sistema Municipal de Cultura dando posse aos Conselheiros titulares e suplentes.

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Os 12 fóruns setoriais colocaram no papel o que pretendem que seja desenvolvido pelo Sistema.

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Enquanto isso, no galpão nº 2 da Estrada de Ferro Madeira Mamoré o Chicão da Secel abria a Feira “O Artesanato é Cem”.

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Essa feira veio consolidar um trabalho que vem sendo realizado pela equipe do PAB coordenada pela Wellida mostrando o que temos de melhor no artesanato de Rondônia.

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Todos os expositores elogiaram a organização e principalmente a comercialização de seus produtos.

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Tinha de tudo: desde paçoca de castanha brasileira, até panela de barro produzida em São Francisco do Guaporé, passando pelos instrumentos musicais produzidos pelo pessoal do distrito de Nazaré e os cocás dos bois de Guajará, mais a cerâmica de Pimenta Bueno e os produtos das tribos indígenas de Porto Velho.

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De Norte a Sul do Oeste ao Lester do estado de Rondônia existia artesão expondo e vendendo na feira.

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Pelo lado musical Denis Carvalho responsável pela produção artística da feira foram dez.

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Do Manôa ao Caribé passando pelo o Jam Bera; do Silvinho ao grupo Minhas Raízes; do Chorinho do Porto ao H Montenegro todos foram super aplaudidos.

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E o Denis sempre que topava comigo pela feira, perguntava e aí Zé qual a nota. Nota DEEEEEZZZZ!

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Outro evento de grande importância foi o Seminário promovido pela Federação de Quadrilhas, Bois Bumbás e Danças Folclóricas de Rondônia que aconteceu durante todo o dia de domingo 1º no colégio Jesus Burlamarques Hosana.

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O Seminmário tinha em sua pauta a revisão do estatuto e do regimento interno da entidade, itens que foram amplamente discutidos pela maioria absoluta dos representantes dos grupos filiados.

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Na realidade, parece que apenas dois grupos folclóricos não se fizeram representar.

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A idéia do Seminário da Federon foi do “quadrilheiro” Benevides presidente do grupo Arrasta Pé de Matutos que há alguns dias solicitou a direção da Federação uma reunião que aconteceu no Teatro Banzeiros e apresentou uma série de sugestão de como ele pensou a existência da Federon a partir de então.

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Foi então que o Fernando Rocha e sua diretoria resolveu promover o Seminário que aconteceu no último domingo com um aproveitamento que podemos classificar como bom.

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Os folcloristas estavam tão focados nos assuntos colocados em pauta, que as discussões só terminaram por volta das 21h00. Vale salientar que a abertura foi as 9h00 com a Bebel chamando a atenção dos dirigentes dos grupos de bois bumbas.

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“Vocês precisam fazer alguma coisa para melhorar as apresentações, pois o publico está abandonando as arquibancadas quando se anuncia a apresentação de um boi bumbá” disse Bebel.

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Foi dada a largada a partir de então, o presidente do Diamante Negro folclorista Aluizio Guedes assim que a Bebel desceu do palco, foi questioná-la exigindo que a Gerente de Cultura da Secel desse literalmente falando, nome aos bois.

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Porém as reivindicações do Aluizio ficaram por aí mesmo, pois, as palavras da Bebel com certeza não foram para o seu grupo e sim para aqueles grupos que recebem o mesmo subsídio de um Corre Campo, Diamante e Az de Ouro e não coloca nem 100 brincantes no Flor do Maracujá.

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Muita coisa vai mudar nas apresentações do grupos folclóricos no Flor do Maracujá, tanto de quadrilha como de boi bumbá.

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Por exemplo, no naipe boi bumbá foram inseridos os quesitos: Levantador de Toada, Apresentador e Auto do Boi.

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No quesito Auto do Boi será julgado conjuntamente os personagens Mascarados, Doutores, Bicho Folharal, Padre, Morena Bela, Diretor de Índio entre outros considerados tradicionais na brincadeira.

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Com isso fica fora como quesito: Mascarados, Padre, Bicho Folharal que era julgados individualmente.

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Pelo menos sessenta por cento das toadas devem ser inéditas. Ano passado alguns grupos só apresentaram toadas dos bois de Parintins, de Nova Olinda do Norte e de Fonte Nova. Isso deve acabar no Maracujá deste ano.

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Entre os grupos de quadrilhas pouca coisa mudou assim mesmo, a discussão foi boa.

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Tudo indica que a partir deste ano a cultura em Rondônia começa a entrar nos trilhos, afinal de contas estamos festejando o centenário da inauguração da Madeira Mamoré.

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Como nem tudo são flores:

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Durante todo o mês de abril não teremos nenhuma atividade cultural no Mercado Cultural.

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O logradouro público estará passando por reformas. Vão tentar acabar com as goteiras do telhado.

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Acontece que só vamos saber se realmente esse reparo deu certo, quando novembro chegar com as chuvas de inverno.

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Ei Zizi e agora, quem vai comprar as empadas e os quitutes da Vera? O espírito do Manelão!

domingo, 1 de abril de 2012

HOMERO ESCULTOR

As assombrações do Forte Príncipe da Beira

Ano passado estivemos em Costa Marques fazendo a cobertura da Festa do Divino e por lá, encontramos o Homero Santos, artista plástico e escultor. “Na realidade gosto mesmo é de fazer escultura”, que nos ofereceu um tambaqui frito à moda de Costa Marques, durante o almoço ouvimos várias histórias sobre Bolas e Fogo que aparecem no Forte Príncipe da Beira e então combinamos de voltar para entrevista-lo para que ele nos contasse sobre esses fenômenos. Voltamos à Costa Marques durante o carnaval deste ano e não deu pra conversar direito com o Homero. Com a abertura da Feira “O Artesanato é Cem”, que aconteceu em Porto Velho o encontramos com suas esculturas. “O meu estilo é cubista escultura em 3D e a madeira utilizada é a imburana”. Apesar de até sábado a noite (na hora que o estávamos entrevistando um freguês prometeu voltar para comprar duas peças) não ter vendido nenhuma obra, Homero se disse feliz da vida com a Feira. “Veio aqui um machã de São Paulo e se interessou pelas minhas esculturas. Se não fosse a feira não conheceria esse povo”.

Acontece que nosso objetivo era saber sobre as histórias de assombração do Forte Príncipe da Beira e sobre isso o Homero é professor. Acompanhe!

ENTREVISTA

Zk – De onde você é e há quanto tempo mora em Rondônia?

Homero Escultor – Meu nome é Homero dos Santos mais sou mais conhecido como Homero Escultor. Nasci em São Paulo, mas, me considero rondoniense de coração, pois, vim pra cá quando tinha apenas 7 anos de idade, estou há 30 anos morando nessa terra querida.

Zk – Qual o motivo da vinda para Rondônia?

Homero Escultor – Meu pai comprou 60 alqueires de terra lá no Jirau, alguém o ofereceu essas terras quando a gente ainda estava em São Paulo, quer dizer, pela fotografia. Quando chegamos aqui já de mudança e meu pai foi tomar posse das suas terras, viu que havia jogado dinheiro fora, pois era um sapezal que nem trator de esteira conseguia arrancar a raiz,

Zk – E o que seus pais resolveram fazer?

Homero Escultor – Ficamos lá meio que perdidos, foi quando um tio meu, irmão da minha mãe que era do exército, nos localizou, e nos trouxe para a cidade, então ficamos residindo em Porto Velho até meu pai falecer.

Zk – Como foi que a arte entrou na sua vida?

Homero Escultor – A arte entrou na minha vida através de um convento que tinha no São Sebastião I. Foi lá que comecei a ler sobre a arte de esculpir e então senti que o meu negócio era aquele.

Zk – Que história é essa de convento?

Homero Escultor – Acontece que fui adotado pelas freiras. Acho que sou abençoado, pois era considerado menino rebelde e por isso fui adotado pelas freiras daquele convento. Digo que não tenho apenas uma mãe, tenho seis: uma biológica e cinco freiras.

Zk – Então as freiras te ensinaram à arte de esculpir?

Homero Escultor – Não, elas não me deram aula descobri meu dom por mim mesmo. Sou autodidata. Elas têm como filosofia de que você já nasce com o dom de fazer as coisas tanto que só depois de muito tempo elas descobriram que sou artista, que faço escultura, ficaram espantadas!

Zk – Ta faltando dizer onde você mora hoje em dia?

Homero Escultor – Estou morando em Costa Marques.

Zk – Por que Costa Marques?

Homero Escultor – Minha mulher Luzia foi convidada a trabalhar no SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) por dois anos lá em Costa Marques e então fomos pra lá. Acontece que esses dois anos foi passando e hoje ela saiu do emprego e continuamos lá já faz quatro anos. Aquilo é um paraíso, moro à beira do Rio Guaporé na divisa Brasil/Bolívia. Você mergulha naquela água do Guaporé e ganha uma paz de espírito indescritível!

Zk – Você falou em Fortaleza, quer dizer que você mora no Forte Príncipe da Beira?

Homero Escultor – Morei dois anos no Forte Príncipe agora já estou com dois anos morando em Costa Marques, vale salientar que o Forte faz parte do município de Costa Marques.

Zk – Por falar nisso o ex prefeito Dinho me disse que você sabe um bocado de histórias de visagem que aparecem no Forte Príncipe da Beira. Conta algumas pra gente?

Homero Escultor – Não é visagem como todo mundo diz. Eu vi com esses olhos que a terra há de comer: Lâmpadas em cima do Forte. Seis pessoas viram junto comigo, uma luz do tamanho de uma bola de 40 centímetros fazendo vôo rasante em cima da fortaleza.

Zk – Tem também as histórias que os pescadores contam?

Homero Escultor – Os pescadores contam que sempre estão vendo Bolas de Fogo entrando que nem sonrrisal e sumindo na água do rio. Pra eles isso é normal. Eu já vi bolas enormes descendo na beira do rio.

Zk – Alguém já se preocupou em pesquisar esses fenômenos?

Homero Escultor – Dizem que o Forte é um setor de Ufologia. Tem umas lendas meio faraônicas.

Zk – Exemplo?

Homero Escultor – A lenda do “Cachorro de Ouro”!

Zk – O que?

Homero Escultor – A lenda do “Cachorro de Ouro” diz que na sexta feira passa um cachorro arrastando um corrente de ouro.

Zk – Você acredita nisso?

Homero Escultor – Fiquei matutando e conversando com um senhor antigo, que já até faleceu, ele me contou a história verdadeira.

Zk – Qual a verdadeira história do cachorro de ouro?

Homero Escultor – Foi um porco do mato que se enrolou num arame farpado e saiu correndo. Um gaiato trocou o porco pelo cachorro. Na realidade os cachorros ficaram correndo atrás do porco do mato, mas, a estória que é contada até hoje é a do “Cachorro de Ouro” que aparece toda sexta feira de lua cheia.

Zk – Você ou alguém já viu disco voador no Forte Príncipe?

Homero Escultor – Eu vi bola de fogo, nunca vi disco voador e nem ouvi alguém dizer que viu. Bola de fogo é uma coisa inexplicável no Forte. Lá tem um setor, uma fortaleza dentro do Forte que dizem, que era aonde eles prendiam os escravos. Quando a gente chega ali o clima fica pesado. Tem um local atrás da fortaleza, um FORNO que dizem que era pra queimar as pessoas que não obedeciam às normas.

Zk – Era para isso mesmo?

Homero Escultor – Não! Aquilo é um forno para queimar cerâmica. Dizem que queimavam escravo “gaiato” lá dentro.

Zk – Vamos deixar as assombrações de lado e falar sobre esse trabalho que você trouxe para a Feira o Artesanato é Cem?

Homero Escultor – As esculturas que trouxe para a feira são, “As Camélias do Vale do Guaporé”. Uma puxa pra castanha, outra para o índio. A nossa castanha hoje, quem consome é a Bolívia.

Zk – Por falar em onça você me contou que já passou apuros com esse animal?

Homero Escultor – Foi o seguinte: Eu e minha esposa estávamos indo de moto, de Costa Marques para o Forte, quando chegamos perto do aeroporto, virando no lixão, por volta das nove horas da noite. Na minha visão, eram pessoas porque quando eu destinava o farol da moto para aquele vulto, parecia um farolete. Disse: se for ladrão, vou jogar a moto em cima e acelerei, quando cheguei perto vi que eram três filhotes de onça, duas correram pro mato e a outra correu uns duzentos metros na frente da moto e depois entrou no mato. No outro dia que tinha que voltar pra cidade, vi que haviam jogado no lixão, uma enorme quantidade de carcaça de boi e logicamente que as onças estavam jantando. Quer outra de onça?

Zk – Quero!

Homero Escultor – A primeira vez que fui ao Forte foi com a minha mãe. Então para a gente vir embora tinha que sacar dinheiro em Costa Marques pra pagar a passagem de barco. Fui de bicicleta. Na volta encontrei uma manada de bezerro e tinha um cachorro preto perto, quando cheguei uns dez metros, vi que era uma onça preta. Mano, a bicha me olhou e eu olhei pra ela, gritei que nem uma vaca doida, resultado, ela correu prum lado e eu pro outro. Cheguei ao Forte num piscar de olho pensando que a bicha vinha atrás de mim.

Zk – Quer dizer que o Forte Príncipe é reduto de histórias pitorescas?

Homero Escultor – Ali é um centro místico! Tem história de caçador que vai caçar e as visagens não deixam ele matar nada. Tem caçador que não vai caçar nunca mais na vida. É o caso do seu Carlos.

Zk – Outro?

Homero Escultor – Seu Carlos diz que foi caçar e não estava pegando nada. “Oh meu Deus do Céu, eu queria só um porquinho”. De volta tinha um porquinho entranhado num escavado e ele matou o bicho. O colega dele disse: “Vamos atrás que a manada passou por ali”. Quando mal tinham andado, encontraram um Velho branco sentado na bunda, que disse: “Hei vocês só me pediram um”. Eles juntaram na carreira que até hoje seu Carlos diz que não tem quem faça ele sair pra caçar. Vai lá no Forte que te levo na casa dele.

Zk – Vamos parar por aqui, já está dando meia noite e aqui na Madeira Mamoré dizem que aparece muita visagem, já todo arrepiado!

Homero Escultor – Olha, essa feira foi o melhor negócio que o nosso secretário Chicão já fez. Não vendi nada até agora, mas vieram aqui uns machãs de São Paulo juntamente com um artista plástico de lá e gostaram do meu trabalho. A Rita Queiroz estava presente e viu quando eles se ofereceram para colocar minhas esculturas nas galerias de São Paulo. Terça feira vamos sentar para fechar o negócio. Quer dizer, se não fosse essa Feira eu não teria encontrado esse povo. Não vendi nenhuma obra (até sábado à noite), mas ganhei muito!

Zk – Quem quiser comprar uma escultura do Homero tem que fazer o que?

Homero Escultor – É só ligar para 8477- 9622 ou homeroescultor@gmail.com